Modalmais: resumo da semana - 12 a 16.03

Opinião do Analista / 19 Março 2018

Semana bastante tumultuada para os mercados de risco em todo o mundo. Dois fatores externos sobressaíram entre as preocupações dos investidores. De um lado, rescaldos da decisão do governo americano em sobretaxar importações de produtos de aço e alumínio. De outro, o ataque a soberania britânica, a partir do envenenamento do agente duplo russo. No Brasil, predominou a paralisação da agenda econômica, sinalizando que nada de importante será votado no Congresso até as eleições, e ainda a postura dúbia do governo no que tange à privatização da Eletrobras.

No âmbito externo, nenhum país deseja entrar em guerra comercial com os EUA, mas todos criticaram a imposição americana de sobretaxar. Tivemos ameaças veladas de todas as partes e país se aproximando dos EUA para ver se conseguem ficar isentos de maior taxação. Esse parece ser o caso do Brasil, que assim como outros países, não pretendem recorrer à Organização Mundial do Comércio (pelo menos no momento). Em contrapartida, os EUA se mantiveram na linha de conceder poucas isenções em alguns produtos e o foco segue sendo a China.

Os EUA declararam que querem reduzir o déficit comercial com a China em US$ 100 bilhões. Já tínhamos lembrado que em fevereiro a China teve superávit contra os EUA de US$ 21 bilhões. De qualquer forma, toda essa celeuma ainda promete desdobramentos nos próximos meses. Enquanto isso, o Brasil tenta ultimar acordos do Mercosul com a União Europeia e com a parceria transpacífico, que junto com expansão interna poderiam ser boas "válvulas de escape".

 

Perspectivas - Continuamos a traçar cenário de volatilidade para os mercados de risco no plano internacional, claramente afetando o plano local. Investidores temerosos com a possibilidade de ocorrência de duas guerras: guerra fria e guerra comercial.

Neste momento, é difícil projetar o que pode acontecer a partir das decisões tomadas pelo Reino Unido contra a Rússia, apoiadas por aliados históricos como França, Alemanha e EUA. Para completar, os EUA lançaram mais sanções contra a Rússia, que promete resposta à altura. A outra possível guerra comercial tem desfecho imponderável. A implementação de tarifas elevadas para o aço e alumínio pelos EUA, pode gerar retaliações, denúncias na OMC e travar o comércio transnacional. No final da linha, pode afetar o crescimento econômico global.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe home broker Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado