Meio ambiente enfraquecido na pauta global

Embora principais objetivos da COP25 não tenham sido atingidos, maior participação da sociedade e dos jovens é sinal de esperança.

Meio Ambiente / 15:10 - 3 de jan de 2020

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Mesmo após um ano de catástrofes relacionadas ao clima, com tempestades inundações e incêndios florestais, os governos presentes na COP25 não compreenderam a importância de um acordo global para o enfrentamento da crise climática. Cerca de 200 países participaram da conferência da ONU, sediada no mês de dezembro em Madri, após a desistência do Brasil e do Chile, a fim de darem prosseguimento às ações do Acordo de Paris de 2015 contra o aquecimento global.

O documento final, intitulado “Chile–Madri, hora de agir”, foi assinado após longo impasse nas negociações e estabeleceu que os países devem apresentar em 2020 compromissos mais concretos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, visando conter o aumento da temperatura global no limite de 1,5°C até o fim do século. Se não houver mudanças, o mundo está a caminho de aumentar a temperatura de 3° a 4°C, o que pode gerar consequências graves para diversos países e sua população.

Não foi aprovada a principal proposta sobre a criação de um sistema de mercado de carbono, no qual países que emitam menos possam vender créditos de CO2 a países mais poluidores. Todavia houve avanços em relação ao controle do comércio dos direitos de emissão de carbono.

Mesmo diante da relutância do Brasil em aprovar os parágrafos 30 e 31 que se referiam ao papel dos oceanos e do uso da terra sobre os efeitos climáticos, houve ao final concordância acerca de incentivos a estudos científicos sobre a relação entre os oceanos e o solo com as mudanças climáticas.

O Brasil foi representado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que declarou que temos uma legislação ambiental restritiva, com 80% da Amazônia preservada e 60% da mata nativa, e, por isso os “vilões” são os que acabaram com suas florestas e poluíram por mais de 100 anos a atmosfera com combustíveis fósseis.

Em meio a impasses, houve acordo para atingir a neutralidade nas emissões de carbono no bloco europeu até 2050 e também quanto a aplicação de uma taxa aos produtos externos ao bloco que “não respeitem as mesmas exigências climáticas que as empresas europeias”.

Ao final, embora os principais objetivos da COP25 não tenham sido ainda atingidos, a exemplo de um acordo global para regulação do mercado de carbono, verdade é que a participação paralela cada vez maior da sociedade civil e dos jovens, com a cobrança de ações concretas para compensar o planeta para as presentes e futuras gerações é sinal de esperança e de que essa “onda verde” mais do que uma vontade política é uma urgência de todos. Que venha a COP26 em 2020 sob esse manto verde de esperança.

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