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Mapfre Investimentos: Inflação pressionada no segundo semestre

Opinião do Analista / 12 Junho 2018

Commodities, câmbio, fretes e combustíveis apresentam riscos inflacionários para o segundo semestre de 2018 - Em poucas semanas a percepção do mercado acerca do cenário econômico brasileiro parece ter mudado da água para o vinho. O real desvalorizando, as expectativas de PIB sendo revisadas para baixo e a incerteza quanto ao próximo governo têm aumentado o grau de incerteza da economia do país. Mas como a inflação reagirá frente a esse choque de realidade?

A Mapfre Investimentos sempre estimou uma taxa de câmbio mais alta que o mercado (com projeção de R$/US$ 3,47 ao final de 2018). Frente à forte desvalorização do real e a alta dos preços de commodities, é fácil compreender o aumento de 9% verificado no Índice de Commodities do Brasi (IC-Br) para todas as categorias (agropecuária, metal e energia). Segundo estudo realizado pela equipe de analistas da gestora, o impacto do aumento das commodities na inflação é espalhado em seis meses, de forma que os preços tendem a aumentar gradativamente. De imediato, esse dado indica que, ao longo do segundo semestre, os produtores devem aumentar preços, contribuindo para um cenário de inflação mais alta do que se esperava neste ano.

Entre as medidas anunciadas para encerrar a greve dos caminhoneiros está a Medida Provisória 832, que revisa as tabelas de preço mínimo para os fretes e as cargas, aumentando bastante os custos de transportes de várias cadeias produtivas. Também foi divulgada uma revisão do tabelamento proposto pela MP, que reduz parcialmente o que foi apresentado anteriormente. Existe, porém, um aumento significativo dos preços dos fretes que tende a ser repassado ao consumidor. Portanto, além de uma pressão cambial desfavorável para a inflação de 2018, temos um aumento relevante dos custos de transportes de mercadorias, que coloca pressão adicional nos índices de inflação deste ano.

A greve dos caminhoneiros obteve certo sucesso, ao conseguir redução de R$ 0,46 por litro consumido e congelamento do aumento do preço do diesel até o próximo mês. A grande questão que surge é que a Petrobras não parece disposta a alterar a dinâmica do cálculo de preço de combustíveis, mas sim a frequência de reajustes para o mercado nacional. Dessa forma, pressões causadas por câmbio e petróleo continuarão pressionando a inflação corrente, mas possivelmente com uma frequência menor.

A conclusão é que o segundo semestre de 2018 contém um componente inflacionário superior ao que se imaginava, devido a diferentes tipos de pressões. A expectativa é que, diante de um cenário com o real desvalorizando, custos de produtores aumentando e a continuação da política de preços de combustíveis (ainda que com frequência menor), a inflação tende a ser pressionada no segundo semestre.

 

Gestão - O nervosismo dos mercados aumentou substancialmente na última semana, com os ativos locais sofrendo a maior desvalorização desde o evento da JBS em maio do ano passado. Passada a greve dos caminhoneiros, o estopim inicial do estresse foi o pedido de demissão de Pedro Parente do comando da Petrobras. As ações preferenciais da estatal chegaram à mínima intraday de R$ 14,90, valor igual a dezembro de 2017, devolvendo todo o ganho de quase 60% alcançado no ano. A notícia da nomeação de Ivan Monteiro representa a continuidade da gestão anterior e pode trazer boas perspectivas para o futuro próximo da empresa.

Mas a aversão ao risco não parou por aí, o movimento global de apreciação do dólar frente às principais moedas mundiais se acentuou, e o real chegou a atingir níveis próximos a R$ 4 por dólar no mercado futuro, provocando nervosismo generalizado em todos os ativos locais e acionando stop de posições para diversos investidores até a quinta-feira. O presidente do Banco Central tentou acalmar o mercado após esta sessão, demonstrando a disposição da instituição em fornecer liquidez e diminuir a volatilidade extrema dos mercados, contribuindo para uma sessão mais tranquila na sexta-feira, com forte valorização da moeda brasileira.

Já no mercado de juros, o movimento de apreciação do dólar levou os investidores a precificar que o Banco Central deverá elevar os juros já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A curva de juros futuros chegou a embutir alta de 2,5% ainda neste ano na taxa Selic, distribuídos em 0,5% em todas as reuniões até o final de 2018. Acreditamos que o movimento recente de valorização da moeda americana, aliado aos efeitos da greve dos caminhoneiros provocarão aumento da inflação nos próximos meses e, por consequência, gerar mudanças na política monetária.