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Dia foi complexo para atuação de investidores nos mercados em todo o mundo.

Opinião do Analista / 10:44 - 16 de mai de 2019

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O dia foi extremamente complexo para atuação dos investidores nos mercados em todo o mundo. Tanto é verdade que assistimos muitas mudanças de tendência. Só no Brasil que a situação continuou difícil, pois incorporou os problemas políticos.

Logo durante a madrugada, a China anunciou dados de conjuntura mostrando desaceleração. Vendas no varejo, produção industrial e investimentos registraram desaceleração em abril. Somente as vendas de imóveis tiveram melhor desempenho. Por causa disso são esperadas novas medidas de flexibilização monetária.

Ainda durante a manhã, nos EUA tivemos as vendas no varejo de abril encolhendo 0,2% (ex-auto +0,1%) e produção industrial em queda de 0,5%. Em compensação, o índice de atividade industrial de Nova Iorque mostrou forte alta para 17,8 pontos, quando a expectativa era de ficar em 8,0 pontos. A confiança dos construtores subiu para 66 pontos em maio. Mas o que mais mexeu com os mercados foi o adiamento de aplicação de tarifas sobre o setor automotivo pelos EUA por cerca de seis meses. O fato reverteu a tendência dos mercados da Europa e dos EUA. No cenário local, seguimos pesado.

Tivemos ainda declarações do secretário do Tesouro americano, Mnuchin, de negociações com a China retomada proximamente em Pequim. As tarifas majoradas seguirão sendo aplicadas. Fez preço o encontro de Trump com Xi Jinping no início de junho na reunião do G-20 em Tóquio. Theresa May, ressurgiu dizendo que quer votar novamente os termos do Brexit no início de junho.

O BCE (Banco Central europeu) se posicionou por acelerar a união econômica e monetária da zona do euro, como forma de reduzir a vulnerabilidades da região. Na sequência dos mercados no exterior, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 0,39% e barril cotado em US$ 62,02. Mesmo depois de relatório da AIE sobre produção e demanda de petróleo em abril e de aumento de estoque nos EUA. O euro era transacionado em leve alta para US$ 1,121 e notes americanos de dez anos com taxa de juros de 2,38%, em queda. O ouro em alta e a prata em queda na Comex e commodities agrícolas em altas na Bolsa de Chicago.

No segmento local, seguiu repercutindo as declarações do ministro Paulo Guedes realista e desnudando os problemas fiscais. E ainda declarações graves do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Dos EUA, o presidente Bolsonaro falou sobre as manifestações contra contingenciamentos na Educação dizendo serem "idiotas úteis".

Na economia, fez preço sobre os ativos a divulgação do IBC-Br de março em contração de 0,28% e contra igual período de 2018 com contração de 2,52%. O que tornou ainda mais factível que o PIB do primeiro trimestre seja negativo, e produziu novas revisões em queda para o PIB do ano de 2019. Consequência, as contas de 2019 ficam ainda mais complicadas pela expectativa de arrecadação menor.

No mercado, dia de DIs com taxa de juros próximas da estabilidade para os principais vencimentos, e o dólar que chegou a atingir R$ 4,02 (PTAX em R$ 4) encerrou com +0,51% e cotado a R$ 4. Na Bovespa, na sessão de 13 de maio, os investidores estrangeiros sacaram R$ 944 milhões, deixando o saldo de maio negativo em R$ 2,95 bilhões. E o saldo do ano de 2019 com saques líquidos de R$ 2,44 bilhões.

No mercado acionário, dia de recuperação de Bolsas europeias, com Londres revertendo para alta de 0,76%, Paris com +0,62% e Frankfurt com +0,90%. Madri teve alta de 0,47% e Milão com perda de 0,14%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,46% e Nasdaq com +1,13%. Na Bovespa, dia de queda de 0,51% e índice em 91.623 pontos (na mínima chegou a 90.294 pontos).

Na agenda desta quinta, teremos o IGP-10 de maio, o IPC-S da segunda quadrissemana de maio e dados da Pnad contínua. Nos EUA, os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior, a construção de novas residências em permissões de abril e o índice de atividade industrial de Filadélfia de maio.

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Alvaro Bandeira

Sócio e economista-chefe Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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