México cobra OEA por silêncio sobre golpe na Bolívia

López Obrador convocará uma reunião para entidade se explicar.

Internacional / 16:19 - 11 de nov de 2019

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O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, não engoliu o silêncio da Organização dos Estados Americanos (OEA) durante golpe dado na Bolívia e convocará uma reunião urgente com a entidade solicitando explicações.

O anúncio foi feito neste domingo pelo ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrad, em entrevista.

No encontro com a mídia, o diplomata questionou o silêncio da organização regional antes do pedido de demissão do exército boliviano de Morales, apesar de já haver um chamado para a realização de novas eleições no país.

López Obrador enfatizou que o ex-presidente Morales renunciou ao cargo para evitar uma guerra civil e reiterou que o que aconteceu na Bolívia foi um golpe de Estado. López Obrador defendia o respeito à institucionalidade no país sul-americano. "Merece acompanhamento, atenção e haverá propostas como a que exorto a OEA a convocar urgentemente uma reunião e realmente definir uma posição. Não silêncio", concluiu.

Outros governos da América Latina e do Caribe se uniram para condenar a OEA por sua ação diante da crise política gerada pela oposição boliviana que se recusou a reconhecer os resultados das eleições gerais de 20 de outubro passado.

Segundo os líderes de direita, durante as eleições houve uma suposta fraude, mas eles não apresentaram evidências e pediram paralisações, barreiras e apreensões de instituições estatais.

Para acabar com a violência nas ruas, Morales pediu à OEA que conduzisse uma auditoria de votos, juntamente com especialistas do México, Paraguai e Espanha. No entanto, em meio a violentas ações da oposição, a agência regional emitiu um relatório preliminar no qual recomenda a realização de novas eleições e que alimentou a crise.

"A OEA faz parte do golpe de estado", denunciou no domingo o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e acrescentou que a organização regional, liderada por seu secretário-geral Luis Almagro, "esfaqueou a Bolívia."

Analistas e personalidades políticas concordam que a OEA deve assumir a responsabilidade pelo consumado golpe de Estado contra Morales.

“Decidi me demitir da minha posição para que Carlos Mesa e Luis Camacho parem de abusar e prejudicar milhares de irmãos. Tenho a obrigação de buscar a paz e dói muito o fato de enfrentarmos os bolivianos. Por isso, envio minha carta de renúncia à Assembléia Plurinacional da Bolívia”, disse o presidente Morales, acompanhado pelo vice-presidente Álvaro García Linera, que também deixou o cargo neste domingo.

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