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Mapfre Investimentos: IPCA-15 de março deve atingir 0,23%

Opinião do Analista / 19 Março 2018

Segundo a companhia, reunião do Copom poderá contar com um alívio inflacionário no curto prazo

Esta semana conta com realizações de eventos e divulgações de indicadores relevantes tanto no exterior quanto no Brasil. No exterior, a agenda será marcada pela divulgação da produção industrial e da confiança do consumidor na União Europeia amanhã e quarta-feira, respectivamente. Além disso, ocorrerá a realização do Comitê de Política Monetária do Banco Central do EUA, o Fomc, na quinta-feira. No Brasil, por sua vez, contaremos com a reunião do Comitê de Política Monetária na quarta-feira e com as divulgações da nota do setor externo e do IPCA-15, ambas na sexta-feira.

Na sexta-feira será divulgado o IPCA-15 (prévia da inflação do mês vigente). A expectativa da Mapfre Investimentos é de continuidade de inflação baixa, justificada principalmente pelos preços de alimentos que continuam deflacionários ao consumidor. Apesar dos preços de alimentação apresentarem menor queda em relação ao mês de fevereiro, continuam contendo pressão inflacionária. A projeção para o IPCA-15 de março é de 0,23% em relação a última leitura.

Entretanto, quando é observado um horizonte mais amplo de inflação, é possível perceber, analisando os preços agrícolas ao produtor, que a partir de abril os preços de alimentos voltarão a subir, influenciando o crescimento da inflação. Soma-se a isso os efeitos de reajustes de energia elétrica pelas concessionárias Light (Rio de Janeiro) e Cemig (Minas Gerais) que também trarão efeitos inflacionários para a perspectiva de médio prazo.

A partir de abril retorna à possibilidade de acionamento de bandeiras tarifárias em relação ao consumo de energia elétrica, justificado pelo nível de reservatório inferior (quando comparado com anos anteriores) e pelo encerramento do chamado "período chuvoso" (período entre outubro e março em que se concentra o maior volume pluviométrico do ano). Portanto, apesar da inflação de março continuar baixa, no médio prazo (abril e maio) esperamos uma inflação maior.

Em resumo, a reunião do Copom poderá contar com alívio inflacionário no curto prazo. No médio prazo, entretanto, haverá novas pressões. E no longo prazo, o cenário seguirá contando com desafios. Entre os fatores de risco positivo estão os possíveis efeitos secundários do choque favorável nos preços de alimentos e a possível propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação. Entre os riscos negativos estão a frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e a reversão do cenário externo favorável para economias emergentes.

 

Gestão - A semana foi de realização de lucros nos principais mercados internacionais, com os investidores reagindo às medidas anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de taxação a importação de aço e alumínio na semana passada. O receio dos investidores é que se inicie uma guerra comercial entre as principais economias, dada a reação inicial de alguns países após o anúncio das medidas e ao tom protecionista do presidente norte-americano. Tal fato deverá exercer forte impacto sobre os mercados e prejudicar o setor siderúrgico mundo afora.

Por aqui, a Bovespa seguiu o movimento de queda das demais Bolsas. Destaque da semana para a divulgação do balanço da Petrobras. A empresa divulgou novo prejuízo, pelo quarto ano consecutivo, devido ao impacto não recorrente do pagamento de aproximadamente R$ 11 bilhões para encerrar uma ação nos EUA e de R$ 10 bilhões em regularização de tributos no Brasil. Excluindo estes efeitos, o resultado operacional apresentou avanços importantes, com aumento das exportações de petróleo e importante redução de despesas. Além disso, a empresa apresentou uma nova proposta de distribuição trimestral de dividendos que agradou os investidores. Apesar do impacto inicial ter sido negativo, observamos significativa melhora operacional e forte redução da alavancagem, o que sugere continuidade da recuperação da empresa e boas perspectivas para o futuro.

No mercado de renda fixa, observamos a continuidade do movimento de redução de prêmio de risco na curva de juros mais longa. Já a parte mais curta da curva, os investidores realizaram apenas ajustes finos nas posições, com pequenas variações, na expectativa da reunião do Copom que acontecerá na próxima semana. O resultado esperado (embutido na curva) é de mais um corte de 0,25%, encerrando o ciclo de redução da taxa Selic.