MUFG (Banco de Tokyo): S&P rebaixou o Brasil para BB- (perspectiva estável)

Opinião do Analista / 12 Janeiro 2018

Nossa expectativa - A decisão da S&P era amplamente esperada, devido às dificuldades que o governo claramente tem enfrentado para a aprovação da reforma da previdência no Congresso. No entanto, a decisão foi anunciada antes do esperado; esperava-se que a S&P iria aguardar o resultado da votação da reforma da Previdência no Congresso, prevista para a semana do dia 19 de fevereiro. De qualquer forma, o mercado teve uma reação bastante limitada ao anúncio por que a decisão já estava precificada.

As dificuldades recentes em relação às medidas fiscais de curto prazo, como a liminar que suspendeu o adiamento dos reajustes de salários de funcionários públicos e, mais recentemente, o debate político sobre a possível flexibilização da chamada Regra de Ouro, aparecem como os motivos que convenceram a S&P a antecipar a decisão.

Sabemos que, de acordo com os consultores políticos, a probabilidade de aprovar a reforma da previdência esse ano é baixa, na faixa de 30%. Confirmando esse cenário e sem aprovação da reforma da previdência, existe a possibilidade de rebaixamento da nota do Brasil por pelo menos uma das outras duas agências de crédito (Moody's e/ou Fitch).

Não prevemos qualquer alteração do rating do Brasil pela S&P até pelo menos a divulgação do resultado das eleições presidenciais, conforme sugerido pela perspectiva de rating estável, e considerando a solidez do Balanço de Pagamentos e que a credibilidade da política econômica pode continuar elevada durante este ano.

Para os próximos anos, esperamos que o presidente eleito em outubro de 2018, que assume o cargo em janeiro de 2019, deve assumir um compromisso de manter a agenda de reformas estruturais e a base das atuais políticas econômicas. Mesmo assim, conforme observado pela S&P será importante avaliar se o próximo governo conseguirá construir uma coalização forte no Congresso para aprovar as reformas estruturais.