Modalmais - Fechamento 14.05: Situação global piora

Na última sexta, Donald Trump determinou cobrança de sobretaxa sobre produtos importados da China, o que ampliou o mal-estar geral.

Opinião do Analista / 10:39 - 14 de mai de 2019

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Desde a semana passada, alertamos que a situação tensa dos mercados deveria continuar. Na última sexta-feira, dia 10 de maio, o presidente Donald Trump determinou a cobrança de sobretaxa sobre produtos importados da China. Fato que ampliou o mal-estar geral. Hoje a situação piorou mais, a partir do noticiário de que a China iria elevar tarifas de produtos americanos, já em 1 de junho. Apesar disso, os chineses ainda querem seguir conversando com os negociadores americanos. Portanto, a questão não está encerrada.

O certo é que isso tudo desequilibrou os mercados em todo o mundo, com as Bolsas em queda em todos os continentes. Dólar mais forte e juros dos treasuries em queda. Tudo em acordo com o aumento da aversão ao risco global. Para completar mais esse quadro, a Suprema Corte americana decide contra a Apple em caso antitruste e o fato derrubou ainda mais o índice Nasdaq. O dólar forte registrou larga valorização em relação a moedas de países emergentes como a África do Sul e Turquia, essa última com suspeitas sobre o volume de reservas e credibilidade do Banco Central. No Brasil, o dólar bateu novamente a cotação de R$ 4,00, logo no início da manhã.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 1,12%, depois de alta no início da manhã, e com o barril cotado a US$ 60,97. O euro era transacionado bem próximo da estabilidade em US$ 1,123 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 2,40%, com a forte demanda pelo "porto seguro". O ouro operava em boa alta na Comex e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago.

A nova pesquisa semanal Focus do BC trouxe novamente dados mostrando desaceleração. A inflação de 2019 ficou estável na projeção de 4,04% e para anos seguintes. Mas o PIB de 2019 voltou a declinar para 1,45%, de anterior em 1,49%. Ocorre que algumas instituições já trabalham com projeções que rondam somente 1,0% de expansão para o ano em curso. A produção industrial pela Focus caiu para 1,70% em 2019 e o saldo comercial previsto para US$ 50,0 bilhões, de anterior em US$ 50,39 bilhões.

Falando de balança comercial, o superávit nas duas primeiras semanas de maio atingiu 3,03 bilhões, deixando o acumulado do ano com superávit de US$ 19,4 bilhões. A venda de papelão ondulado mostra o desempenho da indústria que registrou alta em abril de 1,3%. Do lado político, declarações em entrevista de Bolsonaro no final de semana colocaram o ministro Moro na berlinda das redes sociais. Já que Bolsonaro disse que esperava uma vaga no STF para indicar o atual ministro da Justiça. De outro lado, parece continuar a fritura do general Santos Cruz, com o vice Mourão defendendo o colega de farda.

O ex-presidente Temer foi autorizado a ser transferido de domicílio prisional para quartel da PM em São Paulo. Na sequência dos mercados, ainda no cenário local, os DIs tiveram dia de alta de juros para os principais vencimentos, enquanto o dólar depois de bater R$ 4,00 desacelerou para alta de 0,87% e cotado a R$ 3,98. Na Bovespa, na sessão de 9 de maio, os investidores estrangeiros retiraram R$ 523,0 milhões, deixando o saldo de maio negativo em R$ 1,6 bilhão e o ano com saídas líquidas de R$ 1,1 bilhão. Só para lembrar (não gostamos dessas profecias), se o mês de maio terminar negativo, será o décimo ano consecutivo.

No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 0,55%, Paris -1,23% e Frankfurt com 1,52%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 0,78% e 1,35%. No mercado americano, dia de queda do Dow Jones de 2,39% e Nasdaq com -3,41%. Na Bovespa, dia de queda de 2,69% e índice em 91.726 pontos.

Na agenda de amanhã, teremos a divulgação da ata da última reunião do Copom e o volume de serviços prestados em março. Nos EUA, a confiança do pequeno empresário, o índice de preços dos importados de abril e bateria de dados da China durante a noite. Com produção, vendas no varejo e investimentos em ativos urbanos.

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Alvaro Bandeira

Sócio e economista-chefe Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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