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Mercado de trabalho segue enfraquecido

Dados da Pnad Contínua mostraram deterioração na taxa de desocupação em março, encerrando o trimestre em 12,7%.

Opinião do Analista / 16 Maio 2019 - 11:40

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Bom dia.

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Mercado de trabalho segue enfraquecido por aqui - Os dados da Pnad Contínua mostraram uma deterioração na taxa de desocupação em março, encerrando o primeiro trimestre em 12,7%, quando havia encerrado o trimestre anterior em 11,6%. Mesmo considerando os dados de fevereiro, o número apresentou deterioração, de 0,3 p.p.. O dado reforça o sentimento de atividade econômica ainda anêmica por aqui. Dois indicadores de inflação medidos pela FGV, o IPC-S e o IGP-10 desaceleraram em maio. Em Brasília, o número de incêndios que o governo precisa apagar segue elevado, aumentando a desconfiança dos investidores com a aprovação da reforma da previdência. Cenário de médio/longo prazo ainda é positivo para as ações brasileiras, mas com muita turbulência no caminho.

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Dia sem grandes novidades lá fora - Na Ásia, dia sem direção definida, com as empresas locais repercutindo as notícias de ontem. As montadoras subiram na esteira da notícia que o governo americano adiaria a elevação de tarifas sobre automóveis, mas companhias do setor de telecom operaram pressionadas pela declaração de estado de emergência de Trump por conta do "risco contra a tecnologia norte-americana" mirando as fabricantes chinesas. Na Europa, o destaque é a multa bilionária da Comissão Europeia sobre cinco bancos por manipulação no mercado cambial, o que pressiona os papéis do setor. A balança comercial europeia trouxe um superávit de € 22,5 bilhões, abaixo do mês anterior, mas com avanço tanto nas exportações quanto nas importações. Já nos EUA, alguns indicadores do mercado imobiliário no radar e a continuação da temporada de balanços, com o Walmart superando as expectativas e seus papéis respondendo positivamente, o que deve ajudar na abertura por lá.

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Margens apertadas da Sinqia (SQIA3) não são, necessariamente, má notícia - A companhia tem investido bastante nos últimos trimestres, tanto em crescimento orgânico quanto em inorgânico. Os gastos com pesquisa, desenvolvimento e inovação cresceram em R$ 1,9 milhão na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Apenas o crescimento dessa linha representa praticamente 5% da receita da companhia no trimestre. Além disso, foram gastos R$ 2,1 milhões com despesas relacionadas às últimas três aquisições da companhia. Vale ressaltar que o valor pago pelas empresas não estão incluídos nessa conta. O resultado disso é um crescimento sólido da carteira de contratos recorrentes da Sinqia, que era de R$ 79,1 milhões (base anual) no 1T18, chegou a R$ 90,8 milhões nesse trimestre considerando apenas crescimento orgânico, ou seja, alta de quase 15%, e colocando as aquisições, a carteira ficou em R$ 113,5 milhões, alta de 43,5% em doze meses. A tendência é que no decorrer desse ano, os novos contratos e a integração das aquisições continuem gerando aumento no top line, que nesse trimestre foi de 18,1%, com a volta da expansão das margens. Mantemos nossa visão positiva para a companhia.

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Marfrig (MRFG3) tem melhora em seus números - No 1T19, a receita líquida ficou 7,6% superior ao 1T18. Essa melhora é explicada, principalmente, pelo aumento das receitas da operação América do Norte e pela depreciação do real em relação ao dólar, compensando a menor receita líquida na operação América do Sul. Com isso, o Ebitda ajustado apresentou expansão de 15,9% na comparação com o 1T18, com margem Ebitda de 5,7%, alta de 0,4 p.p. Por fim, o seu resultado final veio positivo, revertendo o prejuízo líquido reportado no mesmo período do ano anterior. A companhia também anunciou o seu guidance para o ano de 2019 com uma faixa para receita líquida entre R$ 47 bilhões e 49 bilhões, 12% acima da receita reportada no ano de 2018, quando olhamos o piso do valor, já para margem Ebitda a projeção é de 8,7% a 9,5% e um fluxo de caixa livre de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão, bem em linha com o reportado no ano anterior.

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Le Lis Blanc (LLIS3) reporta fraco desempenho - A receita líquida deste 1T19 caiu 19,6% se comparada a do 1T18, prejudicada pela integração das operações digitais, além da redução de vendas promocionais impactando cada uma das marcas do varejo de maneira diferente, sendo que a marca mais afetada foi a Dudalina. O Ebitda e o seu resultado final também vieram piores, refletindo a redução do faturamento e os maiores custos e despesas. Esperamos reação negativa em suas ações no dia de hoje.

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Positivo (POSI3) registra queda em seus números - A receita líquida caiu 16,2% se comparada a do 1T18, com o volume de PCs apresentando contração de 48,1% afetado pela elevação dos preços em virtude do repasse da alta do dólar e dos impostos, resultando na queda de 41,3% em sua receita no segmneto, já o mercado de celulares apresentou crescimento de volume e receita no 1T19. Desta forma, o Ebitda veio menor em 22,4%, com queda de 0,4 p.p. na margem. Por fim, o seu resultado final continua pressionado, com prejuízo líquido de R$ 4,6 milhões no 1T19, resultado inferior ao 1T18, quando foi apurado lucro de R$ 2 milhões. Acreditamos que suas ações irão performar negativamente no pregão de hoje.

