Morgan Stanley e Itaú desembarcam da Argentina

Crise no país vizinho afeta os resultados das empresas brasileiras.

Acredite se Puder / 19:11 - 13 de ago de 2019

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O Morgan Stanley e o Itaú BBA, depois da derrota sofrida por Macri nas eleições primárias de domingo, optaram por zerar a exposição no país. O relatório do Morgan aponta como principais justificativas as grandes incertezas e a falta de catalisadores para os ativos no curto prazo. Independentemente da reação política, o espaço para manobras é muito limitado dados os desafios macroeconômicos, que variam de dificuldades fiscais estruturais a liquidez, possíveis problemas de solvência, bem como um financiamento externo considerável. No documento também rebaixou a recomendação para ações de empresas argentinas de neutra para a venda ou seja, “underweight, enquanto a dos bancos argentinos passou drasticamente de overweight, ou seja, compra, para underweight”.

O Itaú, por sua vez, tinha posição neutra nos ativos argentinos desde junho, por meio das ações da Pampa Energia, e decidiu eliminar agora a exposição ao país, pois espera mais incertezas referentes à futura política econômica. O Morgan Stanley também comentou em relatório suas projeções para os títulos públicos da Argentina. Segundo seus analistas, a extensão da queda dos preços irá depender muito do quanto o governo conseguirá convencer o mercado de que ainda há um caminho para uma política moderada no país. A equipe, no entantio, recomenda a compra de uma cesta de CDS (Credit Default Swap) do Brasil e da Colômbia, de cinco anos. A volta de títulos argentinos no portfólio, diz o Morgan, só seria possível com uma visão mais firme e clara de uma potencial materialização da recuperação dos preços.

 

Tadinha da CVC

A CVC anunciou no começo deste mês a aquisição da companhia argentina Almundo, por US$ 77 milhões. Com a compra, a CVC dobra de tamanho e se torna a segunda maior empresa de turismo da Argentina, com 16% de participação do mercado. O objetivo era ser a líder no país com a perspectiva de recuperação da economia nos próximos anos.

 

Marcopolo também dançou tango

No mês passado, a Marcopolo anunciou a aquisição de 49% da empresa argentina Metalsur Carrocerias por US$ 9 milhões e, por uma reorganização societária, passou a deter, direta e indiretamente, 70% do capital. Segundo nota da companhia brasileira, a operação foi realizada por acreditar no potencial da economia e em sua retomada.

 

Banco Patagônia vai afetar o BB

No ano passado, o Banco do Brasil aumentou para 80,38% sua participação acionária no Banco Patagônia ao adquirir a parte de três minoritários que exerceram a opção de venda. Banco do Brasil. Segundo os analistas do Itaú BBA, o Banco do Brasil tem cerca de 4% da sua receita e empréstimos provenientes da Argentina, pelo Banco Patagônia.

 

Usiminas será a mais afetada

Analistas estimam que a indústria automobilística brasileira tenha uma dependência de 10% a 15% do mercado argentino e, por causa disso, as siderúrgicas brasileiras serão impactadas indiretamente pela economia do país. Em 2018, cerca de 40% das exportações da Usiminas foram para a Argentina, produtora que depende altamente do setor automotivo e possui baixa diversificação geográfica.

 

Argentinos não têm dinheiro para beber

Por causa da elevada inflação e moeda desvalorizada, os argentinos deveriam beber mais e dançar mais tangos. Dançam por causa da crise, mas não têm dinheiro para beber. A prova é o volume de vendas da Ambev que sofreu redução de 8,9% no segundo trimestre deste ano. A Argentina representa cerca de 9% do volume e do Ebitda total da Ambev.

 

Francês empurra pepino no GPA

A XP Investimentos calcula que o Grupo Pão de Açúcar tenha 2% de seu Ebitda oriundo da Argentina. Agora, com a reorganização do grupo francês Casino, o GPA passará a ter uma exposição relevante no país.

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