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Milícia expande poder político e econômico

Desabamento no Rio expõe ligações do poder paralelo com poder público

Rio de Janeiro / 12 Abril 2019 - 22:42

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O desabamento de dois prédios na Zona Oeste do Rio de Janeiro nesta sexta-feira deixou até agora três mortos e pessoas humildes desabrigadas. O desastre revela a expansão da milícia. Além da força das armas, contabilizam cada vez mais fortes ligações com o poder político e econômico.
Na região de Jacarepaguá, há 34 mil ocupações irregulares, a maioria controlada por milicianos, que lucram com os negócios imobiliários. A Prefeitura do Rio de Janeiro informou que os prédios que desabaram eram construções não autorizadas. Os edifícios estavam interditados desde novembro de 2018. A Prefeitura diz que, por se tratar de uma área dominada por uma milícia, precisa de apoio da Polícia Militar para atuar na área.
A comunidade da Muzema é área de atuação do grupo comandado pelo ex-policial militar Adriano da Nóbrega, segundo investigações do Ministério Público. O ex-PM foragido foi compa-nheiro, no 18º Batalhão da Polícia, de Fabrício Queiroz, ex-assessor da família Bolsonaro.
Adriano foi homenageado por Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa e defendido pelo hoje presidente Jair Bolsonaro em discurso na Câmara. Os fatos aconteceram antes da revelação da ligação com a milícia. A mãe e a filha do miliciano trabalharam no gabinete de Flávio, hoje senador, quando o filho de Bolsonaro era deputado estadual.
Na quarta-feira passada, a 20ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio decidiu manter uma liminar que impedia a demolição de um prédio no condomínio onde houve o desabamento. A decisão foi da desembargadora Marilia de Castro Neves Vieira. Em março do ano passado, a desembargadora se envolveu em polêmica ao difundir fake news sobre a vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada naquele mês.
O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, disse que a fiscalização não cabe ao governo estadual e que está combatendo todas as áreas de milícias. O vice-governador, Cláudio Castro, admitiu que a polícia prendeu pessoas que trabalhavam na construção de prédios irregulares como o que desabou, mas ainda não identificou os responsáveis pelas obras.
 

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