Mercado de trabalho se expande no primeiro semestre

Conjuntura / 17 Julho 2017

Apesar de ainda apresentar queda na comparação com 2016, o Índice Catho-Fipe de Novas Vagas de Emprego mostra crescimento do mercado de trabalho em 2017 (+8,5%, na comparação com dezembro de 2016). Por outro lado, na comparação interanual, a variação foi de -8,3%. Quando comparado ao mês imediatamente anterior, houve aumento de 3,2%.

O Índice de Novas Vacâncias também registrou alta em 2017 (+4,6%, na comparação com dezembro de 2016) e queda com relação a junho de 2016 (-9,6%). Com relação a maio de 2017, houve alta de 1,6%.

Por fim, o Índice Catho-Fipe de Vagas por Candidato continua apontando para um aumento da concorrência entre candidatos por uma vaga de emprego com relação a maio de 2016. Na comparação interanual, a relação vagas/candidato caiu 23,3%. Com relação a maio de 2017, houve aumento de 3,8%.

O Índice Catho-Fipe de Novas Vagas é calculado com base com dados de novas vagas de emprego anunciadas no site da Catho. Seu valor está relacionado com a dinâmica da atividade econômica do país, sobretudo no que se refere a mudanças na geração de postos de trabalho. Já o Índice de Novas Vacâncias é calculado com base na razão entre novas vagas de emprego (Índice Catho-Fipe) e população economicamente ativa (PME-IBGE). Quanto maior o seu valor, menor tende a ser a taxa de desemprego. E o Índice de Vagas por Candidato é calculado com base na razão entre as vagas de emprego e o número de candidatos em um determinado período. Movimentos no indicador apontam para mudanças no poder de barganha e negociação salarial no mercado de trabalho: valores mais altos indicam maior poder de barganha dos trabalhadores, pois há mais vagas disponíveis por candidato.

Já de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), cujos dados foram divulgados hoje pelo Ministério do Trabalho, em Brasília, o Brasil fechou o mês de junho com novo saldo positivo na criação de empregos. Foram abertos 9.821 postos de trabalho, em todo o país - uma variação de +0,03% em relação ao estoque do mês anterior. Esta foi a terceira expansão consecutiva e a quarta registrada este ano. O resultado de junho reflete a diferença entre 1.181.930 admissões e 1.172.109 desligamentos. No acumulado do ano, o crescimento chega a 67.358 vagas abertas, representando expansão de 0,18% em relação ao estoque de dezembro de 2016. Em igual período de 2016, o saldo foi negativo em -531.765.

No acumulado dos últimos 12 meses, o Caged ainda aponta uma redução de 749.060 postos de trabalho, mas na comparação entre o saldo positivo de junho de 2017 (+9.821 postos) com o mesmo mês do ano passado (-91.032 postos) e de 2015 (-11.199 postos), a recuperação do mercado de trabalho se mostra significativa.

O saldo positivo de junho foi impulsionado por dois setores. A agropecuária fechou o mês com 36.827 novos postos (+2,29%), repetindo o bom desempenho de maio, quando já havia registrado saldo positivo de 46.049 novos postos de trabalho. Mais uma vez, o cultivo de café foi o carro-chefe do crescimento, com 10.804 postos criados, principalmente em Minas Gerais.

Também se destacaram os subsetores de atividades de apoio à agricultura, que teve 10.645 vagas abertas, concentrado em São Paulo; cultivo de laranja, que abriu 7.409 postos, também concentrado em São Paulo; e o cultivo de soja, que teve 2.480 novas vagas, principalmente em Mato Grosso.

O outro destaque setorial foi a administração pública, que fechou o mês com a criação de 704 novas vagas de emprego (+0,08%). Já os demais setores apresentaram redução construção civil, com -8.963 postos (-0,40%), indústria de transformação, com -7.887 postos (-0,11%), serviços, com -7.273 postos (-0,04%), e comércio, com -2.747 postos (-0,03%).

Na indústria de transformação, no entanto, três subsetores se destacaram com saldos positivos. O número de contratações foi maior que o de desligamentos na indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico, com +3.772 postos (+0,20%); indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos, com +1.376 postos (+0,16%); e indústria química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, com +735 postos (+0,08%).

No setor de serviços, também houve criação de novas vagas no subsetor de serviços médicos, odontológicos e veterinários, que teve 7.266 novos postos abertos.

O desempenho regional do emprego com carteira, em junho, mostra que o Sudeste liderou a criação de vagas, com 9.273 novos postos (+0,05%). O desempenho da região foi puxado por Minas Gerais, que teve saldo positivo de 15.445 postos, graças à expansão dos setores de agropecuária (+17.161 postos) e serviços (+901 postos).

Outro destaque entre as regiões foi o Centro-oeste, que abriu 8.340 vagas (+0,26%). Nesse caso, o saldo positivo foi impulsionado pelo Mato Grosso, com 5.779 vagas abertas, principalmente nos setores de agropecuária (+2.614), comércio (+1.070), serviços (+761), construção civil (+757) e indústria de transformação (+531). Goiás também teve forte expansão, com 4.795 novos postos, refletindo o desempenho de indústria de transformação (+2.117), serviços (+1.486) e construção civil (+628).

 

Comércio responde por mais de nove milhões de postos com carteira assinada

De acordo com a última Relação Anual de Informações (Rais), de 2015 emprega 9.532.622 brasileiros com algum vínculo formal na atividade. O setor só fica atrás do segmento de Serviços, que conta com 17.151.312 empregados registrados.

O coordenador geral do Caged, Mário Magalhães, destaca que o setor tem uma grande capacidade de geração de empregos formais quando a economia nacional está em ascendência, e oferece flexibilidade para o trabalhador driblar o desemprego em momento de crise econômica com a criação de negócios autônomos formais e informais.

- Essa flexibilidade faz do comércio uma atividade fundamental, sobretudo, em momentos com restrições econômicas, pois oferece muitas alternativas de obtenção de renda. Mas o desejável, com o retorno do crescimento econômico, é que o setor amplie a formalização do trabalho proporcionando a todos os direitos trabalhistas. E que os trabalhadores, seja autônomo ou ambulante, continuem contribuindo com a previdência para garantir o tempo de contribuição para sua aposentadoria - observa Magalhães.

De acordo a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae), o setor varejista do Comércio foi responsável por 83% do total dos trabalhadores com vínculo na atividade, totalizando 7.915.408 pessoas. Os demais 1.617.214 estão no segmento atacadista.

Produtos alimentícios, hipermercados e supermercados predominam na capacidade empregadora do comércio, com 1.261.157 trabalhadores envolvidos nessas atividades. Outras áreas que também se destacam na geração de postos de trabalho são empresas varejistas de ferragens, madeiras e de materiais de construção, com 650.645 mil pessoas registradas. Em seguida, os estabelecimentos de produtos farmacêuticos para uso humano e veterinários registram 462.206 trabalhadores, segundo a Rais.

- As contribuições do comércio são valiosas, por isso, precisamos que o setor, um dos mais afetados pela crise econômica, restabeleça a capacidade de geração de empregos. Para tanto, é preciso que haja recuperação da massa salarial na economia como um todo, o que tem impacto na redução do endividamento das famílias, resultando também no aumento de consumo de bens e, consequentemente, na criação de empregos na atividade - ressalta Mário Magalhães.