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Novas fontes renováveis terão custos competitivos no setor elétrico

Eólicas podem alcançar participação de 14% (foto: Alberto Coutinho/GovBA) Em 2035, o Brasil pode aumentar em 68% a...

Conjuntura / 19 Outubro 2018

Eólicas podem alcançar participação de 14% (foto: Alberto Coutinho/GovBA)

Em 2035, o Brasil pode aumentar em 68% a participação de energia eólica, solar e biomassa em sua matriz elétrica, em relação à previsão do Plano Decenal de Energia (PDE) 2026, totalizando 44% da composição da matriz. Essa mudança pode ocorrer com valores competitivos em megawatt-hora (MWh) para os consumidores.

A conclusão é do estudo “Quais os reais custos e benefícios das fontes de geração elétrica no Brasil?”, divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Escolhas. O levantamento calcula os reais custos e benefícios de cada fonte de geração elétrica do país, por meio da avaliação e da valoração dos atributos de cinco componentes para cada fonte de geração prevista no PDE 2026.

Os atributos avaliados foram: custos de investimento e operação; serviços prestados pela fonte além da produção de energia propriamente dita; custos de infraestrutura causados (ou evitados) pelo gerador; subsídios e isenções; custos ambientais, como emissão de gases de efeito estufa.

As fontes previstas no PDE 2026 são: termelétrica a gás natural; usina de biomassa; usina eólica; usina hidrelétrica e usina solar fotovoltaica.

O Brasil, até 2026, pode aumentar a participação de renováveis em sua matriz elétrica sem que isso acarrete custos significativos para a operação do sistema elétrico, cumprindo assim as diretrizes do Plano Decenal, sustenta o estudo. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), hoje mais de 80% da eletricidade usada no país é proveniente de fontes renováveis, em sua maior parte, hidráulica (68%).

Essa é a primeira vez que se calcula no país os reais custos e benefícios das fontes de geração de energia, o que qualifica o debate sobre a viabilidade do aumento da participação das novas renováveis (eólica, solar e biomassa) na nossa matriz elétrica e o modo como é feita hoje a alocação dos custos entre os agentes do setor. Precisamos fazer esse debate, mas a partir de dados e evidências, sem demonizar qualquer fonte”, observa Sergio Leitão, diretor executivo do Instituto Escolhas.

Menor custo não é tudo

O custo do megawatt-hora das novas fontes renováveis são bastante competitivos e atrativos ao consumidor, mesmo em cenários de sua maior penetração no sistema, o que indica haver ainda bastante espaço para estas fontes na matriz energética do país, sustenta o estudo.

As novas fontes renováveis são as que apresentam o menor custo de investimento e operação em relação às demais. Dentre as renováveis, a biomassa é a que possui o menor custo de infraestrutura.

Para o Instituto Escolhas, o plano de expansão ideal para o sistema não deve necessariamente selecionar apenas a opção com o menor custo, pois nem todo MWh é economicamente igual. A pesquisa mostra o real custo de cada um deles para a sociedade e destaca que a melhor opção é a complementaridade entre as fontes de geração, que devem operar de forma conjunta.

A energia eólica, por exemplo, é limpa e renovável, mas sua produção é variável, porque não há como operar se não há vento. Já uma termelétrica emite gases de efeito estufa, mas pode ser acionada a qualquer momento. Ou seja, nenhuma fonte sozinha tem todas as características necessárias para uma ótima operação, vindo daí a complementaridade entre elas.

Quando avaliados os serviços prestados pela fonte além da produção de energia propriamente dita, como modulação (capacidade de atender a demanda durante todo o ano) e robustez (capacidade de produzir energia acima do que foi planejado), a termelétrica é a fonte que se sai melhor. A hidrelétrica tem problemas com a sazonalidade, e eólica e solar, com a variabilidade na produção de energia. Entretanto, é também a termelétrica a fonte com o maior custo ambiental para a sociedade relativo às emissões de gases de efeito estufa.

Os subsídios são um componente dos custos de energia que potencialmente causam distorção na precificação das fontes. Hoje as fontes que mais recebem subsídios e isenções são solar, eólica e pequenas centrais hidrelétricas.

Custos finais

Em um cenário de maior inserção de energias de fontes renováveis, em 2035 a produção solar responderia por 24% dos 293 GW instalados. Junto com eólica (14%) e biomassa (6%), superariam os 40% produzidos a partir de fontes hidráulicas. Neste cenário, 11% viriam de usinas movidas a gás natural, e apenas 1% de fonte nuclear.

Na avaliação de custos finais das fontes de expansão previstas no PDE 2026, a mais baixa seria de biomassa no Sudeste (R$ 168/MWh), e a mais alta, termelétrica a gás natural ciclo aberto flexível no Sudeste (R$ 412/MWh), de acordo com a metodologia do estudo.

O custo final de uma usina hidrelétrica (R$ 286/MWh) seria próximo ao de geração solar no Nordeste (R$ 293/MWh), mas superior ao de eólicas nesta região (R$ 195/MWh).