Na semana do Natal, fluxo de consumidores deve cair 4,6%

Black Friday, que operou acima das expectativas, pode ter levado à antecipação das vendas das Festas.

Conjuntura / 16:42 - 13 de dez de 2019

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Na semana do Natal - entre 17 e 24 de dezembro -, o fluxo de consumidores nas lojas físicas brasileiras deve cair 4,6% em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo estudo da empresa de coleta e análise de dados do varejo Seed Digital.

"Menos gente no comércio não significa que o volume de vendas e o faturamento serão menores. As pessoas continuam comprando e o ticket médio pode estar maior. Mas observamos uma mudança de comportamento do consumidor, que vai com menos frequência aos estabelecimentos comerciais e adere ao e-commerce, que tem apresentado fortes crescimentos", analisa Sidnei Raulino, CEO da Seed Digital.

Ele acrescenta que "a Black Friday, que operou acima das expectativas em 2019, pode ter levado à antecipação das vendas de Natal, contribuindo para um recuo no movimento de consumidores nas lojas neste fim de ano". Além disso, diz Raulino, a retração esperada de 4,6% no fluxo de pessoas na semana do Natal está em linha com as demais datas comerciais analisadas pela Seed.

O estudo identificou que a sazonalidade deve gerar um salto de 99,4% no fluxo de visitantes na semana do Natal em relação à média semanal ao longo do ano.

Os dados são fundamentados em pesquisa realizada no varejo ampliado, em 3 mil pontos, entre shopping centers e lojas de rua, distribuídos em 23 estados e 149 cidades do Brasil.

Outro estudo, realizado pela Social Miner avaliou o desempenho dos comércios eletrônicos na Black Friday deste ano. Os dados foram extraídos da sua base, superior a 41 milhões de cadastros, e o material conta ainda com as análises de companhias parceiras, como Compre&Confie, Anymarket, Vindi e Octadesk, e o apoio de Koncilia, Eive, Opinion Box e Nuvemshop.

O estudo revela, por exemplo, que o varejo digital faturou R$ 11,95 bilhões em novembro deste ano, representando um crescimento de 32,8% em relação ao mesmo período em 2018. Além disso, quando observamos a variação no volume de vendas registradas no segundo semestre de 2019, novembro aparece no topo, com representatividade de 28,29%, sendo seguido por agosto, com 18,74%; setembro, com 18,19%; outubro, com 17,9%; e, por fim, julho, com 16,88%.

Já a própria sexta da Black Friday representou 20,69% das vendas realizadas em novembro, sendo que a representatividade média dos demais dias deste mês foi de 2,73%. No grande dia do evento, podemos identificar ainda que o primeiro pico de vendas aconteceu às 2h da madrugada e se manteve em alta até as 4h. A partir de então as conversões passaram a cair e só voltaram a crescer a partir das 9h, atingindo um novo pico ao meio dia, num volume que se manteve até o início da madrugada para sábado.

A pesquisa revela ainda que, das regiões brasileiras, o Sudeste concentrou o maior tráfego nos e-commerces no último mês, representando 63,74% das visitas aos sites. Em seguida, aparecem as regiões Sul e Nordeste, com 16,08% e 12,26%, respectivamente, enquanto o Centro-oeste, com 5,86%, e o Norte, com 2,06%, foram responsáveis pelos menores índices de tráfego.

Entre as categorias de destaque, o setor de beleza teve o público dividido entre 86,83% dos consumidores que se declararam como do gênero feminino e 13,17% masculino. Já o segmento de Eletrônicos e Informática teve preferência dos homens, com representatividade de 95,33%, contra apenas 4,67% por mulheres. O segmento de multicategoria, por sua vez, registrou maior igualdade na distribuição de volume de vendas entre os gêneros: 54,12% para as mulheres e 45,88% para os homens; enquanto Moda e Acessórios teve 76,33% do público declarado como gênero feminino e 23,67%, masculino.

Apontado como relevante por 47,1% dos respondentes da Pesquisa de "Boca de Urna" para a Black Friday, lançada no final de outubro pela Social Miner e Opinion Box, o "valor do frete" saiu, em novembro de 2019, em média a R$ 17,90 para o consumidor, caindo 15,6% em relação ao mesmo período de 2018. Já o ticket médio subiu, com variação de 2,6%, de R$ 455,60 em novembro de 2018, para R$ 467,30 em 2019.

E, se as mulheres tiveram maior representatividade no volume de pedidos realizados em novembro (57,3%), foram os homens os responsáveis por 53,7% dos ganhos alcançados pelo varejo virtual durante o mês, especialmente porque contaram com um ticket médio mais alto, de R$ 531,30, contra R$ 410 delas.

Em novembro de 2018, 66,31% dos consumidores optaram por buscar atendimento junto às empresas através do telefone, mas em 2019 esse número caiu para 43,33%, enquanto outros canais como e-mail e chat ganharam representatividade, passando de 22,26% para 34,87% e de 11,41% para 21,79% de um ano para o outro, respectivamente.

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