Modalmais - Fechamento 24.10: mercado local realiza lucros

Quinta-feira foi dia de realização de lucros recentes na Bovespa, com sequência de três dias de altas, chegando quase 108 mil pontos.

Opinião do Analista / 10:50 - 25 de out de 2019

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Esta quinta foi dia de realização de lucros recentes na Bovespa, com sequência de três dias de altas, sucessivos recordes batidos e chegando quase 108 mil pontos. Os mercados no exterior trabalharam melhor (principalmente os mercados da Europa), por conta de notícias relacionadas ao Brexit e decisão do Banco Central Europeu (BCE).

Os mercados da Europa não deram muita ênfase aos indicadores PMI de outubro, divulgados cedo para diferentes países, que mostraram contração da atividade industrial e de serviços como regra mais geral. Logo em seguida, o BCE anunciou sua decisão de manter a política monetária estabilizada na última reunião presidida por Mario Draghi. Isso significa taxa de depósito negativa em 0,50%, taxa de refinanciamento zero e a compra de ativos de 20 bilhões de euros por mês a partir de novembro. Isso deve durar até que a inflação esteja na direção da meta. Christine Lagarde, a próxima presidente do BCE, participou da reunião.

Na coletiva de imprensa de Mario Draghi, ficou clara a preocupação em relação à desaceleração da economia na região. Draghi sugeriu que países com folga fiscal precisam agir, falou sobre protecionismo e fatores geopolíticos e justificou a postura fiscal suavemente expansionista pelo prazo que for necessário. Já sobre o Brexit, o primeiro-ministro Boris Johnson quer que o parlamento acate seu pedido de eleição antecipada para 12/12. Boris Johnson disse que pediu a contragosto extensão do prazo do Brexit e aguarda a decisão da União Europeia.

Nos EUA, as encomendas de bens duráveis de setembro encolheram 1,1% (de previsão de -0,8%) e as vendas de casa novas tiveram queda de 0,7%. Já o índice de atividade composto de Kansas em outubro caiu para -3,0 pontos (anterior em -2,0 pontos) e o indicador PMI composto subiu para 51,2 pontos, com o industrial em alta para 51,5 (anterior em 50,7 pontos). Os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior encolheram 6 mil posições para 212 mil pedidos.

O presidente Donald Trump voltou a reclamar da postura do Fed em não reduzir juros, o que faz reduzir o poder da economia seguir expandindo. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 0,41% (invertendo queda do início da manhã), com o barril cotado a US$ 56,20. O euro era transacionado em queda de 0,21% para US$ 1,111 e notes americanos de 100 anos com taxa de juros de 1,76%, praticamente estável. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com viés mais para positivo na Bolsa de Chicago.

No segmento doméstico, o BC divulgou o déficit em conta-corrente do mês de setembro em US$ 3,5 bilhões, acumulando no ano déficit de US$ 34,0 bilhões. Foi o pior mês de setembro desde 2014. Os investimentos diretos no país (IDP) de setembro foram de US$ 6,3 bilhões e acumulados no ano com total de US$ 47,5 bilhões. A expansão fica muito por conta do setor de óleo e gás, que deve ajudar ainda mais com a movimentação da cessão onerosa. Os investimentos em ações encolheram em setembro US$ 651 milhões fundos com - US$ 829 milhões e renda fixa com - US$ 3,43 bilhões. A dívida externa bruta está em US$ 327,4 bilhões, mas a que preocupa é a dívida interna se aproximando de R$ 4,0 trilhões.

O secretário do Tesouro Mansueto de Almeida disse que mesmo com a reforma da Previdência os dispêndios de 2020 crescerão R$ 50 bilhões e que o governo seguirá sem recursos para investimentos. No STF, o placar estava em 3x2 para manter a possibilidade de prisão em segunda instância, mas Rosa Weber, que era um voto crucial, votou contrariamente. Agora, vota o ministro Luiz Fux e a situação fica complicada para manter o status quo.

No mercado, dia de DIs com comportamento de alta para os vencimentos mais longos e dólar operando até abaixo dos R$ 4, para fechar em alta de 0,29% e cotado a R$ 4,04 (veio abaixo de R$ 4). Na Bovespa, sessão de 22 de outubro com os investidores estrangeiros alocando recursos de R$ 539,6 milhões, deixando o saldo negativo de outubro em R$ 10,6 bilhões e o ano de 2019 com saídas líquidas de R$ 31,4 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta de 0,91% para a Bolsa de Londres, Paris com +0,55% e Frankfurt com +0,58%. Madri e Milão com altas de respectivamente 0,20% e 0,79%. No mercado americano, o Dow Jones com -0,11% e Nasdaq com +0,81%. Na Bovespa, dia de queda de 0,52% e índice novamente em 106.986 pontos. Destaque negativo para Petrobras, em dia de divulgação de resultados, com queda de 2,18%.

Na agenda desta sexta, teremos o IPC da Fipe da terceira quadrissemana de outubro, confiança do comércio de outubro pela FGV e o BC também anuncia a nota de política monetária de setembro. Nos EUA, sairá a confiança do consumidor de Michigan de outubro.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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