Modalmais - Fechamento 4.02: investidores otimistas e Bovespa recorde

Dia foi bastante favorável para os mercados de risco em quase todo o mundo, exceção para a madrugada dos mercados na Ásia.

Opinião do Analista / 12:19 - 5 de dez de 2019

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O dia foi bastante favorável para os mercados de risco em praticamente todo o mundo, exceção para a madrugada dos mercados na Ásia, quando os investidores ainda não tinham melhores informações sobre o mandamento do acordo bilateral entre os EUA e a China. Durante a madrugada o noticiário internacional seguiu afirmando que as negociações estavam bem positivas. Esse quadro acabou sendo confirmado no encontro entre Trump e Angela Merkel, da Alemanha, quando Trump confirmou exatamente isso.

O início do dia ainda foi de certa indecisão por conta de declarações do secretário de comércio americano Wilbur Ross dizendo que um bom acordo era melhor que estabelecer um prazo curto, e ainda falava não descartar tarifas para carros importados, pelos EUA, em clara menção sobre a Alemanha e União Europeia.

Também tivemos dados positivos coletados de indicadores PMI de serviço para diferentes países em novembro, principalmente, o caixin composto (serviço e indústria) da China subindo para 53,2 pontos, no maior patamar em 21 meses. Nos EUA, o índice ISM de serviços mostrou queda para 53,9 pontos, quando a previsão era de ficar em 54,5 pontos. Ainda assim, lembramos que acima de 50 pontos é indicação de expansão da atividade.

Ainda nos EUA tivemos a divulgação da pesquisa ADP sobre criação de vagas no setor privado em novembro, que antecede a divulgação do payroll que sai na sexta-feira, assim com a criação de vagas no setor público e privado. A pesquisa ADP mostrou criação de vagas de 67 mil, quando a previsão era de 150 mil, mas as expectativas indicam que o payroll deve vir próximo de 120 mil vagas criadas, bom para o momento de quase pleno emprego americano. O secretário do Tesouro americano Mnuchin, disse que os EUA têm sérias preocupações e impostos corporativos no mundo.

Outro fator que mexeu bastante com os mercados foi a divulgação pelo Departamento de Energia dos EUA, mostrando encolhimento dos estoques de petróleo na semana anterior de 4,85 milhões de barris, quando o previsto era -1,5 milhão. Isso mexeu com os preços do óleo no mercado internacional. No mercado, o preço do óleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 4,26%, com o barril cotado a US$ 58,49 (ajudou na alta de Petrobras). O euro era transacionado em leve queda para US$ 1,107 e notes americanos com taxa de juros de 1,779%. Nesse contexto mais positivo, o ouro e a prata operavam com quedas na Comex e commodities agrícolas com comportamento majoritariamente positivo na Bolsa de Chicago. O minério de ferro também teve dia de alta na China de 0,85%, com a tonelada em US$ 89,06.

No segmento doméstico, a senadora Simone Tebet presidente da CCJ contrariou o presidente do Senado Alcolumbre e pautou a prisão após julgamento em segunda instância para a próxima semana. O governo também quer acelerar a pauta nesse final de ano, o que seria positivo para os mercados.

Na economia, o IBGE divulgou que a produção industrial de outubro expandiu 0,8%, contra igual período de 2018 com +1,0%, mas mostrando ainda contração no ano de 1.1%. Porém, foi o terceiro mês seguido de expansão, com alta nesse período de 2,4%. Destaque positivo para o crescimento de bens de consumo com alta de 1,0% (contra outubro de 2018 +4,1%) e destaque negativo para bens de capital com contração em outubro de 0,3% e contra igual período de 2018 -2,9%. Alimentos e químicos tiveram boas expansões e na ponta inversa, petróleo, metalurgia e indústria extrativa.

Tivemos ainda a divulgação do índice de atividade composto PMI de novembro permanecendo estável em 51,8 pontos. No mercado, dia de DIs operando em queda para vencimentos mais líquidos e dólar com queda de 0,08% e cotado a R$ 4,202. Na Bovespa, na última sessão de novembro, os investidores estrangeiros voltaram a sacar recursos no montante de R$ 577,1 milhões, com novembro fechando com saídas líquidas de R$ 8,75 bilhões. No ano, foram sacados recursos no montante de R$ 39,25 bilhões.

No mercado acionário, a Bolsa de Londres terminou em alta de 0,42%, Paris com +1,27% e Frankfurt com +1,16%. Madri e Milão com altas de respectivamente 1,48% e 1,31%. No mercado americano, o Dow Jones fechou com alta de 0,54% e Nasdaq com igual alta de 0,54%. Na Bovespa, dia de boa alta de 1,23% e índice em 110.300 pontos, estabelecendo, como prevíamos, novo recorde na máxima do dia.

Na agenda desta quinta, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulga as vendas de veículos em novembro. Nos EUA, teremos os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior, o saldo da balança comercial de outubro e as encomendas à indústria de outubro.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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