Mesmo com crise econômica, Brasil tem 14 mil novos milionários

EUA, Japão, Alemanha e China têm 61% do total global de indivíduos de alta renda

Mercado Financeiro / 23:17 - 10 de jul de 2019

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A crise econômica é sentida pela maioria da população do Brasil, mas uma pequena parte comemora mudança de status. Em 2018, segundo relatório anual sobre riqueza mundial da consultoria Capgemini, 14 mil brasileiros engrossaram o seleto grupo dos detentores de um patrimônio acima de US$ 1 milhão. Com isso, o número de milionários no Brasil cresceu 8%, passando de 171,5 mil pessoas para 185,5 mil.

O estudo, publicado pelo G1, considera os chamados HNWIs (high net worth individuals, em inglês - alto patrimônio líquido individual), que possuem fortuna maior que US$ 1 milhão, excluindo a residência de moradia, artigos colecionáveis e bens de consumo duráveis. Trata-se do segundo ano seguido de alta no número de milionários no país. O estudo mostra uma grande concentração dos milionários. Estados Unidos, Japão, Alemanha e China reuniram no ano passado 61% do total da população global de indivíduos de alta renda.

Apesar do aumento do número de milionários no Brasil no último ano, o patrimônio total deste grupo recuou 3% no período, para US$ 4,4 trilhões, segundo o levantamento. O relatório World Wealth Report 2019 mostra que, no mundo, o número de milionários caiu pela primeira vez em 2018 (-0,3%) depois de 7 anos seguidos de crescimento do patrimônio total das pessoas com alta renda. Na comparação com o ano anterior, houve queda de 3%, algo como US$ 2 trilhões a menos.

No mundo, o país mais atingido com a queda de patrimônio foi a China, que sozinha, foi responsável por mais da metade (53%) das perdas na Ásia-Pacífico e mais de 25% da queda na riqueza global.

“A riqueza dos HNWIs diminuiu em quase todas as outras regiões: 4% na América Latina, 3% na Europa e 1% na América do Norte. No entanto, o Oriente Médio contrariou a tendência, gerando um crescimento de 4% no patrimônio dos HNWIs e aumentando a população de alta renda em 6% devido ao forte crescimento do PIB e desempenho do mercado financeiro”, afirma o relatório.

O grupo dos ultra-ricos (fortuna acima de US$ 30 milhões) diminuiu em 4% e viu seu patrimônio encolher em cerca de 6%, respondendo por 75% da redução total da riqueza global no ano. Milionários intermediários (com algo entre US$ 5 milhões a US$ 30 milhões) representaram outros 20% do declínio total. E o segmento inicial, com indivíduos com patrimônio entre US$ 1 milhão a US$ 5 milhões (ou quase 90% da população das pessoas de alta renda) foi o menos afetado em 2018, já que sua riqueza caiu menos de 0,5%, segundo o relatório.

Apesar do declínio da riqueza, a confiança e a satisfação dos HNWIs nas empresas de gestão de patrimônio evoluiu 3% para cima em relação aos mais altos níveis já alcançados. No entanto, o relatório revelou uma oportunidade significativa para que os fundos de wealth (riqueza) abordem de forma proativa as crescentes expectativas dos indivíduos de alta renda.

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