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Depois da queda de segunda-feira, Bovespa voltou a operar boa parte do dia novamente na contramão, mas dessa vez no positivo.

Opinião do Analista / 11:00 - 9 de out de 2019

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Depois da queda de segunda, de quase 2%, bem maior que a do mercado americano e da Europa, a Bovespa voltou a operar boa parte do dia novamente na contramão, mas dessa vez no sentido positivo. Mais para o final do dia, não resistiu ao noticiário e voltou a ceder.

No exterior, dois fatos principais dominaram as preocupações dos investidores. De um lado, as relações comerciais entre os EUA e a China, de outro, as negociações do Brexit. No que tange ao encontro que ocorrerá na semana entre os principais negociadores chineses e americanos, Donald Trump disse ontem esperar novidades, mas gostaria de ver acordo amplo, em vez de parcial como o noticiário deu conta. Mas nesta terça a situação mudou um pouco.

Os EUA listaram 28 entidades chinesas por não respeitarem direitos dos muçulmanos e a China quer que os EUA removam essas restrições o mais rápido possível - o ministério do comércio chinês poderá tomar providências para proteger interesses. Os EUA também podem endurecer um pouco mais com notícias externas dizendo que o exército chinês pode interferir nos protestos que ocorrem em Hong Kong. Jerome Powell, do Fed, disse ter chegado a hora de começar a aumentar o balanço de ativos para gerenciar reservas, mas isso não deve ser confundido com compras de ativo. Juros negativos não são vistos como ferramenta de primeira ordem para ser usada. Segundo ele não há razões pela qual a expansão econômica não possa continuar.

Já com relação ao Brexit, estudos indicam que uma saída em acordo com a União Europeia pode elevar custos das empresas em cerca de 15 bilhões de libras por ano. Não foi por outra razão que o governo, na semana passada, separou 16,6 bilhões de libras para fazer face à queda de subsídios da região. Além disso, a primeira-ministra da Alemanha colocou mais lenha, dizendo que acordo do Brexit com as novas propostas de Boris Johnson é altamente improvável.

Ainda nos EUA, a inflação medida pelo PPI (atacado) de setembro mostrou deflação de 0,3%, com núcleo idêntico de projeção de inflação pelo núcleo de 0,2%. O FMI diagnosticou que os juros seguem baixos onde há inflação fraca e o crescimento perde tração. Segundo o FMI, 90% do PIB global deve desacelerar em 2019 e também nas projeções para 2020. Identificam que isso é maior em emergentes, citando textualmente Índia e Brasil.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de 0,70%, com o barril cotado a 52,38. O euro era transacionado em leve queda para US$ 1,095 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,539%. O ouro praticamente estável e a prata com boa alta na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago. O minério de ferro na volta do feriado prolongado na China mostrou alta de 1,49%, com a tonelada cotada a US$ 94,77.

Aqui, no ambiente político, o presidente da Câmara fez críticas ao monopólio de gestão do FGTS pela Caixa Econômica, posição contrária à de Bolsonaro e Paulo Guedes. Já o presidente, naqueles encontros na saída do palácio, transpareceu sua insatisfação com o PSL e abriu flanco para Maia sugerir que não gostaria do presidente no DEM. Muitas discussões também sobre a partilha de recursos da cessão onerosa entre Estados e municípios, ficando forte a posição de 15% para cada um. O governador Dória disse que as discussões dos governadores não foram conclusivas. Baleia Rossi, presidente do MDB, também aguarda o encaminhamento do governo sobre reforma tributária para avançar com o projeto e conversou com Bolsonaro uma solução para votarem cessão onerosa.

Na economia, a FGV anunciou o IGP-DI de setembro com alta de 0,50% (anterior em -0,51%), com a inflação do ano em 4,39% e em 12 meses de 3,00%. O IBGE anotou que a produção industrial de São Paulo cresceu 2,6% e em agosto houve alta em 11 de 15 locais pesquisados.

No mercado, dia de queda de juros nos DIs de maior liquidez e dólar encerrando com queda de 0,31% e cotado a R$ 4,09. Na Bovespa, na sessão de 4 de outubro, a saída de estrangeiros foi fraca com R$ 8,0 milhões, deixando o saldo negativo de outubro negativo em R$ 4,4 bilhões e o ano muito negativo em R$ 25,2 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda nas Bolsas europeias, com Londres perdendo 0,76%, Paris com -1,18% e Frankfurt com -1,05%. Madri e Milão com perdas de respectivamente 1,05% e 1,14%. No mercado americano, dia de queda de 1,20 para o Dow Jones e o Nasdaq com -1,67%. Na Bovespa, muita flutuação e no encerramento queda de 0,59% e índice em 99.981 pontos.

Na agenda desta quarta, teremos a inflação oficial pelo IPCA de setembro com previsão de ficar próxima de zero, o IPC da primeira quadrissemana de outubro e fluxo cambial da semana anterior. Nos EUA, a ata da última reunião do Fomc do Fed e coletiva de Jerome Powell e estoques de petróleo e derivados na semana passada.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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