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Modalmais: fechamento de 10.01 - Mercados com sinais mistos

Preocupação maior é a desaceleração econômica global, com foco principal na China e no endividamento americano.

Opinião do Analista / 11 Janeiro 2019

O dia começou com quedas nas principais Bolsas asiáticas, passou por Europa com sinais mistos e encerrou com fortes alternâncias de sinais nos mercados americano e local. A preocupação maior segue sendo a desaceleração econômica global, com foco principal na China e no endividamento americano. Além disso, incomoda a paralisação de alguns órgãos do governo americano, decorrente do impasse entre democratas e Donald Trump sobre a construção do muro na fronteira com o México.

Trump segue ameaçando com declaração de emergência nacional caso os democratas mantenham a atitude de não conceder verba de US$ 5,7 bilhões, e Nancy Pelosi, líder dos democratas na Câmara, disse que deram exatamente o que o departamento de segurança pediu no orçamento. Propôs ainda fortalecer as portas de entrada na fronteira. Mas Trump segue irredutível.

Em compensação, os discursos de dirigentes regionais do Fed e do próprio presidente do Fed, Jerome Powell, foram bem suaves. Bullard, de Saint Louis, acha a política do Fed de hoje muito dura na avaliação dos mercados e que o Fed deve ser cuidadoso na alta dos juros, apesar da economia forte nos dois últimos anos. Já Powell disse que o Fed tem habilidade para ser paciente e esperar os sinais da economia e que não vê sinais de riscos de recessão no curto prazo. Segundo Powell, a China é a preocupação. Ele não espera forte turbulência decorrente do Brexit e não vê muitas complicações com tarifas para a economia americana e chinesa.

No Reino Unido, Theresa May deve votar mesmo o Brexit em 15/01, com grande chance de ser derrotada. A oposição disse que, se o Parlamento rejeitar o projeto de T. May, teria que haver eleição geral. A ata do BCE (BC europeu) alertou para as tensões comerciais existentes e para a fraqueza de países emergentes.

No mercado, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 0,44%, com o barril cotado a US$ 52,59. O euro era transacionado em queda para US$ 1,150 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 2,72%, em alta. O ouro e a prata com quedas na Comex e commodities agrícolas com viés negativo na Bolsa de Chicago.

Por aqui, dia de agenda praticamente vazia, com a primeira prévia do IGP-M mostrando inflação de 0,03% e acumulando taxa em 12 meses de 6,77%. O CDS Brasil (credit default swap), espécie de seguro de crédito do país, que ontem tinha caído para abaixo de 180 pontos, hoje voltou ao nível.

No mercado, dia de DIs com alta de juros para vencimentos mais líquidos e dólar oscilando muito entre positivo e negativo para fechar com +0,66% e cotado a R$ 3,71. Na Bovespa, na sessão de 8 de janeiro, bom ingresso de recursos no montante de R$ 715,6 bilhões, mas ainda com saldo negativo no ano de R$ 1,2 bilhão.

No mercado acionário, dia de alta da Bolsa de Londres de 0,52%, Paris com -0,16% e Frankfurt com +0,26%. Madri e Milão com altas de respectivamente 0,38% e 0,63%. No mercado americano, faltando cerca de uma hora para encerramento, o Dow Jones tinha +0,26% e Nasdaq com +0,23%. No segmento Bovespa, dia de +0,20% e índice em 93801 pontos, novo recorde histórico de pontos e oitavo pregão de alta nos nove últimos.

Na agenda de amanhã teremos a divulgação da inflação oficial do Brasil pelo IPCA de dezembro e 2018, a inflação americana pelo CPI (consumidor) de dezembro e o resultado fiscal de dezembro.

Boa noite.

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Alvaro Bandeira

Sócio e economista-chefe Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado