Modalmais - Abertura 23.10: suspense

Dia de suspense para mercados de risco no país, pela votação adiada de destaques da reforma da Previdência e retomada do julgamento pelo STF

Opinião do Analista / 11:11 - 23 de out de 2019

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A quarta-feira será de suspense para os mercados de risco no país, depois do resultado positivo da véspera, com o Ibovespa batendo novamente recorde histórico de pontuação - alta de 1,28% e índice em 107.381 pontos. O suspense fica por conta da votação adiada de dois destaques da reforma da Previdência e da retomada do julgamento pelo STF da prisão em segunda instância.

Hoje, os mercados na Ásia encerraram com comportamento mais negativo. A Europa opera entre positiva e negativa, mas ampliando perdas, e os futuros do mercado americano estão em queda neste início de manhã. No Brasil, o mercado vai depender do noticiário político e de votações, com espaço para algumas realizações de lucros recentes.

No cenário externo, a extensão de prazo para o Brexit pode abrir espaço para antecipação de eleição no Reino Unido, caso fique para janeiro ou fevereiro. Mas as complicações continuam altas. Já a Rússia e a Turquia fecharam acordo para expulsar os curdos da fronteira com a Síria. No Chile, o governo do presidente Piñera deu mais um passo atrás aumentando as aposentadorias e reduzindo impostos para tentar acalmar as greves e violentas manifestações.

Hong Kong também retirou formalmente o projeto de lei de extradição - causa dos longos protestos que ocorrem por lá. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de 0,99%, com o barril cotado a US$ 53,94. O euro era transacionado em queda, para US$ 1,111, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,74%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

No cenário local, o texto base da reforma da Previdência foi aprovado ontem. Dois destaques foram rejeitados e outros dois ficaram para votação hoje, já que havia risco de serem acatados. O STF também retoma hoje o julgamento da prisão em segunda instância, pressionado pela sociedade. Aliás, hoje a operação Lava Jato está novamente nas ruas para cumprir novos mandados.

O ministro Paulo Guedes esteve ontem no Senado para acompanhar a votação da reforma da Previdência e comemorou o resultado. Agora, quer tocar o pacto federativo. Guedes disse que o ideal seria estados e municípios seguirem juntos na Previdência. Já as reformas Tributária e Administrativa parecem mais complicadas de aprovação, mas o Congresso reformista pode dar boa sequência.

Eduardo Bolsonaro desistiu de ser nomeado embaixador do Brasil em Washington e vai seguir na liderança do PSL na Câmara. Na economia, a FGV anunciou o IPC-S da terceira quadrissemana de outubro em deflação de 0,07%, de anterior em -0,01%. A agenda local é fraca e internacional não tem capacidade de mudar os mercados. O dia pode ser de alguma realização de lucros na Bovespa, com dólar mais forte e juros em alta.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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