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Mapfre: investimentos indicam recuperação econômica lenta e gradual

Apesar de evolução positiva, ociosidade industrial e redução das concessões de crédito do BNDES impactam...

Opinião do Analista / 13 Março 2018

Apesar de evolução positiva, ociosidade industrial e redução das concessões de crédito do BNDES impactam investimentos

Nesta semana haverá a divulgação de diversos indicadores nacionais e internacionais. Fora do país, haverá o anúncio dos índices de fevereiro de inflação ao consumidor e ao produtor nos EUA; na União Europeia será divulgado o índice de inflação ao consumidor. Sem dúvida, essas divulgações provocarão volatilidade nos preços dos ativos.

No Brasil, o IBGE apresentará dados relevantes de atividade econômica, como a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) e a Pesquisa Mensal de Serviço (PMS), ambas de janeiro. A Fundação Getúlio Vargas, por sua vez, divulgará a Sondagem de Investimentos do primeiro trimestre de 2018. Uma das dúvidas referentes a esta sondagem é se os dados de investimentos apresentarão evolução positiva neste início do ano. Essa é um ponto importante, pois ciclos de recuperação econômica costumam contar com a liderança da Formação Bruta de Capital Fixo, ou seja, dos investimentos. Nesse sentido, os resultados dessa sondagem poderão confirmar, ou não, se o país está, de fato, diante de um ciclo de crescimento econômico.

Há sinais de otimismo. A Formação Bruta de Capital Fixo aumentou 3,8% na comparação interanual do quarto trimestre de 2017, enquanto a produção física de bens de capital cresceu 10,8% na mesma comparação. Os dados prospectivos também são positivos: a intenção de investimentos nos últimos quatro meses do ano passado, ante o mesmo período de 2016, subiu 24,6%, segundo o levantamento da FGV. A coleta de anúncios de investimentos da pesquisa da Rede Nacional de Informações sobre o Investimento (Renai), do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio, apresenta evolução positiva na mesma comparação interanual.

Isso não significa que devemos ser excessivamente confiantes em relação ao ciclo de recuperação econômica. Vale lembrar que a ociosidade dos fatores de produção conspira contra a retomada dos investimentos. O mesmo se pode dizer em relação à redução das concessões de crédito do BNDES. Por fim, ainda com a retomada dos investimentos descrita acima, a Formação Bruta de Capital Fixa encontra-se 27% abaixo da observada no terceiro trimestre de 2013, auge da série. Com isso, a taxa de investimentos mal atinge 15,5%, abaixo do índice necessário para o crescimento econômico sustentável de longo prazo, estimado em mais de 20%. Em resumo, estamos sim diante da retomada cíclica da economia brasileira, mas os dados de investimentos ainda apontam que esta acontecerá de forma bastante lenta e gradual.

 

Gestão - Outra semana de volatilidade nos mercados doméstico e externo. No ambiente internacional, o tema de maior discussão foi a aplicação de tarifas para importação de aço e alumínio nos EUA. O ruído foi tão grande no mercado financeiro que o presidente Donald Trump admitiu poder flexibilizar o plano de tarifação das importações, o que voltou a animar as bolsas de valores, que encerraram a semana com valorização acima de 3%. No mercado doméstico, o impacto da medida de sobretaxação do aço e alumínio foi negativo, uma vez que os EUA são os um dos principais destinos da produção do setor siderúrgico brasileiro.

No mercado de ações, além do impacto negativo do aumento das tarifas para importação de aço e alumínio em empresas do setor siderúrgico, o assunto que tomou conta da atenção dos investidores foi o envolvimento da BR Foods na operação Trapaça, desdobramento da operação Carne Fraca. A empresa encerrou a semana com desvalorização de 13,88%, chegando, no pior momento, a perder aproximadamente R$ 5 bilhões de seu valor de mercado. O impacto sobre os futuros resultados da companhia ainda é incerto, lembrando que, essa mesma operação em 2017, colaborou com o maior prejuízo já registrado pela BRF.

No mercado de renda fixa, cresce cada vez mais a expectativa de um novo corte da Selic na próxima reunião do Banco Central, em 21 e 22 deste mês. Com os indicadores de atividades ainda demonstrando certa fragilidade e com os indicadores de inflação comportados e em patamares baixos, a leitura é que o Banco Central tem espaço para mais um corte adicional da Selic.