Não é acidente, é projeto

São poucas as vezes em que a concretização do “Estado mínimo” se dá de forma tão eloquente.

Fatos e Comentários / 21:06 - 15 de jan de 2020

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Dois assuntos que estiveram na linha de frente da mídia nos últimos dias, um nacional, outro local (Rio de Janeiro), guardam uma ligação não tão óbvia a primeira vista. As filas no INSS e a (falta de) qualidade da água distribuída pela Cedae são a concretização do desmonte do Estado em nome da “eficiência” e da “austeridade”.

O INSS conta com um pedido de concurso aguardando ser aprovado pelo governo para preenchimento de 7.888 vagas, informa Gabriel Henrique Pinto, professor e diretor da Central de Concursos. Sem contratar, em nome de uma economia burra, o Estado eleva os gastos ao ser obrigado a corrigir as aposentadorias atrasadas. Mais grave, deixa 1,3 milhão de pessoas, usualmente carentes, sem receber o que lhes é devido por seis meses, ou mais.

Não seria absurdo imaginar que algum dos Chicago Oldies da equipe econômica tenha até comemorado o represamento dos pagamentos em nome da redução do déficit fiscal. Se imaginarmos que 1 milhão tenham direito à aposentadoria (a média do INSS é de cerca de R$ 1,4 mil), são R$ 1,2 bilhão por mês (aposentado também sofre desconto da Previdência), o que dá R$ 15 bilhões por ano. De fazer brilhar os olhos dos doutores que confundem economia com caderninho de despesas de padaria.

Na Cedae, as demissões em massa – com objetivo declarado da eficiência, e não revelado da privatização – mostram a distância entre o discurso empoado dos executivos de mercado e a realidade operacional. (O caro leitor contrataria para comandar uma empresa de saneamento um conselheiro da Samarco à época de Mariana?). A qualidade foi para escanteio, e somente o fato de ser uma companhia monopolista permite Helio Cabral, o executivo em questão, dizer que o ressarcimento dos consumidores “não está no planejamento da empresa”.

São poucas as vezes em que a concretização do “Estado mínimo” se dá de forma tão eloquente.

 

Batalhão

A principal medida anunciada pelo governo para atacar a fila no INSS é a seleção de 7 mil militares da reserva. Como não se acredita que a intenção é uma solução à moda Witzel, de “neutralizar” os candidatos a aposentadoria, nem se tem conhecimento que treinamento em previdência faz parte da carreira militar, ficam duas hipóteses, não excludentes: é apenas jogo de cena ou se pretende dar um agrado à base eleitoral de Bolsonaro.

Os convocados receberão um adicional de 30% sobre o soldo, um dinheiro bem-vindo para um exército de cabos eleitorais em ano de eleição, e com o presidente em busca de assinaturas para viabilizar seu partido.

Não seria a primeira vez. A reforma da Previdência militar acabou em aumento de vencimentos para os oficiais, e as escolas “cívico-militares” gastarão entre 80% e 90% da verba que será enviada pelo governo no pagamento de adicional para os integrantes das Forças Armadas que lá trabalharão.

 

Ilusão de riqueza

O Governo Bolsonaro, leia-se Paulo Guedes, alega que a entrada do Brasil na OCDE traria mais investimentos. Se isso fosse verdade, a China e a Índia não seriam dois dos países que mais recebem investimento no mundo. Nenhum desses dois faz parte da OCDE”, ataca a página Progressista, que difunde ideias nacionalistas e apoia Ciro Gomes.

Se fosse verdade”, continua a mensagem no Facebook, “o México já seria praticamente um país desenvolvido, porque faz parte da OCDE desde 1994! Portanto, é uma grande mentira do Governo Bolsonaro e é apenas um jeito de tentar fazer marketing, dizendo que o Brasil entrou no clube dos ricos. Nada mais.”

Nem um dos piores entreguistas do Brasil chamado José Serra apoiou esse acordo do Brasil com os EUA”, afirma a postagem do Progressista.

 

Corte

Ruim é ficar seis meses na fila de espera do INSS. Pior vai ser descobrir que, com a reforma, não terá direito à sonhada aposentadoria.

 

Rápidas

O BNP Paribas anuncia Ricardo Guimarães como presidente do banco no Brasil, a partir de 1º de março *** O Shopping Jardim Guadalupe promove o evento Super Férias, com oficinas de slime e areia mágica no dia 26, das 15h às 19h. Nos sábados de 18 de janeiro e 1º de fevereiro, haverá shows com o Mágico Fini, às 18h *** As Férias Animadas no Caxias Shopping, em parceria com Firjan, Sesi e Sesc, prosseguem neste sábado e no domingo, das 14h às 18h, com oficinas de pintura, mosaico e xilogravura *** A YES! Idiomas é uma das patrocinadoras do Campeonato Carioca, que começa neste sábado.

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