Novo sultão de Omã recebe legião de líderes internacionais

Haitam Bin Tariq Bin Taimur assumiu o trono no sábado, após a morte de seu primo e antecessor Qabus Bin Said, na sexta.

Internacional / 11:54 - 15 de jan de 2020

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O novo sultão de Omã, Haitam Bin Tariq Bin Taimur Al Said, recebeu a visita de diversas lideranças regionais e mundiais desde que assumiu o trono no sábado, em Mascate, após a morte de seu primo e antecessor, Qabus Bin Said Bin Taimur Al Said, na sexta-feira, aos 79 anos. Haitam foi apontado como sucessor pelo conselho da família real do país, já que Qabus não deixou descendentes diretos.

Segundo informações publicadas pela Oman News Agency (ONA) - a agência de notícias oficial do sultanato -, no domingo e nesta segunda-feira, visitaram o novo monarca para oferecer condolências o rei da Arábia Saudita, Salman Bin Abdulaziz, o primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos e emir de Dubai, Mohammed Bin Rashid Al Maktoum, o príncipe-herdeiro e governante de fato de Abu Dhabi, Mohammed Bin Zayed Al-Nahyan, o rei da Jordânia, Abdullah II, o presidente da Palestina Mahmoud Abbas, o primeiro-ministro da Argélia, Abdelaziz Djerad, o emir do Kuwait, Sabah Al Ahmed Al Jaber Al-Sabah, o rei do Bahrein, Hamad Bin Issa Al Khalifa, o presidente da Tunísia, Kais Saied, o emir do Catar, Tamim Bin Hamad Al-Thani, o presidente do Djibuti, Omar Guelleh, o vice-presidente da Turquia, Fuat Oktay, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif.

Do Reino Unido, o sultão recebeu o primeiro-ministro Boris Johnson (foto do alto) e o príncipe Charles. O rei da Holanda, Willem Alexander, também esteve em Mascate, assim como várias outras autoridades de primeiro escalão, principalmente do Oriente Médio, Ásia, África e Europa.

O grande número de lideranças que visitaram Omã nos últimos dias reflete a importância diplomática que o país alcançou durante o reinado de Qabus, que em diversas vezes atuou como mediador em conflitos da região. Em comunicado publicado pela ONA nesta segunda, o secretário-geral da ONU, António Guterres, presta homenagem ao sultão falecido "por suas duradouras contribuições no campo da diplomacia regional e internacional". Guterres afirmou também que Qabus "liderou o Sultanato por 50 anos e comandou a transformação de Omã num país próspero e estável".

Nascido em 1940, na província de Dhofar, membro da família que governa Omã desde o século XVIII, Qabus foi para a Inglaterra em 1958 para completar sua educação, tendo frequentado a Real Academia Militar e servido no exército britânico na então Alemanha Ocidental. Em 1965, ele retornou a Omã e 1970 assumiu o trono.

De lá para cá, período que em Omã é chamado de "renascimento", o monarca liderou a transformação de um país empobrecido e isolado numa nação próspera e que mantém boas relações com lideranças internacionais dos mais diversos matizes políticos.

O Itamaraty soltou nota lamentando a morte de Qabus, ressaltando que ele era o chefe de Estado mais antigo do Oriente Médio. "O Sultão Qaboos (sic) promoveu políticas de modernização e desenvolvimento de Omã. Seu governo foi responsável pelo aumento expressivo do padrão de vida da população, pela promulgação da [primeira] Constituição de Omã e pela estabilidade do país", destacou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil. "No plano internacional, o Sultão Qaboos se destacou como hábil mediador de conflitos e como exemplo de tolerância, respeito e compromisso com seu povo", acrescentou. O governo brasileiro ainda desejou ao novo sultão Haitam "votos de pleno êxito no desempenho de suas novas funções". O Brasil estabeleceu relações diplomáticas com Omã em 1974.

A causa da morte de Qabus não foi divulgada, mas há anos ele sofria de problemas de saúde, e em dezembro havia retornado a Omã depois de um período de tratamento na Bélgica.

Em seu discurso de posse, Haitam prometeu levar adiante o legado de seu antecessor "para preservar os ganhos obtidos por ele e construir a partir deles". Na seara externa, o novo monarca garantiu que também vai seguir os passos do antigo sultão, mantendo uma política externa baseada na coexistência pacífica com outros países, na boa vizinhança, de não interferência nos assuntos internos de outras nações, de respeito à soberania alheia e de cooperação internacional em diferentes áreas.

 

Agência de Notícias Brasil-Árabe

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