Fracasso do leilão leva governo a alijar Petrobras

Dois dos quatro blocos não tiveram ofertas; estatal ficou com os demais.

Mercado Financeiro / 14:06 - 6 de nov de 2019

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O megaleilão do pré-sal “micou”. Apenas duas das quatro áreas foram arrematadas. O consórcio entre a Petrobras e as chinesas CNODC e CNOOC arrematou o bloco de Búzios pela oferta mínima de 23,24% do excedente, sendo esta a única oferta válida.
A Petrobras, sozinha, arrematou o bloco de Itapu, pela oferta de 18,15% do excedente. Os blocos de Sépia e Atapu não tiveram ofertas válidas. No total, R$ 69,9 bilhões foram arrecadados. A ex-pectativa era de arrecadação de R$ 106,5 bilhões.
O fracasso do leilão serviu de alegação para o governo apoiar projeto do senador José Serra (PSDB-SP) que acaba com o polígono do pré-sal. Nesta área, a lei garante à União participação nos contratos e dá preferência à Petrobras. A decisão foi comunicada pela secretária de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Renata Isfer.
O resultado, frustrante para o governo, colocou em dúvida a confiança dos investidores internacionais no país, mantra da equipe econômica. Analistas, porém, não descartam que os campos sejam revendidos pela Petrobras, quando os investimentos no desenvolvimento da produção estiverem concluídos, gerando um negócio lucrativo para os compradores.
O dólar teve a maior alta em sete meses, cotado a R$ 4,082. A Bolsa de Valores fechou em queda de 0,33%. As ações da Petrobras também caíram, 0,2%, para R$ 29,71.
Para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, “é informação negativa sem dúvida nenhuma. A nossa expectativa era que o setor privado tivesse maior interesse. Agora vamos ver com os analistas do setor, o porquê o setor privado fugiu do leilão de hoje”.
O analista Artur Araújo afirmou que “além da Petrobras, só as estatais chinesas puseram dinheiro no leilão. As outras petroleiras estrangeiras refizeram suas análises de risco e comenta-se terem avaliado que há muita insegurança política e jurídica no Brasil de Bolsonaro para colocarem bilhões de dólares em um país instabilizado por seu próprio governo”.
Analistas do setor financeiro estavam perplexos com o leilão: “Há frustração em relação ao leilão, com a Petrobras levando 90% do consórcio de Búzios”, disse Flavio Serrano, economista sênior do banco Haitong à Reuters. “Havia expectativa de maior participação de empresas estrangeiras.”

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