Mercosul pode fechar acordo com europeus ainda este ano

Negociação com britânicos depende do andamento do Brexit.

Negócios Internacionais / 17:46 - 29 de jul de 2019

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Depois da União Europeia, o Mercosul pode fechar mais um acordo com países europeus até o fim do ano, informa o secretário de comércio exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz. O bloco sul-americano formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai terá mais duas rodadas de negociação com EFTA, grupo que reúne Suíça, Islândia, Noruega e Liechtenstein, e o governo federal está otimista com a possibilidade de concluir as negociações.

Assinaremos ainda este ano, com alto grau de certeza”, disse Lucas Ferraz, que participou da reunião da diretoria da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), no Rio de Janeiro. “É um acordo importante. Apesar de ser pequena, é uma região que é provavelmente o PIB per capita mais alto da Europa. Tem mais de uma vez e meia o PIB da Argentina, algo como 1,1 trilhão de dólares”.

Mercosul e EFTA devem retornar às negociações dentro de 30 dias e mais uma rodada de negociação deve acontecer até outubro. Até o fim de 2021, o secretário aposta ainda na conclusão de acordos comerciais do Mercosul com Canadá, Coréia do Sul e Cingapura, e, até o fim do mandato, o objetivo é se aproximar de um acordo com duas das maiores economias do mundo.

Temos já um diálogo exploratório com Estados Unidos e Japão. É algo que está no nosso radar até o final desse governo. Estamos muito otimistas de que se consiga até o final desse mandato concluir essas negociações”, afirmou Ferraz.

O secretário explicou que a forma como se dará a saída do Reino Unido da União Europeia pode fazer com que o Mercosul precise reiniciar as negociações com os britânicos, que têm até 31 de outubro para definir como se dará a separação, apelidada de Brexit.

 

Acaba IOF sobre câmbio de exportações

A Receita Federal não cobrará mais o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de câmbio relativas ao ingresso no Brasil de receitas de exportação. O Diário Oficial da União publica no dia 24, uma solução de consulta para esclarecer os exportadores sobre a incidência de IOF e reformular entendimento feito no ano passado.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), no final do ano passado, a Receita passou a exigir o recolhimento de 0,38% sobre divisas de exportações que entrassem no país. Na época, a interpretação da Receita era de que a isenção ficaria restrita aos que internalizassem o recurso da exportação no mesmo dia da operação.

De acordo com o Fórum de Competitividade das Exportações da CNI, as empresas não conseguem fazer a operação de câmbio de exportação no mesmo dia em que recebe o recurso. Entre os motivos estão o fuso horário, o recebimento de pagamento após o horário bancário, a complexidade das ações, que têm muitas etapas, e a impossibilidade de manter um funcionário para monitorar online a conta da empresa para saber se o pagamento foi recebido e providenciar imediatamente a operação de câmbio.

As empresas exportadoras ficaram muito preocupadas. Cerca de 90% desses recursos são internalizados, mas não no mesmo dia, devido a fuso horário, reserva para pagar fornecedores, entre outros motivos”, explicou a gerente de Política Comercial da CNI, Constanza Negri, acrescentando que a confederação apresentou vários documentos para questionar a mudança de interpretação das normas pela Receita

 

China abre mercado para lácteos brasileiros

A China abriu mercado para os produtos lácteos brasileiros. Os chineses habilitaram 24 estabelecimentos brasileiros para exportação de produtos como leite em pó e queijos. O anúncio foi feito pela ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) nesta terça-feira (23).

A ministra destacou que a abertura do mercado irá impulsionar a cadeia produtiva do leite. “Acho que é uma notícia excepcional para o setor leiteiro que passa por um momento muito difícil, sem esperança. E isso traz esperança para a indústria de leite”, comemorou.

Atualmente, há 1,2 milhão de pequenos produtores de leite no Brasil. “Fiquei muito feliz e gostaria de passar essa boa notícia para os produtores brasileiros, que estão vivendo um momento difícil, acabaram de perder R$ 0,30 no litro de leite, e agora vão poder ter a perspectiva. É claro que não é para amanhã, mas é uma abertura excelente para o Brasil”. Tereza Cristina destacou que “o Brasil sempre quis ter acesso ao mercado chinês, para poder tirar o produto do Brasil, melhorando, inclusive o preço dos produtores brasileiros”.

 

Couro do Brasil foi destaque no Vietnã e EUA

Os principais eventos mundiais do setor de couros no mês de julho tiveram uma importante participação do Brasil. Em Ho Chi Minh, a feira Shoes and Leather Vietnam teve a presença de quatro curtumes do país apresentando seus couros a um mercado em franca expansão. Em Nova Iorque, o Congresso Mundial do Couro, a Lineapelle (com seis curtumes do Brasil) e um debate com a Certificação de Sustentabilidade do Couro Brasileiro (CSCB) movimentaram a cena da criação de moda na cidade. Todas as atividades tiveram o apoio do Brazilian Leather, projeto de incentivo ao crescimento do couro do país no mercado externo desenvolvido pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Na avaliação de Rogério Cunha, da Inteligência Comercial do CICB, a feira do Vietnã teve resultados significativamente melhores para o Brasil em 2019 em comparação com 2018, com mais negócios in loco e maior projeção de vendas para os próximos meses. O país do sudeste asiático mantém-se como um dos mais relevantes para as exportações de couro do Brasil (quarta colocação) e firma-se como um gigante exportador de calçados do mundo (fechou o primeiro semestre de 2019 com crescimento de 14% nas vendas ao mercado externo), atrás apenas da China.

Em Nova Iorque, o mix de conhecimento e relacionamento comercial pautou os dias dedicados ao couro em julho. Os Estados Unidos sediaram pela primeira vez o Congresso Mundial do Couro (estrategicamente agendado para a véspera da Lineapelle), apresentando a novos designers e criadores da indústria fashion como este material pode ser uma ferramenta de disrupção na moda. Convergindo com o propósito de compartilhar experiências positivas do setor, a Lineapelle reservou um momento específico em meio à mostra comercial para o debate sobre certificações, com CSCB, LWG (Reino Unido) e ICEC (Itália); um público qualificado prestigiou a atividade, mostrando que transparência, garantias e parcerias são uma demanda em ascensão no setor de couro

 

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

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