Migrantes venezuelanos podem elevar em até 0,3% PIB de outros países

Acelerar a validação de diplomas pode ajudar

Internacional / 22:21 - 21 de nov de 2019

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Estudo recente realizado por Emilio Fernandez Corugedo e Jaime Guajardo, ambos do Fundo Monetário Internacional (FMI), indica que “a “migração venezuelana poderia elevar em 0,1 a 0,3 ponto percentual o crescimento do PIB nos países de acolhimento entre 2017 e 2030. As políticas públicas – entre elas o apoio mais amplo à educação e à inserção na força de trabalho – poderiam ajudar os migrantes a encontrar empregos bem remunerados e, em última instância, contribuir para melhorar as perspectivas de crescimento nos países que os acolhem”.

Um dos principais desafios para as autoridades da região é como administrar a transição num momento em que as economias nacionais desaceleraram e muitos países precisam reduzir seus déficits fiscais. A curto prazo, facilitar a integração dos migrantes no mercado de trabalho interno e acelerar o processo de validação de diplomas ou certificados profissionais ou de abertura de empresas maximizaria o impacto sobre o crescimento e minimizaria a necessidade de apoio do Estado.

No plano multilateral, devem ser consideradas medidas de cooperação internacional para auxiliar os principais países receptores de migrantes venezuelanos a cobrir os custos da assistência prestada. As medidas adotadas em cada país para lidar com os imigrantes, como a imposição de restrições na fronteira, podem dificultar a ação de outros parceiros, o que indica a necessidade de uma abordagem de âmbito mais regional.

A médio e longo prazo, assegurar o acesso à educação e aos cuidados de saúde será fundamental para que os imigrantes tenham uma vida longa e produtiva, não apenas em benefício próprio mas também das economias em que residem. Segundo dados da plataforma Resposta para Venezuelanos e Venezuelanas – uma iniciativa conjunta da Organização Internacional para as Migrações (OIM) e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) – quase 4,6 milhões de pessoas deixaram a Venezuela até novembro de 2019, e cerca de 3,8 milhões desses migrantes se estabeleceram na América Latina e no Caribe.

Desde o início da crise, houve uma grave deterioração das condições de vida dos 31 milhões de venezuelanos. A taxa de pobreza extrema passou de 10% em 2014 para 85% em 2018, e a população sofre com a escassez aguda de alimentos e medicamentos. Esse cenário é agravado pela forte queda na atividade econômica, que sofreu uma contração de cerca de 65% entre 2013 e 2019. Os principais motivos foram o colapso da produção de petróleo, a deterioração das condições em outros setores e os apagões frequentes. Enquanto isso, a hiperinflação segue desenfreada, com aumentos mensais de preços que beiram os 100% e rivalizam os de outros episódios históricos de hiperinflação.

Diante dessa dura realidade econômica e condições de vida precárias, os migrantes estão deixando a Venezuela e se estabelecendo nos países vizinhos. A Colômbia acolheu o maior número de imigrantes, seguida pelo Peru, Equador, Chile e Brasil. Embora pequenos em números absolutos, os fluxos migratórios para alguns países do Caribe e da América Central são ainda mais elevados como proporção das populações locais.

 

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