México fica sem empregos e com narcotráfico

Estados Unidos compram cocaína do vizinho e quinquilharias industriais da China.

Fatos e Comentários / 19:30 - 13 de ago de 2019

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A perda de empregos na indústria mexicana – resultante da crescente competição comercial com a China no mercado dos Estados Unidos – desempenhou um papel importante na explosão da violência das drogas no México nos últimos anos. É o que mostra estudo conduzido por Melissa Dell, professora de Economia na Universidade de Harvard, juntamente com Benjamin Feigenberg (Universidade de Illinois, Chicago) e Kensuke Teshima (Universidade de Hitotsubashi).

A conclusão ajuda a explicar a explosão da violência do narcotráfico no país, com ameaças à política e à liberdade de imprensa. De quebra, deixa sem argumentos os que defendem para a relação do Brasil com os Estados Unidos um papel similar ao do México, sede das “maquiladoras”, indústrias que fazem pequenos serviços de montagem para exportação, sem gerar desenvolvimento local.

Os conflitos pelo tráfico de drogas durante a última década transformaram o México em um epicentro da violência global, ceifando mais de 100 mil vidas (Beittel, 2017)”, escreve Melissa em artigo no Blog do FMI. “Nossa pesquisa no México destaca que a perda de empregos na indústria, resultante da concorrência internacional, também pode acarretar grandes custos sociais.”

Nosso estudo conclui que, se as exportações chinesas para os Estados Unidos não tivessem aumentado significativamente no período 2007–2010, o aumento nos homicídios relacionados a drogas no México em nossa amostra – totalizando cerca de 6 mil em 2007 e mais de 20 mil em 2010 – teria sido de aproximadamente 27% menor”, descreve a professora de Harvard.

O impacto foi concentrado em municípios com presença de gangues internacionais de drogas. Não há impacto sobre os homicídios gerais e relacionados a drogas em municípios onde não existiam operações conhecidas de tráfico. “Isso ressalta o papel das organizações criminosas em vincular as condições do mercado de trabalho ao crime violento”, destaca o artigo.

Nós fornecemos evidências de que, em algumas partes do México, os jovens estão se afastando do emprego legítimo para atividades criminosas porque as mudanças no mercado de trabalho local tornaram mais lucrativo traficar drogas”, afirma Melissa. “O tráfico de cocaína, que é altamente lucrativo – e o destino é esmagadoramente os Estados Unidos.”

Esforços nacionais devem assegurar que ganhos de produtividade e renda da globalização sejam compartilhados, inclusive por meio de educação e treinamento para jovens de baixa qualificação empregados em setores mais expostos”, preconizam os autores do estudo.

 

A velha concorrência

A entrada da Azul na ponte aérea entre os aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, do Rio de Janeiro, teve efeito imediato nos preços das passagens. Segundo o site Kayak, em apenas um dia a tarifa média na rota caiu 42% entre SP–Rio e 33% no sentido contrário.

 

Tchau, Benjamin

O JPMorgan recomenda a seus clientes que desembarquem do dólar. Atualmente, 80% da carteira dos correntistas do bancão norte-americano está em dólar. A sugestão é cair pela metade, enquanto aumenta a compra de euros, iuan chinês e ouro.

 

Rápidas

Reitor da Universidade Candido Mendes (Ucam) e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Candido Mendes fará palestra sobre “As religiões e a paz mundial”, nesta quarta, das 15h às 17h, no auditório da Ucam, no Centro do Rio. Inscrições em iabnacional.org.br *** Problemas nas orelhas, que podem ser resolvidos cirurgicamente, atingem cerca de 5% da população. O 2º Simpósio Internacional de Reconstrução de Orelha, dia 17, no Hospital St. Peter (SP), vai reunir alguns dos principais especialistas da América Latina, como os brasileiros Ricardo Cavalcanti Ribeiro, chefe da divisão de cirurgia plástica do Gaffrée e Guinle, e Juarez M. Avelar, além do mexicano Alfonso Masse e dos bolivianos Dario L. Suarez, Jorge Monteiro *** A Mostra Cine Cultura ACRJ exibe na próxima terça-feira (20), às 18h, o documentário Edifício Master (2002), de Eduardo Coutinho *** Sábado é a última oportunidade para quem quiser ver a exposição de Walter Firmo na Galeria Indoor. As portas estarão abertas das 15h às 20h, e o próprio Firmo estará presente falando de sua experiência e de sua reinvenção agora com 65 anos de fotografia. A Galeria Indoor fica no Flamengo (Avenida Oswaldo Cruz, 86/101, RJ).

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