Meio ambiente manchado

Serão cada vez maiores os impactos socioambiental e econômico nos ocenaos se não tivermos uma atitude ativa.

Meio Ambiente / 18:27 - 1 de nov de 2019

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O ano de 2019 ficou marcado por grandes tragédias ambientais no Brasil. A lama de rejeitos da Vale em Brumadinho, as queimadas na Amazônia Legal e mais recentemente o óleo negro derramado no oceano e que chegou às águas brasileiras, contrastando com o mar claro e as areias brancas de praias preservadas do Nordeste. Não obstante o repúdio e a preocupação da população brasileira e da comunidade internacional, e apesar dos esforços pessoais dos voluntários para conter a propagação do óleo nas praias, uma atitude de precaução depende não só dos governos, mas de escolhas no dia a dia de cada um de nós, muitas vezes nem tão simples de serem adotadas.

O óleo negro em nossas águas atinge tanto a fauna e flora marinhas quanto o lixo nelas atirados e acumulados todos os dias. Dado a extensão dos oceanos, que ocupam mais de 70% da superfície do planeta, muitos creem equivocadamente que as marés funcionam como uma grande draga, que os oceanos são capazes de suportar o esgoto e lixo que produzimos, absorver águas de lastro poluídas, limpezas de cascos de navios, restos dos óleos dos abastecimentos e da exploração de petróleo, e muitas outras emissões poluentes produzidas pelas atividades humanas não acidentais.

É no azul dos oceanos o habitat de inúmeras espécies animais ou mesmo a origem de toda a espécie humana. Neles residem a maior diversidade de espécies do planeta, ainda maior que a das florestas: desde pequenos micróbios e algas minúsculas até gigantescas baleias, totalizando, aproximadamente, mais de 250 mil espécies marinhas Uma gota de óleo, dependendo de sua densidade, pode tanto chegar às praias e com sorte ser recolhido, como pode instalar-se no fundo do mar destruindo a flora e milhões de criaturas marinhas que interagem numa simbiose capaz de conservar a vida dentro e fora da água. A esse respeito saliente-se que o plâncton marinho é o maior sorvedouro de CO² do planeta.

Por isso a necessidade de adoção dos princípios da precaução e da prevenção não apenas em relação às águas mas aos demais bens ambientais. A exploração crescente do pré-sal, o aumento do comércio externo tendo como via as águas nacionais e internacionais, o desenvolvimento do turismo marítimo, o crescimento da população em geral e da média de vida, inclusive com a forte demanda no consumo de peixe e crustáceos, determinam que serão cada vez maiores os impactos socioambiental e econômico se não houver uma atitude proativa de todos, principalmente dos governos, em defesa dos oceanos.

Cobrar maior rapidez e transparência das autoridades quanto a forma de prevenir a chegada do óleo negro às praias e ambientes marinhos é tão salutar quanto adotar atitudes diárias que minimizem o impactos das emissões poluentes nos oceanos. Também os pactos e acordos internacionais, que possam resultar em perigo de poluição das águas, devem incluir compromissos com planos de prevenção e contenção dos danos.

Cabe lembrar que o Brasil possui desde 2013 um Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional (Decreto Nº 8.127, de 22 de Outubro de 2013), que fixa responsabilidades, estabelece estrutura organizacional e define diretrizes, procedimentos e ações, com o objetivo de permitir a atuação coordenada de órgãos da administração pública e entidades públicas e privadas.

Todavia, sem muita coordenação dos órgãos administrativos, a mancha de óleo, que possuía na origem 55 km de extensão e 6 km de largura e que flutua ao sabor das correntezas, deixando rastros no fundo do mar, agora ameaça chegar ao arquipélago de Abrolhos o maior complexo de recifes de coral do Atlântico Sul. O banco de Abrolhos (Bahia e Espírito Santo), é uma região protegida pelo Parque Nacional Marinho dos Abrolhos e pelas Reservas Extrativista (Resex) Marinha de Corumbau, Canavieiras e Cassurubá. Todas estas unidades de conservação apresentam impacto positivo nas atividades de turismo e pesca sustentáveis na região.

Espera-se que as autoridades sejam eficazes nas atividades de contenção, limpeza e informação a fim de evitar maiores danos ambientais causados pelo óleo negro. Assim, as ações humanas que envolvam ou possam envolver a exploração de recursos naturais com perigo de contaminação dos mares e seus ecossistemas devem ser dotadas de uma visão holística do meio ambiente e de que cabe a cada um o dever de protegê-lo para as presentes e futuras gerações.

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