Mercados no exterior fazendo recordes

Bovespa ontem só conseguiu passar para o campo positivo durante o call de fechamento, com valorização de 0,25%.

Opinião do Analista / 13:02 - 17 de jan de 2020

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Temos que iniciar nossos comentários de hoje ressaltando que ontem o mercado acionário americano voltou a registrar recordes históricos de pontuação em seus três principais indicadores, Dow Jones, Nasdaq e S&P-500. O índice Stoxx 600 também atingiu recorde hoje. Aqui na Bovespa, só conseguimos passar ao campo positivo durante o call de fechamento, com valorização de 0,25% e índice em 116.704 pontos, longe do recorde obtido em 03/01 de 118.791 pontos.

Balanços do quarto trimestre positivos divulgados nos EUA e indicadores também favoráveis motivaram os investidores, fazendo esquecer um pouco os riscos geopolíticos e o início do processo de impeachment de Trump pelo Senado (que não deve dar em nada). Hoje, mercados em todo o mundo operando com valorizações, o que ajuda o segmento local, mas não tem sido determinante.

Na China, durante a madrugada, foi divulgado o PIB de 2019 com expansão de 6,1%, sendo que no quarto trimestre com +1,5%. Mas a taxa de crescimento é a menor dos últimos trinta anos, apesar de esperada. Só lembrando que existiam previsões de que não conseguiria crescer 6%. Porém, os dados de dezembro mostraram reaceleração, com as vendas no varejo expandindo com taxa anualizada de 8% e a produção industrial com 6,9%.

No Reino Unido, as vendas no varejo de dezembro encolheram 0,6%, quando o esperado era alta de 0,9%. Já na Zona do Euro, a inflação medida pelo CPI de dezembro (consumidor) ficou em 2019 em 1,3%, com núcleo idêntico em 1,3%. No mês, inflação de 0,3%. Já na Coreia do Sul, o banco central decidiu manter a taxa de juros básica estabilizada em 1,25%.

Nos EUA, a Alphabet (Leia-se Google) passou para o seleto grupo das empresas que vale mais de US$ 1 trilhão, indo compor com Apple, Amazon e Microsoft. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 0,48%, com o barril cotado a US$ 58,80, o que ajuda nas cotações de Petrobras por aqui. O euro era transacionado em queda para US$ 1,112 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,82%. O ouro e a prata também mostravam altas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

No segmento doméstico, o governo decidiu reajustar a planilha de fretes em 15%, atendendo pleito dos caminhoneiros. Já o ministro Paulo Guedes, que está no exterior, e a caminho da reunião de Davos, deve dizer que em um ano o governo tirou o país do abismo fiscal, mas nossa visão é de que continuamos a fazer piquenique à beira desse abismo, não podendo relaxar.

A Fipe anunciou o IPC da segunda quadrissemana de janeiro com inflação desacelerando para 0,41%, de anterior em 0,78%. Em live realizada ontem, o presidente Bolsonaro criticou a Argentina e acrescentou que o Chile está se encaminhando na mesma direção.

No mercado, nossa expectativa é de que a Bovespa possa acompanhar a boa performance externa, com dólar realizando lucros recentes e juros em queda. Porém, teremos indicadores importantes nos EUA, com a produção industrial de dezembro e a confiança do consumidor de Michigan de janeiro que podem mexer com os mercados. Teremos ainda três dirigentes regionais do Fed discursando e lembramos que Trump indicou dois novos diretores para o Fed, que aprovados terão mandato de 14 anos.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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