MP da ‘liberdade’ faz país retroceder um século

MP aumenta a “liberdade econômica” da empresa em impor as próprias regras e tira poder dos sindicatos, deixando o trabalhador desprotegido.

Conjuntura / 23:00 - 14 de ago de 2019

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“O bode foi retirado da sala, mas o cheiro ficou”. Assim resumiu o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, ao analisar o texto-base da Medida Provisória 881, a chamada “MP da liberdade econômica”, aprovado na última terça-feira na Câmara dos Deputados. Para ele, a bancada patronal faz Brasil retroceder um século.
A MP permite o trabalho em qualquer dia da semana, incluindo domingos e feriados, sem o pagamento de horas extras ou adicionais. O descanso aos domingos foi garantido apenas uma vez a cada quatro semanas. A folga semanal correspondente, antes definida por acordos com sindicatos, agora será determinada pelo próprio empregador.
Para Ganz Lúcio, a MP aumenta a “liberdade econômica” da empresa em impor as suas próprias regras e tira poder dos sindicatos, deixando o trabalhador desprotegido. “A regra é muito ruim, porque tira o sindicato da regulação, e dá às empresas total autonomia para fazer do jeito que quiserem. Tem gente que queria mudança. E elas estão chegando. Eu acho que é uma regressão”, criticou o diretor do Dieese em comentário no jornal Brasil Atual desta quarta-feira.
 

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