Moody's rebaixa notas de crédito da OEC, subsidiária da Odebrecht

Mercado Financeiro / 10:03 - 23 de ago de 2016

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A Moody's América Latina rebaixou o rating corporativo atribuído em escala nacional brasileira (NSR) à Odebrecht Engenharia e Construção S.A. (OEC), de Ba2.br para B2.br. Ao mesmo tempo, a Moody's Investors Service rebaixou de B2 para B3 o rating corporativo atribuído em escala global à OEC. O rating em moeda estrangeira está em revisão para rebaixamento adicional.O rebaixamento das notas de crédito reflete a percepção da Agência de Classificação de Riscos do aumento do risco de crédito para a OEC. Isso acontece devido à evolução do perfil de liquidez da companhia e riscos em meio às incertezas de negócios e um ambiente desfavorável para investimentos em infraestrutura na América Latina. De acordo com a Agência, apesar da ampla experiência da OEC em construção e do histórico de execução em complexos projetos de engenharia, a vantagem competitiva da companhia tem sido gravemente impactada pelas atuais alegações de corrupção. O prolongado processo de investigação resultou em enfraquecimento na confiança dos investidores e menor disponibilidade de financiamento para os projetos do grupo. Segundo a Moody´s, também pressionam os negócios da OEC, as menores taxas de crescimento em investimentos em infraestrutura na América Latina, reflexo de incertezas políticas, limitações fiscais e tendências de preços mais baixos para commodities nos setores de metais & mineração e petróleo & gás. A Agência informa que a  Odebrecht S.A., controladora da OEC, vem buscando uma colaboração definitiva dentro do escopo da Operação Lava Jato e está discutindo um acordo de leniência com as autoridades. Porém, a forma do acordo de colaboração ainda não foi divulgada, nem os termos e os efeitos financeiros e econômicos para o grupo e para a construtora. Dessa forma, a revisão da Moody's focará no prazo de conclusão deste processo, o qual nós consideramos como essencial para remover as incertezas quanto a sustentabilidade operacional da companhia. O impacto combinado das investigações de corrupção com as perspectivas mais fracas para a indústria não apenas afetou o ambiente para contratação de novos projetos, mas também determinou ajustes no ritmo de execução dos contratos já existentes da OEC e provocou atrasos na negociação de aditivos ou recebimentos em contratos com cláusulas de repasse de custos. Em consequência, o perfil de crédito e a posição de liquidez da companhia deterioraram até o primeiro trimestre de 2016 mais rápido que o antecipado pela Moody's. Após divulgar uma redução de 17% no volume de projetos contratados em 2015, a OEC divulgou outra diminuição de 11%, no primeiro trimestre de 2016. Esta redução mais recente no estoque de projetos foi acompanhada de um consumo de caixa de US$600 milhões, o qual foi precedido de uma redução de US$1,9 bilhão na posição de caixa em 2015, devido ao ritmo de produção e atrasos no fluxo de recebíveis. A margem EBIT permaneceu relativamente estável em torno de 8% em 2015 e 2014, mas deteriorou para 5% no primeiro trimestre de 2016 com custos operacionais mais elevados. Hiperinflação e desvalorização cambial na Venezuela também contribuíram para o enfraquecimento do resultado, já que projetos nesta região representam cerca de 19% do total de contratos da OEC. Penalidades monetárias consideráveis ou outras sanções comerciais decorrentes de acusações de corrupção podem prejudicar ainda mais a liquidez da OEC. Dessa forma, um acordo com as autoridades pode ser visto como um desenvolvimento positivo ao crédito, dependendo das condições específicas do acordo em questão. Porém, atrasos prolongados para finalizar o acordo de leniência continuarão a prejudicar a liquidez da companhia e afetar sua sustentabilidade operacional. Além disso, a Moody's acredita que a OEC não está completamente isolada do fraco perfil de crédito de outras companhias do grupo Odebrecht. As atribulações financeiras enfrentadas por outras subsidiárias do grupo podem afetar negativamente a OEC devido à sua exposição aos contratos com partes relacionadas e à ausência de dispositivos contratuais que limitem distribuição do caixa. Apesar dos desenvolvimentos positivos nos recentes esforços do grupo em concluir complexas renegociações de dívidas e estratégias de monetização de ativos, existem outras negociações importantes pendentes, ao mesmo tempo em que o grupo ainda precisa lidar com elevados vencimentos de dívidas de curto prazo em um período de limitada geração de fluxo de caixa. As notas de crédito poderão ser rebaixadas novamente caso a Moody's perceba um risco mais elevado proveniente dos desdobramentos dos procedimentos legais, tais como evidências de que o acordo de leniência não seja assinado nos próximos dois meses, ou que a companhia esteja sujeita à penalidades monetárias maiores que as previstas, sanções comerciais ou cancelamentos de contratos que levem a uma deterioração do volume de projetos contratados, os quais poderiam resultar em uma alavancagem maior e/ou liquidez menor para cumprir o serviço de dívida. De acordo com a Agência, a confirmação dos ratings pode ocorrer caso haja uma resolução construtiva dos procedimentos legais em andamento, junto com uma melhora na posição de liquidez que seja suficiente para suportar os negócios em meio ao antecipado ambiente de negócios desafiador. Confirmação do rating também poderá ser considerada com evidências de crescimento sustentado do volume de projetos contratados. Odebrecht Engenharia A Odebrecht Engenharia e Construção S.A. (OEC) teve receita líquida de US$17,1 bilhões em 2015. O volume de projetos contratados da companhia, US$28 bilhões, é diversificado em 162 contratos envolvendo projetos de construção de larga escala nos segmentos de transporte, energia, saneamento, construção e plantas industriais, dos quais 21% estão localizados no Brasil, 58% em outros países da América Latina e 20% na África. As receitas líquidas consolidadas do grupo Odebrecht atingiram US$37.1 bilhões (R$124 bilhões) em 2015, das quais 46% foram geradas pela OEC, 38% pela Braskem e 16% por outras subsidiárias. Em dezembro de 2015, a posição de caixa consolidado do grupo era de US$ 6.7 bilhões (R$24.8 bilhões) para uma dívida total reportada de US$28.2 bilhões (R$109.9 bilhões).

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