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Modalmais - Fechamento 7.06: resumo da semana - 3 a 7.06

Semana trouxe recuperação dos mercados de risco no exterior e postura mais comedida no local.

Opinião do Analista / 09:03 - 10 de Jun de 2019

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A semana trouxe a recuperação dos mercados de risco no exterior e postura mais comedida no segmento local. Ressaltamos, no entanto, que saímos na frente na semana anterior com valorização de 3,6%, enquanto no exterior tivemos queda de semelhante dimensão nos mercados da Europa e EUA. O período não foi tão positivo no âmbito político, enquanto no exterior. Apesar das incertezas, prevaleceu a leitura de que bancos centrais podem voltar a agir na flexibilização da política monetária e redução da taxa básica de juros.

No exterior, a semana foi dominada pela perspectiva de redução de taxas de juros, começando pelo Fed e já na próxima reunião. Passando por flexibilização por parte do BCE (BC europeu). No meio do caminho os Bancos Centrais da Austrália e da Índia anteciparam e reduziram juros em 0,25%. O BCE manteve a política monetária estabilizada e com juros de depósitos negativo em 0,4%. Mas em coletiva de Mario Draghi (presidente do BCE) os membros discutiram redução de juros. Draghi disse que fará o necessário e flexibilizou na operação de títulos TLTRO 3. Além disso, Draghi diz que vão manter política estável até o primeiro semestre de 2020 e vão reinvestir integralmente os recursos bem depois da primeira alta de juros.

Com relação ao Fed, tivemos declarações desencontradas de dirigentes, mas a tendência é mesmo para reduzir juros. Os dirigentes que optaram por prudência alegam incertezas principalmente no comércio, mas admitem que a inflação está baixa e o mercado de trabalho e preços não estão pressionando. Citamos a posição de Charles Evans (Fed e Chicago) dizendo que “o momento é difícil para perspectivas de longo prazo diante das incertezas”. Porém, se os dados de conjuntura seguirem fracos, a redução dos juros parece ser o caminho.

A fraqueza da economia global pode ser expressa por não redução de projeções de crescimento de PIB revista pelo FMI e pelo Banco Mundial. Aí as incertezas com protecionismo comercial e negociações emperradas entre os EUA e México crescem de importância. Os indicadores de atividade (PMI) anunciados para o mês de maio mostram desaceleração da atividade industrial e de serviços para diferentes países, e alguns como Japão e Alemanha até com contração. Algum alívio de alta nos indicadores de serviços com performance melhores.

 

Nos EUA, o presidente esteve em visita a Inglaterra, deu declarações polêmicas contra o governador de Londres, mas não cometeu gafes com a rainha. Porém, apoiou o Brexit mais radical (saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo), dizendo que quando a situação estiver definida que poderá fazer acordos justos com a região. Trump disse ainda que encontrará o presidente da China, Xi Jinping, na reunião do G-20 e pretende conseguir acordo. Ao mesmo tempo em que diz isso indica que pode estender tarifação por mais US$ 300 bilhões. Com o México, a situação ainda permanece sem definição e se não houver acordo, a tarifação de 5% entrará em vigor em 10 de junho, crescendo 5% a cada mês.

Sobre o Irã, Trump declarou que o país não pode ter desenvolvimento nuclear e o mundo tem obrigações sobre o fato. Ponto internacional negativo ficou mesmo por conta da Itália, onde o primeiro ministro Giuseppe Conte prometeu renunciar se a coalizão que governa não se posicionar claramente. Ao mesmo tempo, mesmo com a Itália justificando estouro no endividamento acordado, ainda assim poderá ser punida com pagamento de multa.

Na economia, citamos alguns indicadores divulgados durante o período. A balança comercial americana mostrou déficit em abril com queda para US$ 50,8 bilhões, mas o déficit contra a China aumentou para US$ 29,4 bilhões. A produtividade da mão de obra anualizada ficou em 3,4% no primeiro trimestre e o payroll de maio mais fraco com a criação de 75 mil posições, quando o esperado era 1.800 mil. Na sequência, força o Fed na direção de reduzir juros caso o indicador de junho venha novamente fraco.

Mas no mundo é o país que vem mostrando o melhor desempenho na economia. Tanto é verdade que o FMI elevou a projeção de PIB de 2019 para 2,6%, de anterior em 2,3%. A Apple andou sofrendo quedas (e recuperou) pela possibilidade de o governo abrir processo antitruste, e as pressões sobre a gigante de tecnologia Huawei prosseguiram, com reflexos sobre redução de compras de componentes da cadeia de fornecedores.

