Modalmais - Fechamento 17.10: mantendo a alta

Bovespa conseguiu manter o sexto pregão seguido de alta, de acordo com o que havíamos previsto no fim da semana passada.

Opinião do Analista / 10:52 - 17 de out de 2019

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Meio que aos trancos e barrancos, a Bovespa está conseguindo manter o sexto pregão seguido de alta, bem de acordo com o que prevíamos no final da semana passada. O quadro externo ficou mais suave a partir do melhor entendimento entre os EUA e China, e para o Brexit tivemos uma luz no final do túnel sobre a possibilidade de um acordo. Nesse caso, o problema maior se refere ao curto espaço de tempo até a data limite do Brexit em 31 de outubro, já que a última reunião de cúpula da União Europeia antes dessa data acontece amanhã. Mas isso, não seria um fator exatamente impositivo.

Ainda sobre a relação bilateral entre EUA e China, pairam algumas dúvidas e tivemos mais um imbróglio com a aprovação pela Câmara americana de lei apoiando manifestantes de Hong Kong depois da China se pronunciar que as relações bilaterais poderiam ser danificadas por essa ação. Aqui, com a aprovação do texto e divisão dos recursos da sessão onerosa, ficou mais fácil a aprovação da reforma da Previdência em segundo turno no Senado, com o presidente Alcolumbre garantindo a votação em 22 de outubro.

No cenário externo, o dirigente da União Europeia Barnier, disse que as negociações continuam, mas que existem alguns obstáculos a serem transpostos. Já Trump, avisou que a primeira fase do acordo com a China não deve ser assinada antes do encontro com o presidente Xi Jinping, por ocasião da reunião da Apec, mas disse que os Chineses estão comprando mais produtos agrícolas nas últimas três semanas. A China também vai reduzir restrições de estrangeiros atuarem nos setores bancário e seguros.

Nos EUA, as vendas no varejo de setembro encolheram 0,3% (previsão era +0,2%) frustrando expectativas de que o consumo garantiria a expansão da economia. Queda pontual ou não, o certo é que isso permite quase unanimidade da previsão de redução da taxa de juros americana pelo Fed na reunião do Fomc de 30 de outubro. Ainda por lá, dados do Livro Bege, uma síntese da economia, indicam aumento modesto dos preços gastos das famílias sólidas atividade manufatureira desacelerando e varejistas e indústria identificando aumentos de custos por tarifas, mas até aqui sendo repassadas, também houve aumentos de salários modestos.

O FMI também fez algumas advertências, os US$ 15 trilhões em títulos com rendimento negativo houve distensão de preços dos ativos, sendo recomendado "medidas urgentes" para sanar riscos que possam exacerbar a próxima crise.

Segundo ele, em um cenário adverso a dívida em risco pode subir para US$ 19 trilhões. Mas também entende que estamos em melhor posição de regulação financeira que em 10 anos. Acrescentou que é hora de países com folga fiscal apoiarem a demanda. Por aqui, disse que o teto de gastos e reforma da Previdência melhoram os dados fiscais.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 1,02%, com o barril cotado a US$ 53,35. O euro era transacionado em alta para US$ 1,108 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,745%. O ouro e a prata com altas nas negociações da Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

Aqui, o senador Tasso Jereissati disse que não haverá mudanças na reforma da Previdência no segundo turno, tirando parte da preocupação dos investidores locais. Na economia, o Bacen anunciou fluxo cambial negativo até 11 de outubro em US$ 6,86 bilhões e no ano também com saídas de US$ 19,83 bilhões. Os ganhos com operações de swap cambial de outubro estavam em R$ 1,86 bilhão. A Fiesp anunciou que em setembro foram fechadas 1.000 vagas em São Paulo.

No segmento local, dia de DIs em queda de juros para vencimentos mais líquidos e dólar sendo cotado em queda de 0,25% e fechando em R$ 4,154. Na Bovespa, na sessão de 14 de outubro, os investidores estrangeiros voltaram a sacar recursos no montante de R$ 218,5 milhões, deixando o saldo negativo de outubro em R$ 10,18 bilhões e o ano com saídas líquidas de R$ 30,93 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 0,61%, Paris com -0,09% e Frankfurt com +0,32%. Madri e Milão registraram altas de respectivamente 0,42% e 0,28%. No mercado americano, o Dow Jones com -0,08% e Nasdaq com -0,30%. Na Bovespa, dia de alta 0,89%, com o índice em 105.422 pontos e destaque para Eletrobrás, Petrobras e Itaú.

Na agenda desta quinta, o IPC da Fipe da segunda quadrissemana de outubro. Nos EUA, as construções de novas residências e permissões de setembro, o índice de atividade de Filadélfia de outubro, os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior, a produção industrial de setembro e muitos discursos de dirigentes do Fed.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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