Modalmais - Fechamento 18.10: resumo da semana de 14 a 18.10

Dois fatos se destacaram: discussões entre EUA e China sobre comércio bilateral e negociações sobre o Brexit.

Opinião do Analista / 10:20 - 21 de out de 2019

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Na semana que se encerrou na sexta-feira, fizemos breve sumário dos principais fatos ocorridos durante o período no exterior e no segmento doméstico, na economia e na política.

No exterior, dois principais fatos se destacaram dos demais: as discussões entre os EUA e a China sobre comércio bilateral e também as negociações sobre o Brexit e saída do Reino Unido da União Europeia. No que tange ao acordo entre EUA e China, a situação se manteve tranquila, apesar de existirem muitas dúvidas e as manifestações em Hong Kong entrando novamente para desequilibrar, já que a Câmara americana aprovou o projeto de lei dando força para os manifestantes. A China se manifestou dizendo que isso poderia danificar as relações bilaterais.

Apesar disso, Trump disse que a China vem comprando mais produtos agrícolas dos americanos, e a China disse que vai flexibilizar a participação de estrangeiros no segmento financeiro e de seguros. Também lembramos que a gigante de tecnologia Huawei, ficou fora dessa primeira fase do acordo, com Trump concedendo licença especial para empresas americanas negociarem. De qualquer forma, um acordo só deve ser assinado quando Trump encontrar Xi Jinping na reunião da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).

Já para o Brexit tivemos boas notícias, o primeiro-ministro Boris Johnson conseguiu fechar um acordo com a União Europeia no apagar das luzes, sendo aprovado pelos 27 países-membros da União Europeia, mas deve encontrar problemas com o Parlamento britânico, onde o DUP (Unionista da Irlanda do Norte) já declarou que votará contra. A situação da fronteira entre as duas Irlandas nesta nova proposta exclui tarifação aduaneira, e um Brexit com algum acordo parece evitar o caos na Europa. De qualquer forma, a notícia conseguiu acalmar os investidores no mundo e produziu alguns efeitos nos mercados, principalmente no câmbio, com o dólar perdendo força.

Na diplomacia, sanções americanas contra a Turquia e Câmara americana aprovando resolução condenando a retirada de tropas da Síria e Trump ofendendo a presidente da Câmara, Nancy Pelosi. Durante a semana houve muitas declarações de dirigentes do Fed sobre política econômica, quase todos ressaltando que o Fed atuou na medida correta em reduzir os juros e que novas quedas dependem do comportamento da economia. Porém, os analistas reforçaram a aposta de queda de 0,25% na reunião do Fomc que ocorre no próximo dia 30.

Em termos de indicadores, a inflação seguiu fraca em diferentes países em setembro, e podemos citar a China, Reino Unido e, principalmente na Zona do Euro, onde ocorrem disputas entre os membros sobre flexibilizar mais a política monetária. A Alemanha, é voto importante e contrário a fazer mais nesse momento. Indicadores de conjuntura também fracos em vários países, com a produção industrial americana encolhendo 0,4% em setembro, indicadores de atividade industrial com comportamento distinto (Nova Iorque em alta para 4,0 pontos e Filadélfia em queda para 5,6 pontos), vendas no varejo de setembro com queda de 0,3%.

Na Zona do Euro, a produção industrial cresceu 0,4% em agosto e a na China superávit comercial de US$ 39,6 bilhões com importações dos EUA em queda de 20% e exportações encolhendo 17,8%. O FMI, também revisou suas previsões de crescimento global, no geral para pior, caindo em 2019 para 3,0% com emergentes encolhendo para 3,9%. Destacamos também a safra de resultados do terceiro trimestre de 2019 que começou a ser divulgada nos EUA, no geral com boa recepção pelos investidores.

No cenário doméstico, alguns temas sensíveis como a marcação de votação da reforma da Previdência em segundo turno no Senado para 22/10, a aprovação do projeto de cessão onerosa com divisão entre Estados e Municípios, muitas discussões sobre os próximos passos na reforma Tributária e administrativa, dessa vez não exatamente provocadas por Bolsonaro e envolvendo parlamentares do PSL com tentativa de derrubar o líder na Câmara e a substituição da líder no Congresso, Joice Hasselmann por Eduardo Gomes do MDB do Tocantins. A polícia Federal fez incursões em endereços do presidente do PSL Luciano Bivar, para coleta de documentos. Durante o período, o STF também voltou a discutir e julgar a prisão em segunda instância que tem mobilizado bastante a sociedade e o próprio presidente Bolsonaro.

Na economia, tivemos a divulgação do IBC-Br pelo Banco Central, uma prévia do PIB de agosto, com expansão de 0,07% (praticamente estável) e alta no ano de 0,66%. O secretário Mansueto de Almeida, alertou sobre o endividamento brasileiro chegando a 80% do PIB, quando em países de renda média não passa de 50% do PIB. Mansueto, acredita ser possível fazer a reforma administrativa reduzindo gastos com pessoal. Não vê unidade para a reforma tributária sair rápida.

Em termos de inflação, a segunda prévia do IGP-M de outubro mostrou repique para +0,85% (anterior em -0,28%), acumulando alta em 2019 de 4,98% e em 12 meses com +3,33%. Matérias-primas brutas com expansão de 2,34. O mesmo aconteceu com o IGP-10 de outubro, com alta de 0,77%, e inflação em 2019 de 4,42%.

 

Perspectivas - Acreditamos que o cenário internacional segue melhorando, muito embora ainda existam sérias dúvidas com relação ao acordo entre os EUA e a China e nas retaliações comerciais que vão começar também contra a União Europeia sobre o Brexit, muito mais pelo lado do parlamento britânico. Apesar disso, na reunião de cúpula da União Europeia, o presidente Macron da França, expressou posição que não devem conceder nenhum adiamento para o Brexit, acreditando ser hora de pôr fim nas atuais negociações e discutir o futuro.

Portanto, o quadro ainda permite projetar grande volatilidade nos mercados de risco, mas com viés mais positivo que em semanas anteriores.

Aqui, o quadro também parece melhor, desde que os problemas gerados dentro do PSL não acabem por contaminar as votações no Congresso. Mas vai ser preciso colocar "panos quentes" nas disputas, que no fundo é em função da verba enorme que o partido dispõe, visando às próximas eleições. É preciso perseguir a votação da reforma da Previdência e logo em seguida colocar no curso a reforma administrativa e também a tributária, essa última ainda mais complicada.

Pela análise técnica, diríamos que não seria positivo voltarmos ao patamar próximo de 104 mil pontos e ao mesmo tempo em que algo acima de 106 mil pontos sinalizaria situação melhor. Mas repetimos que, vamos ter ainda muita volatilidade na fixação de preços dos ativos. Também vamos ter que avaliar a posturas dos investidores estrangeiros que nos últimos tempos retiram recursos do mercado secundário da Bovespa, deixando de pressionar a demanda por títulos. Até a sessão de 16 de outubro, os estrangeiros já tinham sacado em outubro R$ 10,7 bilhões, acumulando saídas líquidas em 2019 de R$ 31,5 bilhões.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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