O PIB da África do Sul encolheu anualizado em 3,2 no primeiro trimestre, a inflação na Zona do Euro pelo CPI (Consumidor) de maio anualizado foi de 1,2%, taxa de desemprego em queda para 7,6% em abril, a menor desde 2008. Além de vendas no varejo em queda de 0,4%, maior que a prevista de -0,2%. Na Alemanha, as encomendas à indústria cresceram mais que o previsto em 0,3% para o mês de abril.

Por conta disso, durante toda a semana os mercados de risco demonstraram grande volatilidade, com câmbio, juros e bolsas oscilando bastante. Destacamos o petróleo com dias de oscilações fortes, absorvendo inclusive incertezas com relação à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e ainda com ampliação de estoques na semana anterior nos EUA.

No cenário local, o lado político seguiu dominando. Em que pese o Congresso ter discutido e votado matérias de interesse do governo, ainda assim houve derrotas, com lideranças reclamando do baixo empenho do Executivo em forçar acordos. O orçamento impositivo vai determinar liberação de recursos para emendas parlamentares e é um problema maior. Na razão direta que a verba suplementar pedida na Comissão Mista do Orçamento (CMO) não foi concedida e podendo travar o governo. O Projeto de Lei do saneamento demorou mais acabou sendo aprovado no Senado com algumas flexibilizações em relação ao projeto original.

O STF demora em definir sobre se o programa de desestatização precisará de aval do Congresso seguindo interpretação anterior que acabou bloqueando a venda da TAG pela Petrobras. O relator da reforma da Previdência disse que vai disponibilizar relatório até o início da semana, mas quer adiar para discutir com lideranças a inclusão de Estados e Municípios na reforma. Apesar disso, ainda assim a semana foi positiva, mesmo considerando os embates de Paulo Guedes com parlamentares da oposição. Guedes junto com Rodrigo Maia, são os maiores propagandistas da reforma da Previdência e, na sequência, da reforma tributária.

Na economia, os dados mostrados durante o período vieram como esperados fracos e perdendo cada vez mais tração. Na pesquisa Focus semanal do BC, o PIB previsto encolheu para 1,13%, e em 2020 foi mantido em 2,50%. O IBGE mostrou a produção industrial em expansão de 0,3% em abril, mas no ano com contração de 2,7%. A indústria extrativa, por conta de Brumadinho, mostra contração no ano de 25,7%, mas mesmo expurgando esse efeito, ainda assim teríamos queda. Foi uma decepção. O saldo da balança comercial de maio foi de US$ 6,4 bilhões, acumulando no ano superávit de 22,8 bilhões. O PMI do Brasil de serviços em maio caiu para 47,8 pontos, de anterior já mostrando contração da atividade em 49,9 pontos. A inflação oficial de maio mostrou desaceleração para 0,13% (anterior em 0,57%) acumulando no ano 2,22% e em 12 meses com 4,66%. A expectativa passa a ser de deflação no mês.

No mercado acionário, até o dia 4 de junho, os investidores estrangeiros tinham retirado recursos no montante de 1,5 bilhão, com saídas líquidas em 2019 de R$ 5,15 bilhões. No cenário local, volatilidade dos ativos, com Vale penalizada pelos problemas na barragem de Barão de Cocais. Petrobras por conta da queda do petróleo, redução de preço de combustíveis e julgamento prolongado no Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Perspectivas - A próxima semana vai começar com o noticiário internacional proveniente da reunião do G-20, onde o foco principal estará certamente nas incertezas globais, principalmente nas negociações comerciais entre EUA e China. E ainda mais focada na propriedade intelectual. Nossa percepção é que no próximo encontro de Trump com o presidente Xi Jinping haverá chance de amenizar esse quadro.

Sem guerra comercial e protecionismo é possível intuir que crescem as chances de cenário bem mais favorável para flexibilização monetária por parte principalmente do BCE e do Fed, dando mais fôlego (e tempo) para que países endividados se equacionem, diante de um quadro de taxas de juros ainda baixas e cadentes.

No Brasil, devagar, a situação vai sendo moldada para aprovação da reforma da Previdência. Além de liberação de verba suplementar para o governo não ficar travado e sem recursos para programas. Existem muitas medidas ainda por serem discutidas, mas pensamos que o encaminhamento delas agora está melhor, vide liberdade para estatais venderem subsidiárias. Se o presidente Bolsonaro não tem uma agenda positiva, a equipe econômica de Paulo Guedes certamente tem, e os investidores devem reagir favoravelmente a isso.

Portanto, acreditamos em desenvolvimento dos mercados de risco, e nesse ambiente a Bovespa, passando o patamar de 98 mil pontos terá condição de buscar novamente a faixa recorde de 100 mil pontos para buscar recordes.         

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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