Namorados: vendas caem -9,61%, quarta retração seguida

Conjuntura / 13 Junho 2017

Dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) apontam que as vendas parceladas no Dia dos Namorados deste ano caíram -9,61% na comparação com o mesmo período do ano passado. Desde 2011 o ritmo do comércio para a data vem desacelerando, sendo que nos últimos quatro anos as vendas registram resultado negativo. Em ano anteriores, as variações foram de -15,23% (2016), -7,82% (2015), -8,63% (2014), +7,72% (2013), +9,08% (2012), +10,80% (2011) e +7,23% (2010).

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o resultado demonstra que a aguardada recuperação das vendas no varejo deverá ser, novamente, adiada.

- Embora os juros estejam diminuindo e a inflação em patamar abaixo da meta, o comércio só deverá sentir os efeitos positivos do fim da recessão quando a recuperação econômica se refletir em aumento da renda e da empregabilidade, fato que ainda não aconteceu - pondera.

Na avaliação dos especialistas do SPC Brasil e da CNDL, ainda que o resultado seja negativo e venha de uma sequência de quatro anos seguidos de retração, a queda para a data em 2017 foi menos intensa do que no ano passado, o que pode indicar um rumo menos pessimista para o varejo nas próximas datas comemorativas.

Segundo o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, o comprometimento da renda e a menor oferta de crédito forçou o brasileiro a comprar presentes à vista.

- Os consumidores estão mais preocupados em não comprometer o próprio orçamento com compras parceladas, por isso optaram por presentes mais baratos e geralmente pagos à vista.

Pesquisa do SPC Brasil e da CNDL já apontava que o pagamento em dinheiro seria utilizado por 69% dos compradores, com ticket médio de R$ 124. Roupas (30%), perfumes e cosméticos (18%), calçados (11%), acessórios como cinto, óculos e bolsas (9%), flores (7%), chocolates (5%), jantares (4%) e smartphones (3%) lideraram a lista de presentes mais procurados.

O cálculo de vendas a prazo é baseado no volume de consultas realizadas ao banco de dados do SPC Brasil entre os dias 5 e 11 de junho deste ano.

 

Serasa fala em queda pelo segundo ano consecutivo

As vendas do Dia dos Namorados tiveram a segunda queda consecutiva, segundo o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio - Dia dos Namorados 2017. Durante a semana de 6 a 12 de junho, as vendas em todo o Brasil caíram 0,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. No ano passado, o índice caiu 9,5% em relação a 2015, apresentando o pior desempenho desde o início da série, em 2006.

No final de semana do Dia dos Namorados (10 a 12 de junho), houve queda de 3,3% em todo o país na comparação com o final de semana equivalente ao do ano anterior (10 a 12 de junho). Na cidade de São Paulo, as vendas realizadas na semana caíram 1,9% ante a mesma semana do ano passado. No final de semana da data, as vendas tiveram queda de 4,4% em relação ao período equivalente de 2016.

Segundo os economistas da Serasa Experian, o ainda elevado patamar de desemprego e a reduzida confiança do consumidor na economia pesaram negativamente sobre as vendas dos Dia dos Namorados deste ano, embora o resultado tenha sido melhor do que no ano anterior, porém ainda se mantendo negativo.

Foram consideradas as consultas realizadas no período de 6 a 12 de junho e comparadas às consultas realizadas no mesmo período de 2016; e as do período de 9 a 11 de junho, em comparação às do período de 10 a 12 de junho de 2016.

 

Para Boa Vista, houve crescimento de 2,6% - Dados da Boa Vista SCPC mostram que em 2017 as vendas reais do comércio para o Dia dos Namorados aumentaram 2,6% quando comparadas a 2016, registrando a primeira elevação depois de dois anos consecutivos em queda. Em 2016, as vendas diminuíram 5,8% em relação ao mesmo período de 2015, enquanto em 2015 o resultado foi negativo em 0,5%.

 

Já o resultado do faturamento das vendas para o período, estimado em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), foi de R$ 44 bilhões, já ponderando a elevação de 2,6% do período prévio à data comemorativa. Com isso, a diferença em relação ao mesmo período de 2016 foi de R$ 1,9 bilhão e, portanto, o faturamento total aumentou 4,5%.

Em decorrência da amenização da inflação, queda dos juros, uso de recursos do FGTS, entre outros fatores, a disposição das famílias em consumir começa a apresentar alento, colaborando para que o movimento observado para o Dia dos Namorados seja o terceiro dentre as datas comemorativas a apresentar alta, mostrando novo indicativo de recuperação do comércio neste ano.

O cálculo do volume de vendas para o Dia dos Namorados de 2017 é baseado em uma amostra das consultas realizadas no banco de dados da Boa Vista SCPC, com abrangência nacional. Para este Dia dos Namorados foram consideradas as consultas realizadas no período de 1º a 12 de junho de 2017, comparadas às consultas realizadas entre 1º e 12 de junho de 2016.

 

CNC projeta alta de 1,4% no varejo este ano

A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje pelo IBGE, mostra que, em abril, o faturamento do comércio varejista no conceito ampliado cresceu 1,5%, na comparação com março, já descontados os efeitos sazonais. Essa foi a quinta alta registrada nos últimos seis meses e o segundo melhor resultado do varejo desde abril de 2016 – em janeiro deste ano, o varejo no conceito ampliado apurou variação de +3,0%. Nessa base comparativa, destacaram-se positivamente os ramos de vestuário e acessórios (+3,5%) e de equipamentos de informática e comunicação, cuja variação mensal observada em abril (+10,2%) foi a maior desde novembro de 2015 (+16,0%).

Para a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o setor vem se aproximando da recuperação após três anos de quedas, mesmo que lentamente. A entidade revisou suas expectativas para o varejo ampliado em 2017 de +1,2% para +1,4%. Para o conceito restrito, projeta alta de 1,0%.

De acordo com os economistas da CNC, será fundamental a recuperação no segmento supermercadista, o mais relevante economicamente do varejo brasileiro, respondendo por mais de 30% do faturamento, dos empregos e dos estabelecimentos comerciais do país. À percepção de que fundamentos importantes para o varejo (como a inflação, os juros e a confiança do consumidor) têm contribuído para a reação das vendas no curto prazo, deve-se somar a fundamental recuperação do mercado de trabalho a partir da segunda metade do ano, uma variável-chave para a reativação da capacidade de consumo da população.