Modalmais - Fechamento 11.07: apenas uma batalha

Dia foi de realização no mercado local e seria não tem a cer com aprovação do texto base da reforma da Previdência.

Opinião do Analista / 11:04 - 12 de jul de 2019

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Esta quinta foi dia de realização no mercado local e seria sandice atribuir à aprovação do texto base da reforma da Previdência. A Bovespa tinha sequência de cinco pregões seguidos de alta, batimento de sucessivos recordes de pontuação e desde 17 de junho foram somente três pregões de queda. Além disso, não podemos esquecer que na segunda-feira, dia 15 de julho, teremos vencimento de opções para o prazo julho, o que sempre agrega volatilidade. Portanto, com lucros recentes acumulados e mercados no exterior mais fraco, seria fácil supor mais volume vendedor.

Ocorre que a tendência é nitidamente de alta em prazo mais longo, e aí sim a reforma da Previdência influenciou de fato. Vencemos apenas meia batalha, já que a Câmara terá que votar muitos destaques (atualmente 15), emendas aglutinativas e pode haver alguma diluição do texto. Além disso, depois de tudo votado, o texto volta para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para avaliar pela constitucionalidade, e voltar para o segundo turno. Tudo deveria acontecer até amanhã, tempo exíguo.

No exterior mercados afetados pelas tensões contra o Irã, depois de tentativa de bloquear passagem de petroleiro do Reino Unido. Além de manobras da marinha britânica, secundadas por mais sanções dos EUA. Trump disse que os chineses não estão comprando produtos agrícolas americanos como tinham se comprometido. Nos EUA, a inflação medida pelo CPI de junho subiu 0,1% e o núcleo 0,3%, deixando a inflação anualizada pelo núcleo em 2,1%. O déficit fiscal de junho ficou em US$ 8,48%.

O presidente do Fed, Jerome Powell, repetiu no Senado o mesmo discurso feito na Câmara, mas acrescentou que a trajetória da dívida pública é insustentável. Disse que o Congresso tem que autorizar até agosto a elevação do teto de gastos. Dirigentes regionais do Fed disseram que o PIB está em ritmo de 2,25%, e que o risco de recessão não é tão alto (Williams de Nova Iorque), mas farão o que for preciso para sustentar a expansão da economia.

No mercado, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de 0,23%, depois de ter trabalhado boa parte do dia em alta, cotado a US$ 60,29. O euro era transacionado em leve alta de US$ 1,126 e notes americanos de 10 anos com forte alta dos juros para 2,11%. O ouro e a prata inverteram tendência para quedas na Comex e commodities agrícolas com comportamento majoritário de alta na Bolsa de Chicago.

No cenário local, voltamos à reforma da Previdência. Hoje no meio da tarde, não tínhamos qualquer movimentação para começar a discutir e votar destaque, já que não tinham conseguido formar quórum "seguro". Portanto, fica complicado manter o cronograma declarado por Rodrigo Maia. Na economia, o IBGE divulgou vendas no varejo em queda de 0,1% em maio, crescendo no ano 0,7%. O varejo ampliado que inclui os setores automotivo e construção cresceu 0,2% e no ano com expansão de 3,3%. A percepção geral é de que não há sinais de recuperação e que o segundo trimestre pode ser de PIB estável para negativo.

O IBGE anunciou a estimativa de safra de junho para 2019 com produção de 236 milhões de toneladas em alta de 4,2%. No mercado, os DIs com vencimentos mais líquidos mostraram queda de juros ou estabilidade e o dólar terminou com -0,15% e cotado a R$ 3,75. Na Bovespa, na sessão de 8 de julho, os investidores estrangeiros voltaram a retirar recursos no montante de R$ 378,1 milhões, deixando o saldo de julho negativo em R$ 1,43 bilhão e no ano com saídas líquidas de R$ 5,33 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda da bolsa de Londres de 0,28%, Paris com queda de 0,28% e Frankfurt perdendo 0,33%. Madri e Milão, ao contrário, tiveram altas de respectivamente 0,30% e 0,56%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,85% e Nasdaq com -0,08%. Na Bovespa, dia de queda de 0,63% e índice em 105.146 pontos. Petrobras em alta de 1,25% segurou um pouco a queda.

Na agenda de sexta, teremos o volume de serviços prestados em maio e nos EUA a inflação medida pelo PPI (Atacado) de junho.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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