Número de agências bancárias tem queda em 2015 e 2016

Conjuntura / 13:33 - 1 de ago de 2016

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Com base na relação de agências e postos bancários disponibilizada pelo Banco Central, a Boanerges & Cia., consultoria especializada em varejo financeiro, analisou a evolução do número de agências e postos bancários de cada instituição financeira desde 2007 e chegou às seguintes constatações: após crescimento entre 2011 e 2014, impulsionado, principalmente, por abertura de agências de bancos públicos, número está em queda desde 2015; de 23.127 agências em dezembro de 2014, a quantidade caiu para 22.866 em dezembro de 2015 e para 22.701 em junho de 2016; Bradesco (-174) e Itaú (-277) foram os bancos que mais fecharam agências desde dezembro de 2014; número de postos bancários também está em queda desde 2014, quando atingiu o pico de 50.954. Desde então, até junho de 2016, 7.100 postos bancários já foram extintos, 5.495 em 2015 e 1.605 em 2016; os dois principais bancos privados do país também foram os que mais fecharam postos bancários entre dezembro de 2014 e junho de 2016: entre aberturas e fechamentos, o saldo líquido do Itaú ficou negativo em 2.434, enquanto o do Bradesco, em 1.844. Ao contrário das agências, porém, o número de postos dos cinco maiores bancos do país (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Caixa e Santander) registrou queda no período; a produtividade das agências e postos bancários caiu após ter atingido o pico em 2011 e voltou a subir em 2015. Ainda assim, o valor de 2015 é 5% inferior ao de 2011, de forma que, para que aquele valor fosse restabelecido, mais 3.560 agências ou postos deveriam ter sido fechadas no ano passado (além das 261 agências e 5.495 postos que já foram fechados no período). Após a queda de 20.084 em 2009 para 19.488 em 2010, motivada principalmente pela fusão do Itaú com o Unibanco - em dezembro de 2009, o Itaú tinha 3.561 agências, e o Unibanco, 975; com a fusão, considerando o saldo líquido de aberturas e fechamentos, foram fechadas 834 agências -, o número de agências bancárias no Brasil subiu ininterruptamente até 2014, impulsionado, principalmente, pela abertura de agências de bancos públicos. Entre 2011 e 2014, a Caixa foi a instituição que mais abriu agências (1.287). Após a abertura de 1.115 agências em 2011, resposta à perda do Banco Postal para o Banco do Brasil, o Bradesco abriu outras 52 agências em 2012, fechou 13 (saldo líquido negativo de 13) em 2013 e abriu 2 em 2014. O Banco do Brasil, por sua vez, abriu 452 agências entre 2011 e 2014; o Santander, 299; e o Itaú, 166. A partir de então, porém, o número de agências bancárias está em queda, puxada principalmente pelos fechamentos dos dois maiores bancos privados do País. No Bradesco, considerando o saldo líquido de aberturas e fechamentos, o número de agências caiu em 150 em 2015 e em 24 em 2016. Em junho de 2016, o banco contava com uma rede de 4.478 agências. O número não inclui as 851 agências do HSBC, que já fechou 17 agências desde dezembro de 2012. O Itaú, que já tinha fechado 36 agências em 2014, fechou 97 em 2015 e 180 apenas nos primeiros seis meses de 2016, chegando, assim, a 3.591. Mesmo o Banco do Brasil já reduziu seu número em 96 agências, desde dezembro de 2014 (-95 em 2015 e -1 entre dezembro de 2015 e junho de 2016), chegando, com isso, a 5.428. A Boanerges & Cia. levantou também o número de postos de atendimento bancário (PAB), postos avançados de atendimento (PAA) e postos de atendimento bancário eletrônico (PAE). Conforme é possível observar, não há substituição de agências por postos bancários, uma vez que estes também estão em queda desde 2014, quando atingiram o pico de 50.954. Desde então, até junho de 2016, 7.100 postos bancários já foram fechados, 5.495 em 2015 e 1.605 em 2016. Assim como no caso das agências, os dois principais bancos privados do país foram os que mais fecharam postos bancários entre dezembro de 2014 e junho de 2016: entre aberturas e fechamentos, o saldo líquido do Itaú ficou negativo em 2.434, enquanto o do Bradesco, em 1.844. Ao contrário das agências, porém, o número de postos dos cinco maiores bancos do país registrou queda no período. Para Vitor França, consultor da Boanerges & Cia., "os números podem ser reflexo da crise e da necessidade dos bancos de cortar despesas e buscar eficiência, mas também parecem refletir o início de um ciclo maior de fechamento de agências e profunda mudança na prestação de serviços bancários." Dados divulgados recentemente pelo Banco Central mostram que as transações realizadas por acesso remoto (internet, home e office banking) e telefone e PDAs passaram de 29,2% do total de transações em 2008 para 55,4% em 2015. A participação das transações nas agências e postos bancários, por sua vez, caiu de 23,1% em 2008 para 15,1% em 2015. Mesmo o número absoluto de transações em agências e postos bancários caiu de 2014 para 2015 - de 8,623 bilhões para 8,341 bilhões, reflexo, em parte, da crise e da menor movimentação financeira na economia. No caso apenas do pagamento de conta, tributo e transferência de crédito, a participação das transações nas agências e postos bancários caiu de 30,1% em 2008 para 11,6% em 2015. Para tentar medir a evolução da produtividade das agências e postos bancários, a Boanerges & Cia. dividiu o número total de transações pelo total de agências e postos bancários e constatou que a produtividade caiu a partir de 2011, quando atingiu seu pico, e voltou a subir em 2015 com o fechamento de agências e postos bancários. Ainda assim, o valor de 2015 é 5% inferior ao de 2011, de forma que, para que aquele valor fosse restabelecido, mais 3.560 agências ou postos deveriam ter sido fechadas no ano passado (além das 261 agências e 5.495 postos que já foram fechados em 2015). Segundo Vitor França, a compra do HSBC pelo Bradesco e a provável venda do Citi, juntamente com o aumento das transações remotas e por telefones celulares, também devem contribuir para a diminuição do número de agências e postos bancários nos próximos anos.

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