Matérias-primas escapam à turbulência nos mercados

Mercado Financeiro / 07 Fevereiro 2018

Commodities continuam sendo aposta dos analistas para investimento

As commodities iniciaram o ano com grande valorização e subiram em janeiro para o nível mais alto desde 2015, diante das perspectivas de um forte crescimento global, que levam a uma maior procura de matérias-primas. 
Nos últimos dias assistiu-se a uma queda nos mercados, que fez com que Wall Street já tenha perdido o equivalente a 7% do PIB dos Estados Unidos. Mas as commodities continuam se mantendo fora dessa tendência.
Apesar do cenário nebuloso, o Bloomberg Commodity Index recuou apenas 0,1% desde o início do ano. Sendo que os ganhos registrados pelos metais preciosos e gás natural travaram o impacto da queda do petróleo e de outros metais industriais. O petróleo fechou esta terça-feira em queda pela terceira sessão consecutiva. O barril de light sweet crude (WTI) para entrega em março perdeu 76 centavos, a US$ 63,39, no New York Mercantile Exchange.
Já o ouro mais uma vez provou fazer jus ao seu status de principal ativo de refúgio e, apesar de fechar em queda para US$ 1.325,4 a onça, bateu no pico dos últimos seis meses.
Um dia após a forte turbulência nos mercados internacionais, provocado pela queda do índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York – que fechou a segunda-feira desabando 4,6%, o maior recuo diário desde 2011 – a terça-feira foi de recuperação. 
O Dow Jones terminou a sessão em alta de 2,34%. O principal indicador da Bolsa de Nova York subiu 567,02 pontos, para 24.912,77. O S&P 500 fechou em alta de 1,74%, para 2.695,14, enquanto o índice composto da Nasdaq avançou 2,13% e fechou aos 7.115,88 pontos.
Desde sexta-feira, os mercados financeiros de todo o mundo atravessam momentos de turbulência por causa de dados recentes da economia norte-americana.
Analistas dizem que a queda das ações é uma correção após as máximas recentes e não encontram razões para acreditar que se trate de um movimento profundo. Para o diretor da Liberta Global, escola de investimentos internacionais da empresa de serviços financeiros L&S, Leandro Ruschel, a turbulência no mercado internacional ainda não pode ser classificada de crise.
“Ainda não podemos chamar de crise, é normal o mercado corrigir de tempos em tempos. A bolsa sempre trabalha com expectativa futura e não com o presente. Por enquanto, não é algo que afete a economia real, apenas sugere que estamos mais próximos do fim de um ciclo de expansão na economia global”, diz Ruschel.
Para o professor de macroeconomia do Ibmec e economista da Órama Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Alexandre Espírito Santo, ainda é cedo para classificar a volatilidade nos mer-cados estrangeiros como temporária ou duradoura.
Jeffrey Gundlach, investidor multimilionário defendeu recentemente que as matérias-primas podem ser um dos melhores investimentos deste ano, até porque tradicionalmente estes aumentam du-rante uma fase mais tardia de recuperação do ciclo econômico.