Mobile é o canal preferido para transferência e pagamento de contas

Pesquisa da Febraban mostra que, de cada 10 transações, com ou sem movimentação financeira, seis são por celular ou computador.

Informática / 15:41 - 16 de mai de 2019

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O número de transações bancárias feitas pelo celular em 2018 cresceu 24% em relação ao ano anterior e os aplicativos dos bancos tornaram-se o canal preferido dos brasileiros para fazer pagamento de contas, transferências de dinheiro e outras transações financeiras. O aumento na quantidade de transações com movimentações financeiras por celular chegou a quase 80% no ano passado.

Hoje, de cada 10 transações, com ou sem movimentação financeira, seis são feitas por meios digitais: celular ou computador.

Esses são alguns dados da Pesquisa de Tecnologia Bancária 2019 da Febraban, divulgada no último dia 7. A edição deste ano é a 27ª do estudo, realizado pela Deloitte, que revela, de forma consolidada, as tendências de investimentos e do uso da tecnologia no setor financeiro, além de analisar a relação dos consumidores com os canais de atendimento bancários.

Em 2018, 2,5 bilhões de pagamentos de contas e transferências, incluindo DOC e TED, foram realizados por meio do mobile banking, que, pela primeira vez, superou o internet banking na preferência do brasileiro nessas operações.

Esse movimento é reflexo da praticidade de uso, da segurança e da conveniência oferecidas pelo canal, que foi responsável por 40% do total de operações bancárias efetuadas no ano passado – levando-se em conta as transações feitas em agências, via internet banking, autoatendimento, pontos de venda no comércio, correspondentes no país e pelo telefone. Para efeito de comparação, em 2014 o mobile banking respondia por apenas 10% das operações.

De acordo com o estudo, o número de transações bancárias com movimentações financeiras cresceu cerca de 33%. O avanço de 80% na quantidade de transações com movimentações financeiras por celular foi puxado, principalmente, pelo crescimento número de contas pagar por esse canal (que chegou a 1,6 bilhão, em 2018) e de 119% na quantidade de DOCs, TED e outras transferências de quantias em contas bancárias (862 milhões).

O brasileiro também contratou mais crédito pelo celular: foram 359 milhões de contratações em 2018, com aumento de 60% em relação ao ano anterior.

As transações com movimentação de dinheiro em contas bancárias realizadas pelos POS (pontos de venda no comércio, as chamadas maquininhas) ultrapassam aquelas realizadas nas agências, o que reforça a tendência mundial do uso dos canais eletrônicos.

Para o diretor setorial de Tecnologia e Automação Bancária da Febraban, Gustavo Fosse, a opção pelo mobile ajudou a manter a tendência de alta no total de transações bancárias em todos os canais, que saltaram de 71,8 bilhões em 2017 para 78,9 bilhões, no ano passado.

"A facilidade em poder resolver questões financeiras apenas utilizando o celular é um ponto-chave desse crescimento", afirma. Ele acrescenta que o incremento de transações com movimentação financeira por mobile banking atesta que o cliente se sente cada vez mais seguro para movimentar seu dinheiro por esse canal.

Mesmo num cenário macroeconômico desafiador, os gastos com tecnologia bancária, incluindo despesas e investimentos, continuaram consistentes e somaram R$ 19,6 bilhões no ano passado, um crescimento de 3% em relação ao último ano. Desse total, R$ 10 bilhões foram destinados a software, reforçando o foco das instituições bancárias no desenvolvimento de novas funcionalidades em serviços e produtos dos bancos.

Quando perguntados sobre os investimentos prioritários previstos para os próximos anos, os bancos revelam que o setor tende a usar cada vez mais a inteligência de dados em suas operações: 80% dizem planejar investimentos em big data/analytics; e 73% investirão em inteligência artificial e computação cognitiva. O setor bancário é, junto com o governo, o que mais investe em tecnologia no Brasil.

O levantamento registrou, também, um boom de contas abertas por meio do mobile banking: foram 2,5 milhões em 2018 ante 1,6 milhão no ano anterior. O internet banking não fica atrás nesse quesito, já que registrou a abertura de 434 mil contas no ano passado, bem acima das 26 mil, em 2017. Também houve um forte incremento de 60% na contratação de crédito por aplicativos de celular; e os investimentos e aplicações feitas pelo mesmo canal cresceram 36%.

A pesquisa também aponta que as comunicações feitas digitalmente também cresceram de maneira considerável. As interações feitas entre clientes e bancos por web-chat tiveram um crescimento de 364%, e chegaram a 138,3 milhões no ano passado. Já os atendimentos via chatbot passaram de 3 milhões, em 2017, para 80,6 milhões no ano passado, ou seja, aumentaram 2.585%.

 

Compras virtuais realizadas por celulares e tablets somam 62 milhões de pedidos em 2018

Outra pesquisa, da Compre & Confie, em 2018 foram 62,9 milhões de pedidos via mobile no Brasil, sendo 83,4% em dispositivos Android e 16,5% em aparelhos com sistema iOS.

Ao todo, 9,9 milhões de pessoas compraram através de dispositivos móveis no período, com tíquete médio de R$ 376,70. Na divisão por gênero, as mulheres foram mais ativas do que os homens: a participação delas no volume de pedidos atingiu a marca de 59,2%, ante 40,2% deles.

Os jovens entre 26 e 35 anos foram o principal público consumidor, com 36% dos pedidos realizados. Em seguida, os adultos que têm entre 36 e 50 anos, com 34,9%.

Na comparação por regiões do país, o Sudeste lidera a porcentagem de pedidos com 72,6% e a região sul vem atrás, com 11% do total. Essas duas regiões concentram 84,1% dos pedidos, reflexo da maior presença de e-commerces e da familiaridade do consumidor com compras on-line em ambos os locais.

A principal categoria em pedidos realizados é a de telefonia, com 16,4% do total. Entretenimento e moda aparecem em seguida, com 13,8% e 13,2%, respectivamente.

Em relação ao faturamento, o setor de telefonia também é a principal categoria de vendas, com 34,7% do total de vendas. Entretenimento é a segunda categoria, com 14,1%. Em terceiro lugar, figura o segmento de eletrodomésticos e ventilação, com 10,8% do total.

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