Modalmais: CPI divulgado hoje nos EUA

Índice de preços ao consumidor (CPI) veio inegavelmente acima do esperado pelo mercado nas medidas subjacentes.

Opinião do Analista / 10:50 - 13 de ago de 2019

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My take - Índice de preços ao consumidor (CPI) veio inegavelmente acima do esperado pelo mercado nas medidas subjacentes (sendo que medidas qualitativas como QoQ anualizado veio no maior patamar desde 2017).

Ressalta-se que três grupos ajudam a explicar grande parte da surpresa com a inflação, a saber: bens médicos, serviços médicos e transportes (principalmente aéreo). Espera-se, como com as surpresas positivas do mês passado (principalmente vestuário) alguma reversão destes indicadores a frente.

Em relação ao Fed, o número reforça a tese dos membros mais hawkish do comitê, que defendem ação cautelosa por conta da manutenção de pressões inflacionárias elevadas.

Mantemos nosso call de 25bps de corte para a reunião de setembro, ressaltando que o fator fundamental para a decisão do Fed serão os indicadores de atividade daqui até a reunião e não inflação, que é um indicador defasado.

 

Comentários - O índice de preços ao consumidor (CPI) de julho veio acima do esperado na medida subjacente (que exclui alimentação e combustíveis) tanto na leitura MoM (0.3% contra 0.2% esperado) como na leitura YoY (2.2% contra 2.3% esperado).

Em três casas decimais, a leitura deste mês e do mês passado (subjacente) ficou praticamente inalterada em 0.29%.

Por dentro do índice, destaque para a desaceleração da parte de bens subjacente, que caiu no MoM de 0.38% para 0.25%. Na comparação YoY no entanto, o índice saiu de 0.16% para 0.4%, marcando o segundo mês seguido de leituras positivas após três meses de contribuição negativa.

O destaque do mês passado, como comentamos, foi o avanço fora do comum em vestuário (1.13%) e carros usados (1.59%) que reduziram o ritmo de aceleração para 0.44% e 0.86%, respectivamente. Ambos estão ainda forte comprado com a média recente, mas também especialmente voláteis dado a alteração na metodologia de coleta dos dados.

Bens médicos também avançou fortemente no mês, saindo de -0.21% no mês passado para 0.24% neste mês, sendo um dos fatores que explica a forte evolução do índice em julho.

Pela parte de serviços, vemos avanço de 0.3% MoM, em linha com o avanço do mês anterior de 0.27%. Já na comparação ano contra ano, o índice avança 2.81%, ante 2.78% no mês passado.

A parte de habitação permanece extremamente estável tanto na comparação MoM como na YoY.

O destaque fica por conta do avanço de serviços médicos, que saiu de 0.41% para 0.54% (MoM), maior patamar desde 2016 e contribuiu fortemente com o avanço do índice.

Custos de transporte também foram grande fator de pressão na inflação, com destaque especial para passagens aéreas, que saíram de -0.93% para 2.3% (MoM). Dada a volatilidade natural deste componente, esperamos moderação ao longo dos próximos meses.

Em relação ao Fed, o número reforça a tese dos membros mais hawkish do comitê, que defendem ação cautelosa por conta da manutenção de pressões inflacionárias elevadas. Por outro lado, nota-se claramente que, tal qual no mês passado, o índice foi fortalecido por alguns elementos que parecem outliers (bens médicos, serviços médicos e transportes).

Mantemos nosso call de 25bps de corte para a reunião de setembro, ressaltando que o fator fundamental para a decisão do Fed serão os indicadores de atividade daqui até a reunião e não inflação, que é um indicador defasado.

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Felipe Sichel

Estrategista do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br

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