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Na capitalização, aposentado perde até 77% da renda

Sistema financeiro consumiria maior parte do dinheiro poupado.

Conjuntura / 22:58 - 20 de Mai de 2019

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O sistema de capitalização transferiria para o setor financeiro 62% do valor poupado pelo trabalhador. O percentual pode chegar a 77% após 59 anos de ingresso no modelo, alerta a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco).

Em audiência pública sobre capitalização nesta segunda-feira, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado, o diretor de Defesa Profissional da (Unafisco), Mauro José Silva, explicou que o sistema proposto na PEC 6/2019 resultará num valor acumulado pelo trabalhador, ao fim de 40 anos de contribuição, de R$ 275.804,02.

Entretanto, a remuneração dos bancos, prevista na reforma, consumiria R$ 105.701,43 dessa quantia, o que equivale a mais de 62% do valor do patrimônio do empregado. Assim, esse trabalhador ficaria com apenas R$ 170.102,58.

No 59º ano, após ingressar no sistema de capitalização, esta porcentagem ultrapassaria os 77%. Um cenário que, segundo Silva, possibilitaria o recebimento de uma aposentadoria no valor de R$ 750, o que equivale a apenas um quarto do total contribuído.

O consultor do Senado Luiz Alberto dos Santos frisou que o texto da PEC 6/2019 apresenta contradições, traz incertezas e tende a gerar custos diferenciados para as pessoas. A aposentadoria dependerá de quanto, efetivamente, aquela aplicação renderá. “No Brasil, nós temos renda média muito baixa. As pessoas não têm dinheiro para destinar a uma sistemática de provisão fora do regime público, e essa é uma diferença fundamental”, explicou Santos.

O secretário de Previdência da Secretaria de Previdência do Ministério da Economia, Leonardo José Rolim Guimarães, fez o contraponto. Na década de 1980, havia 14 pessoas em idade ativa de contribuição com a seguridade para cada idoso passível de receber o benefício. Atualmente, a estimativa é de 7 para 1 e, em 2060, a previsão é de que haja 2,3 pessoas contribuindo, para cada cidadão aposentado. “Fica óbvio que o sistema, da maneira como está, não se sustenta”, defendeu Rolim.

O ciclo de audiências sobre a reforma da Previdência foi solicitado pelo presidente da CDH, senador Paulo Paim (PT-RS).

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