Modalmais - Fechamento 21.10: mercados em alta

Segunda foi um daqueles dias em que praticamente todos os mercados acionários tiveram valorização.

Opinião do Analista / 11:04 - 22 de out de 2019

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Esta segunda foi um daqueles dias em que praticamente todos os mercados acionários tiveram valorização. Começou assim na Ásia, passou pelo encerramento da Europa e concluiu no mercado americano - e também na Bovespa. Mas não foram altas expressivas - o que, na nossa visão, acaba sendo positivo, pois serve para fixar melhor a tendência.

O cenário mais positivo contempla um pouco de apostas, já que a semana é bastante complicada em termos de eventos. Na Europa, temos o Brexit, que Boris Johnson talvez coloque o acordo engendrado com a União Europeia em votação amanhã, já que hoje foi impedido pelo presidente do Parlamento britânico de colocar na sessão. A semana embute também a reunião do Banco Central Europeu (BCE) e alguns desencontros entre os membros sobre flexibilização monetária.

Nos EUA, os negociadores continuam trabalhando pelo cronograma. Na próxima semana teremos outra rodada dos negociadores principais. Talvez aí sejam respondidas algumas dúvidas existentes acerca da aplicação de tarifas sobre produtos importados da China e também comprometimento mais firme dos chineses. Mas aí ficamos um pouco nas mãos do presidente Trump e seu projeto de reeleição em 2020, além do fato que uma primeira fase do acordo só deve ser assinada por ocasião do encontro de Trump com Xi Jinping na reunião da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).

Aqui, a grande aposta é que as complicações no PSL não corroam a pauta de votação do Congresso, onde o segundo turno da reforma da Previdência deve estar concluído no máximo até quarta-feira. Por aqui, também tivemos o vencimento do mercado de opções para o prazo de outubro, com volume de exercício de R$ 6,0 bilhões. Depois de encerrado o exercício, o mercado local ganhou mais força, mesmo considerando o petróleo em queda no exterior e queda do minério de ferro na China.

Nos EUA, o secretário Larry Kudlow disse que o aumento de tarifa de dezembro sobre a China pode ser suspenso. Já o presidente do BC japonês (BoJ), Kuroda, disse que o crescimento sustentável dos países emergentes é fundamental para a economia global. Citamos ainda a possibilidade de acordo firmado entre Kuwait e Arábia Saudita para explorar petróleo em zona neutra, sendo esse o principal motivo do petróleo em queda no mercado internacional.

No Chile, os protestos seguiram violentos, com muitas depredações, mesmo com o governo recuando na aplicação de tarifas aos transportes. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de 0,82%, com o barril cotado a US$ 53,34. O euro era transacionado em US$ 1,115 (queda leve) e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,79%, em boa alta. O ouro e a prata tinham quedas na Comex, mostrando maior apetite para risco e commodities agrícolas majoritariamente em quedas na Bolsa de Chicago.

Aqui, liderança do governo na Câmara apresentou nova lista pró-Eduardo Bolsonaro, que foi aceito pela mesa diretora da Câmara. Com isso, fica mais difícil Eduardo ser embaixador do Brasil em Washington.

Na economia, tivemos a nova pesquisa semanal Focus do BC, com a inflação oficial (IPCA) caindo para 3,26% (anterior em 3,28%) e queda também em 2020 para 3,66% (anterior em 3,73%). A Selic também caiu na visão de 2019 para 4,50% e o PIB estimado do ano subiu para 0,88%. O dólar de final de ano foi fixado em R$ 4 e a produção industrial estável em 0,65%. O saldo comercial de 2019 foi estimado em queda para US$ 48,8 bilhões, de anterior em US$ 50,43 bilhões. O BC também anunciou que na terceira semana de outubro houve déficit na balança comercial, assim o superávit de outubro está em somente US$ 507,4 milhões e no ano em US$ 34,12 bilhões.

No mercado, dia de DIs em leve queda de juros (quase estável) para os principais vencimentos, o dólar marcando alta de 0,29% e cotado a R$ 4,13. Na Bovespa, na sessão de 17/10 houve ingresso de somente R$ 963 mil, deixando o saldo de outubro negativo em R$ 10,6 bilhões e no ano com saídas líquidas de R$ 30,47 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta na Bolsa de Londres de 0,18%, Paris com +0,21% e Frankfurt com +0,91%. Madri e Milão com altas de respectivamente 0,78% e 0,70%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,21% e Nasdaq com +0,91%. Na Bovespa, alta de 1,23% e índice novamente em 106.022 pontos. Destaque para as ações da Vale que divulga balanço na semana.

Na agenda desta terça, teremos a confiança da indústria de outubro, o IPCA-15 de outubro e a confiança da indústria pela CNI. Nos EUA, as vendas de imóveis usados de setembro.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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