Modalmais - Resumo da semana: 9 a 13 de setembro

Semana positiva para os mercados de risco em todo o mundo, mas ainda com volatilidade e mudanças de sinais intra e entre sessões.

Opinião do Analista / 14:51 - 16 de set de 2019

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Semana positiva para os mercados de risco em todo o mundo, mas ainda com volatilidade e mudanças de sinais intra e entre sessões. No cenário externo, o conjunto de boas notícias do período anterior seguiu prevalecendo. Notícia em relação a comunicação entre EUA e China e também muitas expectativas sobre atuação dos principais bancos centrais no que tange à flexibilização de políticas monetárias. A nota dissonante seguiu sendo as complicadas notícias sobre o Brexit.

A família Bolsonaro movimentou o quadro político com "sustos" de percurso, mas com boas expectativas para aprovação da reforma da Previdência pelo Senado. No plano econômico, dados melhores, mas mostram fraca recuperação com o espectro da reencarnação da CPMF rondando novamente.

No exterior, notícias melhores sobre as relações entre EUA e China. O presidente Trump, em campanha de reeleição, não foi tão agressivo como em períodos anteriores. Destacamos algumas falas de Trump: 1) Os chineses querem o acordo, pois estão perdendo milhões de empregos; 2) Confirmou encontro de comitiva dos dois países: EUA e China; e 3) Anunciou adiamento de cobrança de tarifa maior (de 25% para 30%) sobre US$ 250 bilhões que vigoraria em 01 de outubro mas foi postergada para 15 de outubro. O noticiário internacional chegou a aventar a possibilidade de um acordo limitado que poderia até remover algumas tarifas.

Porém, Trump voltou a fazer carga sobre o Fed. Disse que o Banco Central Europeu (BCE) tinha agido rápido nas decisões de política monetária, enquanto o Fed permanece parado. Chegou a dizer que os EUA deveriam ter taxa de juros zero ou negativas e que a maior economia do mundo tem que ter os juros mais baixos. Adicionalmente, reclamou da desvalorização do euro frente ao dólar. O presidente americano demitiu o Secretário de Segurança Nacional, John Bolton. Deixou ainda transparecer que pode reduzir sanções contra o Irã, justamente quando a Organização das Nações Unidas confirmou que o país instalou mais centrífugas para beneficiar urânio.

O secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, espera boa evolução nas negociações com os chineses, apesar de não ver efeitos danosos sobre a economia americana de US$ 22 trilhões. Não vê ainda a possibilidade de recessão no horizonte americano. Mnuchin, assim como Trump dizem estudar redução de impostos, particularmente sobre ganhos de capital. Segundo ele, a questão agrícola estará no topo das discussões com a China e Trump e espera que os chineses comprem muito dos produtores locais.

O quadro de distensão diplomática entre os dois países beneficiou os mercados, mas os investidores esperavam para ver a decisão do Banco Central Europeu (BCE) sobre política monetária, seguida de outros bancos centrais. O BCE não se fez de rogado e por unanimidade decidiu cortar ainda mais a taxa de depósito de -0,40% para -0,50%. Manteve a taxa de refinanciamento em zero e indica compras de ativos a partir de novembro de 20 bilhões de euros, pelo prazo que for preciso. Até que a inflação convirja para a meta. Alterou para pior as projeções do PIB (2019 +1,1% e 2020 +1,2%) e inflação de 2019 em 1,2% e 2020 para 1,0%.

Falando do Brexit, o problema complicado passou para segundo plano durante a semana. Foram sucessivas derrotas do primeiro-ministro Boris Johnson: 1) Ministro pedindo para sair; 2) Irmão conflitado saindo também de funções; 3) Derrota para emplacar eleições antecipadas; e 4) Governo obrigado a mostrar planos para a economia com Brexit sem acordo. Porém, Boris Johnson segue acreditando na possibilidade do acordo com a União Europeia até meados de outubro, no limiar da tomada de decisão. Tribunal da Irlanda do Norte rejeitou apreciar questão da fronteira entre as Irlandas, no epicentro dos problemas do Brexit. O tribunal da Escócia declarou "ilegal" a suspensão do Parlamento e determinou a revogação.

Na área econômica, a inflação da China medida pelo CPI (Consumidor) de agosto mostrou taxa anualizada de 2,8% e o PPI (Atacado) em deflação de 0,8%. Os investimentos externos diretos de agosto (IED) com ingresso de US$ 10,5 bilhões e tingindo no ano fluxo positivo de US$ 89,3 bilhões. A base monetária anualizada expandiu 8,2% anualizada e novos empréstimos com crescimento de 1,2 trilhão de iuanes.

O mesmo indicador para a Alemanha mostra deflação de 0,2% em agosto, bem de acordo com as previsões de inflação muito baixa na Zona do Euro. Nos EUA, os estoques no atacado registraram alta de 0,2% e a inflação medida pelo CPI de agosto em alta de 0,1% e taxa anualizada de 1,7%. O núcleo do CPI americano anualizado está em 2,4%. Os pedidos de auxílio desemprego da semana anterior encolheram 15 mil posições para 204 mil pedidos. Fato a considerar são as taxas de juros negativas em títulos privados. A Siemens captou recursos dessa forma para títulos de dois e de cinco anos.

