Modalmais: Abertura 16.05 - Tensão política inibe mercados

Declaração de Bolsonaro sobre 'idiotas úteis', complicações dos filhos e manifestações contra corte na Educação deram o tom.

Opinião do Analista / 11:10 - 16 de mai de 2019

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A tensão política local tolheu o comportamento dos mercados no Brasil. O melhor exemplo disso fica por conta do comportamento de queda da Bovespa de 0,51% (índice em 91.623 pontos), enquanto os mercados da Europa e americano operaram com altas.

Declaração do presidente Bolsonaro sobre manifestações ("idiotas úteis"), complicações dos filhos do presidente e tuites produzidos, manifestações generalizadas contra o contingenciamento na Educação. Além do impasse na reforma (base de apoio fragmentada e expectativa com ida do ministro da Educação ao plenário), deram o tom desse quadro francamente complicado.

Hoje, Bolsas da Ásia terminaram o dia com comportamento misto, Bolsas da Europa passando de negativas para positivas e mercado futuros americano em alta. Na Ibovespa, atenção com o patamar de 88 mil pontos, mas felizmente ainda estamos um pouco longe. Temos que considerar que investidores estrangeiros seguem sacando recursos da Bovespa, que já ronda a casa de R$ 3,0 bilhões (até 13 de maio).

Durante a madrugada na China, foi anunciado que o volume de investimento externo (IED) de abril atingiu US$ 9,3 bilhões, com expansão de 2,8%. Nos quatro meses de 2019 já atinge US$ 45,1 bilhões. Os investimentos da China no exterior em 2019 chegam a US$ 34,6 bilhões, com queda de 2,6%. O governo chinês disse que a escalada de tarifas imposta pelos EUA prejudica negociações, mas desconhecem a intenção de comitiva americana em Pequim. Dizem que adotarão as medidas necessárias, caso os EUA persistam com tarifações.

No mesmo tom, o BCE (o Banco Central europeu), via Weidman do BundesBank, disse que a escalada de tarifas prejudica a economia global, mas especialmente a economia americana. Na Zona do Euro, o superávit da balança comercial de março declinou para +17,9 bilhões. O prefeito de Nova Iorque Bill de Blasio (democrata) quer se lançar candidato a presidente em 2020. Blasio foi quem fez carga contra Bolsonaro a receber premiação em Nova Iorque.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 1,19%, com o barril cotado a US$ 62,76. O euro era transacionado em leve alta para US$ 1,12 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em alta para 2,38%. O ouro e a prata tinham quedas na Comex e commodities agrícolas com viés de alta na Bolsa de Chicago.

No Brasil, ainda teremos que dimensionar o impacto das ruas em elevar tensões, lembrando o que aconteceu em 2013 com a ex-presidente Dilma. Para complicar um pouco, o Ministério Público do Rio de Janeiro, declarou que vê organização criminosa no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj (então deputado). Há ainda o mau posicionamento da base do PSL, que tem feito ruídos danosos para o presidente.

No plano econômico, a FGV anunciou o IGP-10 de maio em desaceleração para 0,70% (anterior em 1,00%). No ano, a inflação por esse indicador mostra alta de 3,27% e em 12 meses com 8,02%. O IPC-S da segunda quadrissemana de maio desacelerou para 0,42% (anterior em 0,57%). Na agenda do dia, o IBGE anuncia dados da Pnad contínua.

Nos EUA, ainda teremos indicadores sendo divulgados e teremos discursos de dirigentes do FED. Trump fala sobre de novo plano de reforma migratória.

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Alvaro Bandeira

Sócio e economista-chefe Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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