Modalmais: Fechamento 14.05 - Dia de recuperação

Não adianta achar que vamos crescer 3,0%; a realidade é que estamos no fundo do poço.

Opinião do Analista / 11:00 - 15 de mai de 2019

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Depois de muitos dias de mercados de risco com comportamento ruim, finalmente tivemos um dia de recuperação nas Bolsas e commodities. Além de comportamento mais fraco do dólar. A Bovespa, depois de maio acumular queda de 4,80%, o dia foi de alta modesta e sem muita pressão compradora. Além de todos os fatores externos, há o temor da economia em desaceleração, reformas que podem ser desidratadas e buraco fiscal.

No cenário externo, Donald Trump foi novamente protagonista ao afirmar que ainda espera negociações bem-sucedidas com a China. Confirmou ainda que tem diálogo em andamento. Os investidores se agarraram a isso para impulsionar mercados em recuperação. Exceto as Bolsas asiáticas que durante a madrugada registraram quedas, as Bolsas europeias terminaram em boa alta e o mercado americano também.

Destaque negativo para a Itália que o governo avisou que pode exceder a relação dívida/PIB por compra da geração de emprego, e consequente relato que pode descumprir teto orçamentário. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) divulgou que a produção do cartel em abril foi de 30,3 milhões de barris dia, semelhante à produção de março, com quedas no Irã, Arábia Saudita e Angola, e expansão no Iraque Nigéria e Líbia. Em compensação, estimou produção menor para o Brasil em 2019 de 3,6 milhões de barris dia.

No mercado internacional, o petróleo sofreu o impacto desse anúncio da Opep e o WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 1,03%, com o barril cotado a US$ 61,67. O euro sofreu com o anúncio da Itália e operava com leve queda para US$ 1,121. Notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 2,42%. O ouro em queda e a prata em alta na Comex, e commodities agrícolas em dia de alta na Bolsa de Chicago.

No Brasil, a ata do Copom seguiu o comunicado pós-reunião, veio no mesmo tom, mas mostrando a preocupação dos membros com reformas, as incertezas externas e desaceleração da economia desde final de 2018. Apesar disso, o Copom parece aguardar e não deu sinais sobre a tendência das próximas reuniões. As previsões são de novas preparações e queda da Selic só deve acontecer em outubro. O IBGE mostrou o volume de serviços prestados em março com contração de 0,7% e no comparativo com igual período de 2018 em queda de 2,3%. A receita nominal bruta de março caiu 0,6% e ainda estamos 12,3% abaixo do pico ocorrido em janeiro de 2014. O Ipea destacou que o consumo aparente de bens industriais em março caiu 2,7%.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, durante seminário em Nova Iorque disse que o país perdeu a capacidade de investir e a solução só virá com a reforma da Previdência aprovada. O ministro Paulo Guedes repetiu que a previdência virou buraco negro fiscal que ameaça engolir o país. Afirmou ainda que o teto do déficit primário contratado deixa à beira de violar a regra de ouro. Não adianta achar que vamos crescer 3,0%. A realidade é que estamos no fundo do poço.

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Alvaro Bandeira

Sócio e economista-chefe Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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