Número total de agrotóxicos liberados em 2019 já soma quase 300

Segundo o Greenpeace, de todos produtos liberados até agora, 32% são de agrotóxicos não permitidos na União Européia.

Conjuntura / 15:10 - 22 de jul de 2019

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Mantendo o ritmo recorde de aprovações de agrotóxicos, o governo liberou, nesta segunda-feira, mais 51 venenos no mercado brasileiro, totalizando 290 desde o começo deste ano, além de 21 novos pedidos de registro.

"O governo inicia o segundo semestre da mesma forma que começou o ano - de mãos dadas com veneno. Já são quase 300 agrotóxicos aprovados este ano, ameaçando ainda mais nossa saúde e o meio ambiente. Somente neste último ato, 51 novos produtos foram aprovados. Podemos produzir sem agrotóxicos, em equilíbrio com o meio ambiente e respeitando a saúde das pessoas. Porém, as decisões do governo no tema ignoram isso e colocam o povo brasileiro em risco. Isso é inaceitável", afirma Iran Magno, da campanha de Alimentação e Agricultura do Greenpeace.

Pelos atos publicados no Diário Oficial da União de primeiro de janeiro até o mais recente, em 22 de julho de 2019, o governo liberou 290 agrotóxicos; para iniciar o segundo semestre, o governo mantém a sede de veneno que vem demonstrando desde o início do ano. O ato de 22 de julho é o que traz o maior volume de aprovações até então, com a concessão de registro à 51 agrotóxicos.

Segundo o Greenpeace, "em termos dos produtos aprovados, esse ato traz em sua grande maioria ingredientes ativos já utilizados na agricultura brasileira; quando olhamos para todos os atos, tivemos apenas dois ingredientes ativos novos: o Sulfoxaflor e o Florpirauxifen-benzil."

O novo ato traz mais um produto com o Florpirauxifen-benzil, que antes disso teve apenas um produto aprovado em junho. Essa molécula não tem seu uso aprovado na UE e, de acordo com as informações disponíveis, pode provocar reações alérgicas na pele e é considerado muito tóxi co a organismos aquáticos; já o Sulfoxaflor teve seu uso suspenso nos EUA por anos por potencial danos às abelhas. Recentemente, a Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA) restabeleceu o uso de produtos com esse ingrediente ativo. Por aqui, o novo ato traz seis produtos à base do Sulfoxaflor;

Dos 51 produtos liberados no último ato, 18 são classificados como extremamente ou altamente tóxicos. Já olhando o total das liberações ocorridas em 2019, 41% dos produtos são altamente ou extremamente tóxicos (118 produtos). A toxicidade das liberações vai na direção contrária dos argumentos usados pela Ministra da Agricultura Tereza Cristina e pela bancada ruralista de que um maior ritmo de aprovações resultaria no registro de moléculas menos tóxicas.

De todos produtos liberados até agora, 32% são de agrotóxicos não permitidos na União Européia.

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