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Metade das exportadoras depende do mercado doméstico

Exportações geram menos que 10% da receita bruta da maior parte das empresas

Negócios Internacionais / 10 Dezembro 2018

Grande parte dos exportadores vê o mercado internacional como uma fonte secundária de receitas e depende fortemente da demanda nacional por seus produtos. Dados da pesquisa Desafios à Competitividade das Exportações Brasileiras 2018 mostram que, para quase metade das empresas analisadas (46,4%), as exportações geram menos do que 10% da receita bruta. Por outra ótica, apenas 10,5% das empresas obtêm quase o total de suas receitas das exportações.

Na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), os números refletem, de um lado, a dificuldade das empresas de se inserir no mercado internacional em função de problemas estruturais do Brasil e, de outro, o fato de elas ainda não terem incorporado a internacionalização como parte integral de sua estratégia de negócios. “Os números mostram que as empresas exportam há bastante tempo, mas o seu negócio é ancorado no mercado doméstico. É importante ter um equilíbrio, dividindo as receitas entre o mercado nacional e o internacional, para que as empresas se protejam em momentos de crise”, afirma o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi.

O diretor ressalta que, para que a economia cresça de forma sustentada, as empresas precisam colocar o mercado internacional no centro de sua estratégia. “Países como a Coreia do Sul buscaram uma orientação exportadora a partir dos anos 1970 e a China, a partir dos anos 1990. Os números mostram que, além de a internacionalização ser importante para o equilíbrio das empresas, aquelas que exportam inovam mais e pagam melhores salários”, diz Abijaodi.

 

Faturamento de eletroeletrônicos cresce 7%

O faturamento da indústria eletroeletrônica deve encerrar 2018 em R$ 146,1 bilhões, um crescimento de 7% em relação ao ano passado (R$ 136 bilhões). Os dados foram divulgados pela Abinee; Esse resultado representa um incremento real de 2% no faturamento, descontando a inflação do setor que, segundo o Índice de Preços ao Produtor (IPP), ficará em torno de 5% em 2018. Para a produção industrial, a Abinee estima aumento de 2% na comparação com 2017. Já os investimentos devem crescer 7%, fechando o ano com resultado de R$ 2,7 bilhões, ante para R$ 2,5 bilhões, em 2017. A utilização da capacidade instalada do setor permanece estável em 77%.

Este é o segundo ano consecutivo de crescimento, o que demonstra que estamos em processo de recuperação, ainda que lenta”, diz o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato. Ele ressalta, entretanto, que a atividade produtiva foi aquém das expectativas para 2018, em função da volatilidade cambial, da instabilidade dos mercados interno e externo, das incertezas quanto às eleições e da greve dos caminhoneiros.

 

Exportações de calçados param de cair

O mês de novembro trouxe uma boa notícia para os exportadores de calçados e todos os envolvidos na produção setorial brasileira. No mês passado, conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), foram embarcados 10,54 milhões de pares que geraram US$ 84,78 milhões, altas de 6,6% em volume e de 1,6% em receita no comparativo com igual mês de 2017. O dado interrompeu uma queda que vinha desde maio, mas não foi suficiente para recuperar o tombo no acumulado nos 11 meses do ano, que registrou quedas de 8,6% em pares e de 9,8% em receita no comparativo com mesmo ínterim do ano passado, somando 100,38 milhões de pares enviados ao exterior com um retorno financeiro de US$ 878,5 milhões – neste mesmo período de 2017, os números apontavam 109,86 milhões de pares e US$ 973,58 milhões.

O presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, destaca que, entre os principais destinos, os países sul-americanos, com exceção da Argentina, foram fundamentais para o índice positivo de novembro. No mês passado, os hermanos, que representam o segundo mercado internacional para o calçado brasileiro, compraram 586,88 mil pares pelos quais foram pagos US$ 8 milhões, quedas de 17,2% em volume e de 20,3% em receita no comparativo com o mesmo mês de 2017. “A Argentina passa por uma crise interna, com desvalorização brusca de sua moeda frente o dólar, o que deixa as importações mais caras para o consumidor. Além disso, existe uma determinação do FMI para que o país preserve suas reservas internacionais, o que deve seguir diminuindo nossas vendas para lá nos próximos meses”, projeta Klein.

 

Design para exportação seleciona empresas

Estão abertas até o dia 14 de dezembro as inscrições para empresas brasileiras interessadas em participar do Design Export, concurso pelo qual podem receber apoio técnico e financeiro para desenvolver o desenho e o visual de produtos e embalagens. O concurso é promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e o Centro Brasil Design (CBD). O edital vai selecionar 200 empresas brasileiras, das quais 100 do setor de alimentos e bebidas para o desenvolvimento de embalagens, e 100 de outros segmentos para desenvolvimento dos produtos e das embalagens. De acordo com a Apex, o objetivo é incentivar o uso do design pela indústria brasileira como ferramenta estratégica para aumentar e fortalecer as exportações.

Cada empresa escolhida terá um apoio de até R$ 18 mil para contratar um escritório de design cadastrado no programa e o acompanhamento de um consultor especializado em gestão na área. A metodologia usada é a Design na Prática, desenvolvida pelo CBD, que contempla a inserção do design nos negócios com ferramentas e etapas que minimizam riscos e potencializam resultados.

Mais informações – www.apexbrasil.com.br

 

Santos movimenta 110 milhões de toneladas

A movimentação de cargas no Porto de Santos, o maior do país, cresceu 1,5% de janeiro a outubro de 2018, em relação ao mesmo período no ano passado, alcançando 110,6 milhões de toneladas. Foram 4.026 atracações de navios, queda de 0,4%. Os dados foram divulgados pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). O número de contêineres aumentou 8,8%, atingindo 3,5 milhões TEU (medida padrão equivalente a um contêiner de 20 pés). O total de embarques foi de 78,98 milhões de toneladas, uma diminuição de 0,5% em relação ao ano passado.

Entre os produtos embarcados, a soja (grãos e farelos) foi a campeã, com 24,98 milhões de toneladas, alta de 20,8%. O segundo lugar ficou com o açúcar, com a marca de 12,89 milhões de toneladas, resultado 27,5% menor. Na terceira posição, está o milho com 8,37 milhões de toneladas, queda de 21,2%. Celulose teve 3,76 milhões de toneladas embarcadas, crescimento de 56,1%. Sucos cítricos registraram 1,92 milhões, subindo 13,6%.

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com