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Modalmais - Fechamento 10.07: dois eventos mexem com os mercados

Bovespa marcou novo recorde; dólar em novo dia de queda chegou a casa dos R$ 3,75.

Opinião do Analista / 10:52 - 11 de Jul de 2019

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Dois eventos mexeram com os mercados na sessão desta quarta. De um lado, a arguição do presidente do Fed, Jerome Powell na Câmara, e de outro as expectativas de votação da reforma da previdência. Os mercados da Ásia encerraram a madrugada com comportamento misto, Europa em queda exceto na Bolsa de Milão e mercado americano em alta. No Brasil, mercados largaram em boa alta e aceleraram. A Bovespa marcou novo recorde. O dólar em novo dia de queda chegou a casa dos R$ 3,75.

Logo cedo, em arguição na Câmara, o presidente do Fed deu declarações bem suaves sobre a tendência da economia dizendo que o progresso do comércio deu lugar as incertezas e que os indicadores de conjuntura no mundo estão decepcionando. E que podem até afetar a economia americana. O mercado de trabalho segue forte e a inflação abaixo da meta. Disse que pode usar todas as ferramentas para manter a economia no bom caminho e que vai cumprir seu mandato integralmente. A leitura dos investidores foi de que o Fed está próximo de reduzir juros, o que pode acontecer já em 31 de julho.

Ainda nos EUA, tivemos a divulgação da ata do Fed da última reunião. Os cortes de juros podem amortecer choques futuros, mas alguns membros gostariam de ter evidências para cortar juros. Muitos membros estão com visão pessimista da perspectiva da economia e entendem que o PIB deve ser mais modesto no segundo trimestre, com projeção de desaceleração da economia. Mas a ata deixa explícito que se riscos persistirem os EUA podem usar políticas acomodatícias. Os estoques no atacado de maio cresceram 0,4% e o Banco Central do Canadá manteve juros estabilizados em 1,75%.

Os estoques de petróleo americano na semana anterior encolheram bastante (-9,5 milhões de barris, de previsão de -2,4 milhões), e isso motivou a alta do óleo no mercado internacional. O petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta forte de 4,39%, com o barril cotado a US$ 60,37. O Departamento de Energia dos EUA projeto o barril WTI em US$ 62. O euro era transacionado em alta para US$ 1,125 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 2,06%, praticamente estável. O ouro e a prata em boas altas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

No cenário local, "olhos e ouvidos" perscrutando a reforma da Previdência, mas com o IBGE divulgando a inflação oficial de junho. O IPCA do mês passado subiu 0,01% (anterior em +0,13%) deixando a inflação do ano de 2019 em 2,23% e a de doze meses em 3,37%. Destaque para passagens aéreas com +18,9% e queda de preços dos alimentos e combustíveis. O índice de difusão subiu pouco para 50,4% (de 49,3%), e foi a menor taxa mensal desde novembro de 2018. Mas isso reflete em boa parte a fraqueza da economia.

O fluxo cambial até 5 de julho ficou negativo em US$ 641 milhões e acumula no ano saídas de US$ 5,76 bilhões. O BC acusou ganho em operações de swap no mês de R$ 3,01 bilhões. No mercado local, dia de queda dos juros dos DIs mais negociados, e o dólar em nova tendência de queda fechou com 0,77% e cotado a R$ 3,757. Na Bovespa, os investidores estrangeiros retiraram recursos na sessão de 5 de julho no montante de R$ 641,7 milhões, deixando o saldo de julho já negativo em R$ 1,05 bilhão e o do ano também com saídas líquidas de R$ 4,95 bilhões.

Quanto a reforma da Previdência, o governo declarou ter votos suficientes para aprovar hoje (10 de julho) em primeiro turno. Mas tem que seguir todos os ritos anteriores à votação. Destaques individuais foram derrubados, mas o PSL mandou dois destaques para avaliação, seguindo a linha do presidente Bolsonaro para policiais. Aparentemente, a votação ainda vai demorar um pouco, mas Rodrigo Maia tem esperança de votar o segundo turno na sexta-feira, dia 12 de julho. Até o fechamento deste texto, a votação vai caminhando sem sustos.

No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 0,08%, Paris com -0,08% e Frankfurt com -0,51%. Madri com queda de 0,23% e Milão em alta de 0,73%, por melhores dados da economia. No mercado americano, dia de reviravolta para alta do Dow Jones de 0,29% e Nasdaq com +0,75%. O S&P bateu novo recorde de pontuação vazando o teto de 3 mil pontos. Na Bovespa, alta de 1,23% e índice em 105.817 pontos. Na máxima atingiu 106.650 pontos.

Na agenda desta quinta, teremos o IPC da primeira quadrissemana de julho, o levantamento da produção agrícola de junho e as vendas no varejo de maio. Nos EUA, muitos discursos de dirigentes do Fed, o resultado fiscal de junho, os pedidos de auxílio desemprego da semana anterior e relatório da agricultura pelo USDA.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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