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Margem de lucro no gás é 13 vezes maior que na Argentina

Reajuste de 35% na tarifa industrial faz Fiesp protestar: ‘É uma afronta’.

Conjuntura / 08 Fevereiro 2019 - 23:10

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O reajuste médio de 35% na tarifa de gás natural para indústrias da Comgás fez a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) protestar: “Um reajuste dessa magnitude é uma afronta”, reclamou o presidente da entidade, Paulo Skaf. “Não há empresa capaz de lidar com variação abrupta de 35% no custo de qualquer insumo.”
A Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Arsesp) explicou que o aumento foi autorizado basicamente para repassar o preço do gás e transporte, determinados pelo fornecedor, a Petrobras. Garante a Arsesp que não foi feita nenhuma alteração na Margem Máxima da concessionária.
As margens de distribuição no Brasil, porém, estão muito acima das praticadas em mercados semelhantes ao nosso. Levantamento feito pelos economistas Yanna Clara, Edmar de Almeida e Gusta-vo Soares, publicado no Blog Infopetro, mostra que, em 2017, a média ponderada pelo volume de cada margem das distribuidoras resultou em US$ 2,7 por MMBtu.
Para comparação, os economistas levantaram os valores na Colômbia (cerca de US$ 1,6 por MMBtu), Peru (US$ 0,5 por MMBtu) e Argentina (menos de US$ 0,2 por MMBtu) e observaram que o valor no Brasil é extremamente alto em relação aos demais países. O texto ressalta a pouca transparência dos dados por aqui.
Os economistas apontam uma grande variação na margem de distribuição os consumidores industriais de pequeno, médio e grande portes. “Vê-se que o peso da margem para os consumidores das menores faixas é de mais de 50%, alcançando expressivos 62% na Bahiagás, por exemplo; enquanto dos consumidores de maior porte essa porcentagem fica entre 15% e 30%.”
Estudo da Confederação Nacional da Indústria mostrou que o preço médio do gás natural industrial alcançou US$ 14 por milhão de BTUs em julho de 2017, mais do que o triplo do que os US$ 4 por milhão de BTUs cobrados nos Estados Unidos, que é o maior produtor e o maior consumidor do combustível no mundo.
 

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