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Eucatex (EUCA4) tem melhora em seu resultado - A receita líquida subiu 17,3% ante o 1T18, decorrente da maior receita do segmento madeira que subiu 19% e pela divisão tintas que apresentou alta de 10,3% com avanço de preço nas duas divisões. A margem bruta veio maior quando comparada com a do mesmo período do ano anterior, reflexo do aumento nas vendas de chapa de fibra, além da recuperação nos preços de alguns de seus principais produtos. O Ebitda cresceu 29,3%, com a margem avançando em 1,7 p.p., dado melhora no faturamento e o controle de despesas do período. O lucro líquido apresentou crescimento de 237,8% quando comparado ao 1T18.

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Saraiva (SLED4) tem resultado bem fraco - A companhia, que está em processo de recuperação judicial, registrou prejuízo de R$ 63,8 milhões neste 1T19, revertendo, assim, o lucro líquido de R$ 1,3 milhão no mesmo período de 2018. No período, o destaque negativo ficou com a queda de 62,1% na receita de suas lojas físicas, ocasionada pelo fechamento de lojas e também pela queda de 67% em seu comércio online, sendo prejudicado pela falta de abastecimento de produtos. Com isso, sua receita líquida apresentou redução de 64,1% se comparado ao 1T18. O Ebitda ficou negativo em R$ 47,1 milhões, contra um montante positivo de R$ 24,6 milhões no mesmo período do ano passado, mesmo que no período a empresa tenha conseguido reduzir suas despesas.

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Geração pressiona margem da Alupar (ALUP11) - O custo com compra de energia triplicou neste 1T19, contra o mesmo período de 2018, devido à estratégia de sazonalização adotada pela companhia. Assim, mesmo diante do efeito positivo da entrada em operação comercial de uma pequena central hidrelétrica e do maior preço médio de venda, que impulsionaram a receita líquida e o Ebitda, a margem do segmento ficou pressionada. Em transmissão, houve o impacto, já esperado, do corte de 50% na receita anual permitida de dois empreendimentos, que foi, em boa medida, recompensado pelo reajuste da RAP e pelo controle de custos e despesas. Dessa forma, no consolidado, o Ebitda regulatório foi 4% inferior ao de um ano atrás, enquanto a margem caiu 15 p.p., para 62% agora. A divulgação, entretanto, não deve trazer influência relevante para os papéis da Alupar no pregão de hoje.

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Resultado fraco da Metal Leve (LEVE3) - A Argentina, consolidada pela companhia nos números do mercado doméstico, é um dos motivos para tal desempenho, com queda de quase 60% na venda de veículos. A variação cambial de lá também trouxe impacto negativo, mitigando parte dos ganhos com aumento de volume e preço no Brasil. O mercado de peças de reposição foi mais resiliente. As exportações, que representam cerca de 45% do total, também patinaram, com o crescimento econômico bastante fraco na Europa (destino de quase 50% das vendas lá fora). De toda forma, o Ebitda teve leve avanço, de 1% ante o 1T18, com margem estável em 19%. Já o lucro líquido foi impacto pela maior despesa financeira neste trimestre, recuando 10% no período. Os papéis LEVE3 devem responder de forma marginalmente negativa à divulgação.

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Outro desempenho fraco da Ultrapar (UGPA3) - Os números da companhia parecem denotar uma recuperação importante frente ao 1T18, a primeira vista, entretanto, expurgando um efeito não recorrente, relacionado ao pagamento de multa à Petrobras, naquele trimestre, vemos um resultado ainda bastante fraco, com redução de no Ebitda dos principais negócios, com queda de 12% no consolidado e de 0,5 p.p. na margem, agora em 3,4%. Em distribuição de combustíveis, via rede Ipiranga, houve leve recuperação de volume, mas a maior participação de etanol no mix de vendas comprimiu a margem de comercialização. Na Oxiteno o movimento foi parecido, com a maior participação de commodities e os custos relacionados ao início das operações da nova fábrica nos Estados Unidos pressionando o resultado. A Ultracargo foi único negócio a apresentar crescimento de Ebitda no período. Cabe destacar, que a empresa anunciou um acordo com o Ministério Público, referente ao incêndio no terminal de Santos (2015), onde irá desembolsar R$ 67,5 milhões até setembro de 2020. Há provisão de R$ 15 milhões até agora e o valor remanescente será provisionado no 2T19. As ações da Ultrapar devem reagir de forma negativa às novidades.

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Lucro da Light (LIGT3) avança, mas perdas e alavancagem ainda preocupam - O grande responsável por essa melhora foi o segmento de geração, com o maior volume de venda e a expressiva alta no preço do mercado de curto prazo alavancando o Ebitda, margem e lucro do segmento. Em distribuição, o clima mais quente neste início de ano puxou a demanda, mas ainda assim, os números seguiram fracos, com alta no custo com compra de energia e nova evolução das perdas não técnicas, que chegaram a 47% neste 1T19, contra 41% do 1T18 e a meta regulatória de 36%. A alavancagem foi outro ponto negativo, com a relação dívida líquida/ Ebitda (3,7 vezes) se aproximando ainda mais do covenant de dívidas (3,75x). De toda forma, as ações da elétrica devem responder de forma marginalmente positiva ao avanço de quase 78% no lucro líquido consolidado.

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Bons negócios!

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