A semana para os mercados se caracteriza por mudanças de sinal em commodities desequilíbrio no câmbio e bolsas em alta. O preço do minério em alta no mercado da China atingiu novamente cotação de quase US$ 100 por tonelada. Ajudou ações ligadas ao segmento siderúrgico e mineração e as ações da Apple voltaram ao valor superior a US$ 1,0 trilhão. No cenário local, ações da vale siderúrgicas ajudaram a manter a Bovespa em alta. O setor de bancos e varejistas mostraram retração (pela chegada da Amazon Prime). Os investidores estrangeiros voltam devagar para a Bovespa. O fluxo de setembro até o dia 10 estava negativo em R$ 1,5 bilhão e o ano negativo em R$ 22,73 bilhões.

No cenário doméstico, os filhos do presidente se envolveram em polêmica. Carlos Bolsonaro disse que "a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade almejada por vias democráticas". O outro filho fez questão de mostrar que anda armado em lugares públicos. Os presidentes das duas casas do Congresso desprezaram a declaração de Carlos Bolsonaro e o presidente em exercício Mourão também, mas de forma mais suave. O presidente Bolsonaro fez cirurgia e retoma as atividades na próxima semana.

No Senado, Alcolumbre, espera votar a reforma da Previdência em primeiro turno em 24 de setembro e a segunda em 10 de outubro. O secretário de Previdência, Rogério Marinho, estimou que depois das alterações do Senado as economias fiscais estariam abaixo dos R$ 900 bilhões em 10 anos. Afirmou ainda que alguma coisa ainda pode ser alterada. O Senado aprovou o Projeto de Lei do setor de Telecom que deve destravar investimentos e facilitar fusões e aquisições.

O que trouxe enorme polêmica foram as declarações de membros da Receita Federal sobre reedição da CPMF, travestida de contribuição sobre pagamentos (CP). Houve divulgação, inclusive, das alíquotas propostas, que culminou com a exoneração do titular da Receita, Marcos Cintra, que deixou Paulo Guedes um pouco fragilizado. Já que também defendeu o tributo. Causou mal-estar no Congresso e segmentos da sociedade organizada.

Na economia, o IBGE anunciou que as vendas no varejo de julho cresceram 1,0% e no ano com +1,2% e o varejo ampliado com +0,7% em julho e +3,8% no ano de 2019. Vieram melhor que o esperado, mas ainda assim com lenta recuperação, pois ainda estamos 5,3% abaixo do pico ocorrido em outubro de 2014. O volume de serviços prestados mostrou expansão de 1,8% e serviços às famílias em queda de 0,5%. A receita bruta nominal expandiu 1,6% em julho. O fluxo cambial até o dia 06 de setembro estava negativo em US$ 1,5 bilhão e no ano positivo em US$ 23,3 bilhões. Ao final da primeira semana de setembro, o saldo comercial acumulado do ano marcava superávit de US$ 33,08 bilhões. A produtividade do trabalho encolheu 1,7% no segundo trimestre na pior marca desde o primeiro trimestre de 2016.

 

Perspectivas - Parece fundamental que o noticiário internacional positivo prossiga para que os mercados de risco continuem com tendência de recuperação. Tudo leva a crer que teremos esse viés na próxima semana, mais com alguma volatilidade e realizações de lucros recentes.

Durante o período, teremos as reuniões do Fed e do Copom sobre política monetária. O que significa ser certo que teremos queda dos juros e possibilidade de flexibilização e/ou discurso mais suave sobre o tema. Da mesma forma, as expectativas são favoráveis para interação entre EUA e China (continuidade das declarações positivas da semana anterior). Havendo ou não reunião de negociadores mas com boa vontade das partes, com tarifas adiadas e compras de produtos agrícolas pelos chineses.

Fica faltando definições sobre o Brexit, o cenário danoso da saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo. Além do encontro de Boris Johnson com Jean Claude Juncker da União Europeia. Porém, com o Parlamento britânico em recesso o noticiário pode ser mais leve sobre o tema.

No Brasil, esperamos evolução já que o governo acertou o discurso sobre a nova CPFM negada (por enquanto) e disse que não haverá aumento da carga. Somente simplificação e racionalização de tributos. Além disso, a reforma da Previdência parece tramitar tranquila no Senado e a Tributária também.

Assim como os mercados estrangeiros, no Brasil há espaço para que em alguns momentos surjam realizações de lucros não tão bem absorvidas. Porém acreditamos que a tendência segue sendo de recuperação. Precisamos ultrapassar patamar próximo de 105 mil pontos para buscar o recorde histórico de pontos em 106.650 do Ibovespa e ficar livre para novas escaladas.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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