O apoio que só existe no desejo da CNI

Fatos & Comentários / 18 Maio 2016

Um amigo da coluna, com mestrado em Economia, costuma dizer uma frase, já publicada aqui algumas vezes: “Torture os números que eles dirão o que você quer.” A CNI, com a preciosa colaboração do Ibope Inteligência, mostrou que a máxima pode ser estendida às pesquisas. Com perguntas capciosas e respostas escolhidas a dedo, a Confederação tentou mostrar que cresce o apoio do brasileiro a medidas de reforma da previdência e que, para isso, a população defenderia o corte no Bolsa Família e nos investimentos. Um olhar mais atento sobre a pesquisa integral, e não sobre a forma como foi divulgada, mostra que os resultados não são bem assim.

A CNI diz que aumenta a percepção entre os brasileiros de que a aposentadoria deveria ocorrer em idades mais avançadas. Apresenta, para comprovar a tese, o resultado em que 48% concorda que a idade mínima deveria ser de 55 anos, enquanto 51% – quase um empate, portanto – defende um patamar abaixo de 55 anos. Destrinchando os números, porém, vê-se resultado mais realista: 82% dos entrevistados disse que a idade com a qual uma pessoa deve se aposentar seria de menos de 60 anos; apenas 13% defendem um patamar entre 61 e 65 anos, e mero 4% apoia idade mínima acima de 65 anos – marco que desejam estabelecer os defensores da reforma.

Uma das formas de tumultuar os resultados da pesquisa foi juntar os resultados das opções “concorda totalmente” com “concorda em partes” (sic). Assim, à pergunta “Com as pessoas vivendo até idades mais avançadas, é necessário estabelecer uma idade mínima para a aposentadoria?”, a CNI afirma que 65% apoiam, quando a parcela dos que concordam totalmente é bem menor: 44%. A percepção de que o brasileiro pensa diferente do que deseja a Confederação é reforçada pela pergunta seguinte: “Com as pessoas vivendo até idades mais avançadas, é necessário que as pessoas se aposentem cada vez mais tarde?” Seis em cada dez brasileiros discordam totalmente; 13%, parcialmente; 9% concorda em partes (sic) e apenas 11% concorda totalmente.

Talvez o auge da transformação de desejo em realidade tenha sido na afirmação de que, “caso não seja possível aumentar impostos, os brasileiros preferem que o governo reduza gastos com programas sociais e investimentos em infraestrutura”. O problema começa na pergunta, que contrapõe pagamento de aposentadorias a aumento de impostos, e continua nas respostas. São apresentadas como opções de cortes: programas sociais (Bolsa Família, Minha Casa), investimentos em infraestrutura, seguro desemprego, saúde, educação e segurança. Nenhum item fala sobre redução no pagamentos dos escorchantes juros da dívida. Não à toa, a soma dos que não responderam (12%) com os que não aceitaram as alternativas dadas pelo Ibope (13%) representa um quarto dos entrevistados.

Uma pergunta fundamental, feita em pesquisa similar realizada em novembro de 2014, ficou ausente da divulgada nesta quarta-feira: quantos dos entrevistados não contribuem para o INSS. Há dois anos, este percentual era de 46%. Ou seja, quase metade dos brasileiros ouvidos pelo Ibope não faziam parte do sistema – ou por estarem desempregados, ou por não trabalharem, ou ainda por estar no mercado informal. Assim, boa parte dos entrevistados não tem outro interesse na previdência que não o de evitar mais gastos e garantir alguma renda para eles próprios no final da vida. O que ajuda a explicar a resposta à pergunta (feita em 2015 e divulgada na quarta) “É dever da sociedade garantir o sustento mínimo a todos os idosos de baixa renda, inclusive daqueles que nunca contribuíram para a previdência?”. Metade (52%) concorda totalmente, 17%, parcialmente, 10% discorda parcialmente e apenas 15% discorda totalmente.

Legado paralímpico

A Câmara Brasil-Alemanha do Rio de Janeiro (AHK-RJ) comemora 100 anos em 2016 e decidiu criar o Pulsar - Programa de Capacitação para Profissionais Paradesportivos, que vai ensinar para profissionais de diferentes áreas da saúde a lecionar práticas esportivas para pessoas com deficiência. A metodologia foi desenvolvida por professores da Universidade de Esportes de Colônia, na Alemanha. O curso de extensão conta com a parceria do Instituto Superar, da Firjan e da universidade alemã.

O programa conta com o patrocínio dos Laboratórios B.Braun e do escritório Stüssi-Neves, entre outros integrantes da AHK-RJ.

Rápidas

Produzir mais, com qualidade, e atingir resultados, mas sem precisar trabalhar mais horas por isso. Essa é a mágica ensinada no livro Produtividade para Quem Quer Tempo (Editora Gente), escrito por Geronimo Theml. O lançamento do livro acontece nesta quarta, na livraria Saraiva do Botafogo Praia Shopping, RJ, a partir das 19h *** O programa MasterChef atingiu sete pontos de audiência na noite desta terça-feira, colocando a Band na liderança no horário por sete minutos *** Após seis décadas ininterruptas, a ExxonMobil informou que vai dar um tempo no Prêmio Esso de Jornalismo em 2016.